terça-feira, 30 de setembro de 2008

Há 200 anos. 30 de Setembro de 1808.

O exército português é restabelecido oficialmente, por meio de uma portaria com um Edital anexo, onde se informam os oficiais, os sargentos e os soldados dos locais onde se estão a reorganizar os antigos corpos.

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«Para restaurar as unidades dissolvidas pelos franceses, o exército português é restabelecido oficialmente, por decreto de 30 de Setembro de 1808, no qual o Príncipe Regente ordena que se formem “todos os Corpos de Infantaria, Cavalaria e Artilharia, que compunham o mesmo exército no tempo que foi completamente desorganizado pelo intruso Governo Francês, e Ordenam que todos os Oficiais, Oficiais Inferiores, Tambores e Soldados se reúnam no espaço de hum mez àqueles Corpos a que pertenciam antes da sobredita desorganização, nos seus antigos Quartéis, declarados na relação junta a este edital.”[1] e, em edital anexo da mesma data, se informam os oficiais, os sargentos e os soldados dos locais onde se estão a reorganizar os antigos corpos.
Regimentos de infantaria números 1, 4, 10, 13 e 16 Lisboa; 7 Setúbal; 19 Cascais; 5, 7 e 22 Elvas, 3 Estremoz; 8 Castelo de Vide; 15 Vila Viçosa; 20 Campo-Maior; 2 Lagos; 14 Tavira; 11 Viseu, 23 Almeida; 6 e 18 Porto; 9 Viana 21; Valença; 12 Chaves e 24 Bragança. Regimentos de Cavalaria 1, 4 e 7 Lisboa; 10 Santarém; 8 Elvas; 2 Moura; 3 Beja; 5 Évora; 11 Almeida; 6 e 9 Chaves e 12 Bragança. Regimentos de Artilharia 1 S. Julião, 3 Estremoz, 2 Faro, 4 Porto.
Anexo ao decreto, vinha um edital com a mesma data, onde se informam os oficiais, os sargentos e os soldados dos locais onde se estão a reorganizar os antigos corpos,...

[1] Simão José da Luz Soriano, ibidem, vol. 1, 2º época, p.604»

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Canhonheiras executadas na Praça de Campo Maior

FONSECA, José Maria Ferreira da, fl. 1790Reprezentação das canhonheiras executadas na Praça de Campo Maior [Visual gráfico / desenhada [por] José Maria Ferreira da Fonseca, [179-?]. - 1 desenho : tinta-da-china e aguadas, color. ; 30x49 cm http://purl.pt/1244. - Data provável atribuída segundo a filigranaCDU 725.18(469.511)"179"(084.11)

Biblioteca Nacional

domingo, 28 de setembro de 2008

Há 200 anos. 20 a 26 de Setembro de 1808.

20 -Wellesley regressa a Inglaterra, seguido de Dalrumple e Burrard, para deporem no inquérito levantado para apurar responsabilidades sobre o conteúdo da Convenção de Cintra.
D. Miguel Pereira Forjaz, assume em Lisboa a secretaria da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros.
Convenção luso-britânica para o desembarque das tropas inglesas no território de Macau.

21 -Desembarca em Macau o almirante inglês William Drury, onde apenas permanece até Dezembro face à hostilidade da população.

24 - Nomeação interina de Cipriano Ribeiro Freire para presidente do Real Erário.

25 - Chega a Macau o novo governador Lucas José de Alvarenga.

26 - A Junta Provisional do Supremo Governo do Reino, estabelecida no Porto, suspende as suas funções.

Há 200 anos. 18 de Setembro de 1808.

Na constituição da nova Regência são excluídos o principal Castro, Pedro de Melo Breyner e o conde de Sampaio, por suspeitos de excessiva colaboração com os franceses.

Uma proclamação do general britânico Hew Dalrymple, anuncia o restabelecimento da Regência, para que se possa fazer a transferência do poder em Lisboa do exército britânico para as autoridades portuguesas,declarando findo o Governo militar.

Há 200 anos.16 de Setembro de 1808.

Chega a Lisboa o general Gregório Laguna, comandante da Estremadura espanhola, para felicitar as autoridades pelas vitórias alcançadas sobre os franceses.
A "Gazeta de Lisboa" retoma a impressão com as armas reais de Portugal.

Planta da Praça de Campo Maior..., 1797


XAVIER, Inácio Caetano, fl. 1797Planta da Praça de Campo Maior... [Visual gráfico / Caetano Paulo Xavier debaixo das direcções [de] Mathias Joze Dias Azedo, 1797. - 1 desenho : tinta-da-china, vermelha e aguadas ; 34x47 cm http://purl.pt/1245CDU 725.18(469.511)"1797"(084.11)


Biblioteca Nacional

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Espada do Conde do Rio Pardo.


No Post de ontem, falei da espada de Dom Diogo de Sousa, 1.° Conde do Rio Pardo. Pois aqui ficam dias imagens retiradas de um catálogo de Leilões de 1989, Leilão que teve a temática Portugal-Brasil I e foi realizada pela Silva´s Leiloeiros.
Era o seguinte , o texto do lote:

«320
A Espada do Conde do Rio Pardo, Capitão-general do Rio Grande e Vice-Rei da Índia - Uma das poucas armas de indiscutível atribuição. Leva o seu brasão Embutido em Ouro em ambas as faces da lamina. A espada em si mostra todas as características duma boa espada de combate dum militar português de alta patente dos primeiros anos do século XIX. As suas guarnições são em bronze dourado a fogo, o porno em feitio de águia. Bainha em bronze dourado a fogo com gravação dum troféu de armas e com motivos florais e geométricos. A lamina (como o resto da arma em excelente estado de conservação), ainda conserva o seu azulado de origem e todo o seu embutido em fios de ouro. A história desta espada bem como a do seu dono são bem conhecidas. Chamamos a atenção para o artigo publicado na revista "Jornal do Exercito" em Abril de 1983. Resumindo, trata-se da arma de Dom Diogo de Sousa, 1.° Conde do Rio Pardo, que nasceu em Lisboa a 17 de Maio de 1755 e faleceu em 12 de Julho de 1829. Como oficial de carreira foi nomeado Governador-Geral de Moçambique (1793). Cinco anos mais tarde foi para o Brasil, Maranhão. Em 1807 foi encarregado de organizar a nova Capitania de Rio Grande do Sul, onde criou as vilas de São Pedro e de Rio Pardo atraindo para ali grande número de colonos. Em 1810 recebeu ordens para ocupar Montevideu que estava em revolução, tendo os seus caudilhos violado a fronteira brasileira. Destruiu as forcas de Artigas. Em 1812 foi no nomeado Vedor da Casa Real. Em 1815 recebeu o titulo de Conde do Rio Pardo e o grau de cavaleiro da Torre e Espada. Em 1816 foi nomeado Vice-Rei da Índia onde se destacou por uma governação considerada brilhante. Em consequencia da revolução de 1820, acabou por ser preso em Goa em 1821 e liberto pouco depois, jurando a constituição em 1822. Em 1824 foi nomeado Conselheiro da Guerra, em 1825 Presidente do Conselho Ultramarino e em 1826 Par do Reino. Dom Diogo de Sousa entrou em combate em três continentes levando consigo esta sua espada. Uma arma idêntica vem representada na gravura dos planos dos uniformes publicados em Lisboa em 1806. A arma deve datar de pouco tempo antes. As inscrições em fios de oura devem ter sido aplicadas no Brasil em 1815 na sua espada de serviço. Não se trata de uma espada de honra, feita somente para um solene momento da entrega, mas duma espada militar que viu serviço e que durante a sua época de serviço acabou por ser enobrecida com o brasão e a titulo do seu dono, o que e bastante mais raro mas compreensível pelas circunstancias da sua nomeação no Brasil. Comprimento total 110 em. Uma Arma de Indiscutível Interesse Histórico, curiosamente, tanto para 0 Brasil, como para Moçambique, Goa e Portugal.
Base e valor sob pedido »


Penso que esta espada terá ido parar também ao espólio da seguradora Lusitânia,

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Novidades. Relatório e Contas da Lusitania, companhia de seguros , S.A.

Foi com uma agradável surpresa que recebi como presente o relatório e contas 2007 da companhia de seguros Lusitânia [Grupo Montepio]. Os documentos contabilísticos encontram-se num CD , junto à capa.
O Livro, esse, é dedicado exclusivamente ao período das invasões francesas. Digo Invasões francesas porque não inclui os anos posteriores a 1810, nas quais o exército operou fora do território nacional.
Trata-se de um livro de excelente qualidade de imagens e papel, com texto bilingue [ inglês e português] e excelentes imagens. Na capa, vistosa, o punho da espada do General Silveira, conde de Amarante ( apesar de eu, como espada, gostar mais da que pertenceu ao conde do Rio Pardo).
O livro têm 5 capítulos . 1- Os antecedentes; 2 – A primeira invasão francesa 3- A segunda invasão francesa, 4- A quarta invasão francesa, 5 -Conclusões.

Parece que o estou resulta de um conjunto de autores: Prof. Doutor Adriano Moreira ; Dr. Manuel Bairrão Oleiro; Coronel Ribeiro de Faria; Comandante José António Rodrigues Pereira, Comandante Cyrne de Castro , Dr. António Lalande, comandante Carlos Mesquita, e Dr. Javier Saez Salgado.

Para meu mal, e em especial para o Jorge Quinta-Nova, o general Lecor, sem dúvida o melhor oficial do exercito português que operou no exercito anglo português, não faz parte da lista do que os autores consideram ser “ oficiais generais portugueses que mais se distinguiram nas campanhas da guerra peninsular”, mas a omissão inclui a exclusão de oficiais como Agostinho Luís Da Fonseca, Manuel Pamplona Rangel, José Cardoso De Meneses Souto-Maior, D. Luís Inocêncio Benedito De Castro - Conde Resende, ou José De Vasconcelos e Sá.

Se puderem obter um exemplar, não desperdicem a oportunidade.
Aqui ficam as imagens da capa, contra-capa e do seu interior.
Parabens à Lusitania por esta iniciativa.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A Vedoria . Mercado de Escravos. Alfândega de Lagos


Edificio da Vedoria



Mais uma vez, indo à boleia de Jorge Penin de Freitas , que nos fala da Vedoria "O vedor geral era o responsável máximo pela administração e finanças do exército de cada província" , aqui vai um post sobre o edifício da Vedoria de Lagos.



Fonte : IPPAR.

«O Mercado de Escravos foi o último dos edifícios seiscentistas, de carácter civil e de apoio à Praça forte de Lagos, a ser construído. Integra-se no mesmo contexto de racionalização dos recursos, e de especialização dos espaços, que deu origem à Oficina do Espingardeiro e ao vizinho Armazém Regimental, mas a sua linguagem arquitectónica e estilística, bem como a diferente projecção e o cuidado posto no lançamento dos seus volumes, colocam-no num lugar bem distinto dos restantes.Ao que uma extensa epígrafe indica, a sua construção deu-se em 1691, por vontade do 2º Marquês de Niza, D. Francisco Luís da Gama, que edificou o Corpo da Guarda "sobre o edifício que primeiramente serviu como venda de escravos, que existia desde o século XV" (PAULA, 1992, p.211).Estilisticamente, é um monumento de grande impacto urbanístico, constituindo mesmo um dos vértices da principal praça da cidade, defronte da igreja Matriz. Compõe-se de dois pisos, de arquitectura racionalizada, erudita e simétrica. A fachada principal, organizada a dois registos, dispõe de um amplo narthex, de dupla arcaria, hoje protegido com grades de ferro, atribuível ainda a um período maneirista. Superiormente, duas grandes janelas rectangulares e molduradas, de finais do século XVII, demonstram a qualidade da obra empreendida pelo conde de Niza. No piso térreo, o espaço interior é ocupado por uma vasta sala, actualmente convertida em galeria de arte. No andar superior, funcionou a Alfândega de Lagos, até 1820, altura em que transitou para o Edifício da Portagem. A Direcção Geral das Alfândegas mantém, ainda, a posse parcial do imóvel. Ao longo dos séculos, desempenhou várias funções, como a de Vedoria, que deu mesmo o nome a uma das ruas laterais.Na praça principal da cidade, constituindo mesmo um dos seus vértices definidores, o Mercado de Escravos é um dos mais emblemáticos monumentos da cidade, reafirmando, pela sua existência, a umbilical ligação de Lagos à empresa dos Descobrimentos e cristalizando, até à actualidade, a memória do local onde, desde a primeira hora, se instalou a venda de escravos.PAF»


terça-feira, 23 de setembro de 2008

As mostras.

Ao longo dos posts sobre o Decreto do Conde Lippe foram referidas varias vezes as " mostras".
Sobre o assunto, irá dedicar Jorge Penim de Freitas , autor do blog Guerra da Restauração uns posts, deixando aqui o link da primeira parte.
Sobre as mostras, lembro-me da Ordem do Dia de 29 de Setembro 1809 que refere" o “Senhor Marechal faz saber, que ele costuma contar as filas” , isto porque, Beresford desconfiava que os comandos apresentavam nos exercicios mapas das forças que não correspondiam aos homens efectivamente integrados nas respectivas filas.

domingo, 21 de setembro de 2008

Conde Lippe, o Sargento-Mor e o Fidalgo. II

Recebi um comentário de Jorge Penim de Freitas , autor do Blog Guerra da Restauração, o qual coloco com a sua autorização.
"A propósito do post sobre o célebre decreto do Conde de Lippe, não estou certo de que o decreto se referisse ao sargento-mor. Os sargentos podiam eventualmente responder pelas companhias nas mostras, caso os oficiais das mesmas estivessem ausentes - seria uma situação de recurso, mas que aconteceu com alguma frequência durante a Guerra da Restauração, inclusive na cavalaria, onde os furriéis chegavam a responder pelas companhias. Mas "responder" não significava "comandar", era apenas uma situação relacionada com a administração da unidade, que envolvia ler e assinar as listas de pagamento e redigir as de soldados e material de guerra antes das mostras. Já no século XVII, o sargento e o furriel deviam saber ler e escrever. É uma dúvida que fica."
Fica pois a dúvida.
Na verdade , só uma troca de ideias dos amantes das várias épocas para compreender a evolução do exército português.

sábado, 20 de setembro de 2008

Wellington Congress 2010.

Tal como acabo de conhecer através do Napoleon Series.

Date: 8-11 July 2010
Description: The fourth in a sequence of congresses based around the career of the first Duke of Wellington, as well as the wider context in Britain, Ireland, the Empire and continental Europe, 1780 to 1850. There will also be a special focus on the Peninsular War.
Details: website Conference
organisers: Professor Chris Woolgar
Venue: University of Southampton
Contact: Professor Chris Woolgar Email: archives@soton.ac.uk
Tel: +44 (0)23 8059 2721 Fax: +44 (0)23 8059 5451
Address: Wellington Congress 2010, Archives and Manuscripts, Hartley Library, University of Southampton, Highfield, Southampton SO17 1BJ, United Kingdom
Deadlines: call for papers: 16 October 2009; registration: May/June 2010
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Conde Lippe, o Sargento-Mor e o Fidalgo.


Eu ,Guilherme por Graça de Deus, , conde reinante de Schaumburg, Conde e nobre, senhor da Lipe e Thranberg, Marechal General das Tropas de Sua Majestade Fidelíssima, Cavaleiro da Ordem da Águia Negra, etc.
Para evitar duvidas que se possam oferecer sobre esta matéria, estabeleço o seguinte: Que de ora em diante, todo o Sargento que nas mostras responda pela companhia e que pela natureza do seu encargo deve saber ler e escrever correctamente porque o Oficial Comandante da mesma pode não o saber, por ser Fidalgo.
Dado em Salvaterra de Magos
16 de Fevereiro de 1764

Ao contrario do que muitos autores , obras e textos referem, o Sargento[Sargento-Mor] referido no texto, não é o actual sargento [escalão de Sargentos] , mas sim um oficial superior [actual Major] encarregue do comando de uma companhia.
Em 1763, com a reforma do conde de Lippe, os regimentos serão organizados em 7 companhias (unidades administrativas). A reforma implicou o regresso ao conceito de que cada regimento era um batalhão do ponto de vista táctico. Para além do coronel e do tenente-coronel, o Major («sargento-mór») tinha também a administração de uma companhia.
Este modelo de organização , na qual se prevê que uma companhia possa ser comandada por um Major, termina em 1777, data em que os regimentos de infantaria tiveram um aumento de 3 companhias, passando a ter um total de 10, e na qual os majores [Sargentos-Mor] deixam de comandar companhias.
Assim se o texto fosse lido na actualidade, onde se lê Sargento ( Sargento-Mor) , deverá ler-se Major. Em tempo algum, no exercito Português , um Sargento teve organicamente o comando de uma companhia.

Tal como refere Manuel Amaral, “É por isso que, se a função militar era considerada geralmente nobre, de acordo com a legislação, só quem chegava ao posto de major efectivo adquiria verdadeiramente a qualidade de fidalgo, como se pode ler, entre outras, na lei de criação dos cadetes : «Tendo os mesmos pretendentes o foro de Moço Fidalgo da Minha Casa, e daí para cima; ou sendo filhos de Oficiais Militares, que tenham, ou tivessem tido pelo menos a Patente de Sargento-Mór pago [Major efectivo].»”

Este apontamento não retira a confirmação, de que muitos nobres eram analfabetos, e alguns encontravam-se a comandar unidades militares.
Sobre o posto de Sargento-Mor ver o execlente Blog " Guerra da Restauração" de Jorge Penin de Freitas. Vere ainda o post deste blog " O Sargento-Mor " AQUI.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

D.Nuno da Cunha de Ataíde.

D.Nuno da Cunha de Ataíde, 1º Conde de Pontével {1610-1696}
Título criado por D. Afonso VI, rei de Portugal por decreto de 02-04-1662.
Foi do Conselho da Guerra, Estribeiro-mor da Infanta Dona Isabel Josefa, Governador e Capitão General do Reino do Algarve, foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lagos entre 1671 e 1675, tendo governado o Algarve entre 1653-1655 e 1674-1675. Mandou construir em Lagos as casas da Câmara e abrir um poço de grande utilidade pública. Mandou, ainda, fazer uma muralha que cercava a Igreja da Luz.
O actual Conde de Pontével, é Marquês de Vagos, Marquês de Torres Novas , Conde de Aveiras, Conde de Valadares, Conde de Povolide e Conde de Sintra.

Forte de São Roque de Lagos ou Forte da Meia Praia.

Foto Francisco Castelo.

1º texto- Blog de Francisco Castelo, do qual retiramos a foto.

O único património histórico-arquitectónico existente na Meia Praia, e ainda não classificado, é o Forte de S. José, e não de S. Roque, como erradamente é dito. Tal equipamento militar foi mandado construir por D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontével, nos anos de 1674 e 1675 quando, pela segunda vez, foi Governador do reino do Algarve. A sua acção em Lagos foi de grande mérito, por ter construído a casa da Câmara e na povoação da Luz uma muralha que cercava a Igreja de N.S. da Luz e o espaço adjacente que serviu de cemitério. A acção estratégica do Forte constituía a defesa do leste da baía de Lagos. Esteve artilhado, primeiramente, com uma peça de bronze e duas de ferro prontas a servir e uma de ferro, incapaz. O terramoto e consequente maremoto de 1 de Novembro de 1755, ocorrido no dia de Todos os Santos, destruiu um quarto do Forte, espalhando pedaços pelo areal. Em 1796 foram realizadas obras, e em 1821 esteve artilhado com três peças de ferro, tendo sido desartilhado em 1840. Obsoleto para fins militares foi, em 11 de Julho de 1873, cedido à Câmara Municipal de Lagos e depois entregue por esta autarquia à Alfandega de Lagos, para ali instalar um posto fiscal, tendo posteriormente servido como posto da Guarda Fiscal (in Fortificações da Praça de Lagos – Carlos Calixto - edição CMLagos).O terramoto e o maremoto foram violentíssimos. Numa descrição coeva refere-se que o mar recuou e que se viram rochas na baía que nunca ninguém vira antes, nem se sonhara, e que depois uma onda que tudo fazia tremer entrou terra dentro levando tudo de vencida (tendo avariado gravemente o Forte que depois disso conheceu apenas parcas reparações para garantir a sua modesta utilização). A dita onda atravessou todo o sistema dunar e chegou até às fazendas. Outro aspecto curioso refere-se ao facto de em tempos ter existido, no Forte, um poço cuja água era muito procurada devido à sua excelente qualidade mas que mais tarde se tornou inquinada devido à construção de uma retrete nas suas proximidades.Outro património interessante é a conhecida Quinta das Beatas que se julga ter sido, como o nome sugere, um retiro de religiosas, com história ainda por fazer.Anos após o terrível maremoto o areal da Meia Praia recuperou e o sistema dunar ganhou grande beleza ao longo desse trajecto ao serviço da faina marisqueira do rio de Alvor, tal como está referenciado em mapa de artilharia de 1791.


2º Texto- Fonte : IPPAR

Em pleno areal da Meia Praia, numa zona central da Baía de Lagos, e em monte dominante sobre toda a orla costeira, o pequeno forte de São Roque - ou da Meia Praia, pelo local onde se encontra implantado - foi uma das fortificações complementares de defesa da costa algarvia, ao longo da Idade Moderna. A sua construção remonta, muito provavelmente, à segunda metade do século XVII, integrada no amplo processo de defesa da costa meridional do reino, que levou à edificação de numerosos fortes ao longo de toda a linha marítima do Algarve, de Castro Marim à ponta de Sagres. A sua vocação defensiva, a meio da baía, justificava-se pela relativa proximidade da ribeira de Odiáxere e, mais importante, pela proximidade em relação à cidade de Lagos, desempenhando, assim, uma função de clara complementariedade em relação ao forte dispositivo militar da urbe.Em termos estruturais, este forte apresenta uma solução tremendamente simples: planta quadrangular, de três arestas regulares e uma - a virada a ponte - irregular, precisamente aquela onde se abre o portal principal de acesso à fortaleza, rasgado axialmente no alçado, e resguardado por dois torreões de secção trapezoidal. No interior, resta apenas uma dependência, de dois pisos, que ultrapassa, hoje, a altura das muralhas, fazendo crer que a organização interna, na origem, não teria esta disposição vertical tão acentuada. O plano aqui adoptado foi já aproximado ao da fortificação quadrangular da Ponta da Bandeira, em plena praia de Lagos, apenas diferindo numa maior simplicidade e modéstia com que se edificou o edifício da Meia Praia (COSTA, 1997, Dgemn, on-line).Infelizmente, o Forte de São Roque passou por uma história tão atribulada que são muito poucas as certezas que hoje possuimos acerca deste imóvel nos seus primeiros tempos. A própria data de construção não é certa, e as múltiplas transformações por que passou ao longo da sua existência, determinaram a adulteração completa da disposição original interna. Logo em 1755, aquando do grande terramoto, o forte sofreu pesados danos, desmoronando-se algumas paredes. O processo de reconstrução que se seguiu foi, ao que tudo indica, demasiado demorado e a fortificação nunca mais atingiu a importância que se crê ter estado na sua origem. Dez anos após o tremor de terra, uma notícia indica não existir ainda quartel e armazém para a pólvora no seu interior. Parece mesmo que a reconstrução definitiva do forte apenas teve lugar quarenta anos depois de 1755, nas vésperas do país ser invadido pelas tropas francesas.Fosse como fosse, o certo é que logo na terceira década do século XIX o forte estava destruído e abandonado. Uma relação de trabalhos elaborada nos anos quarenta de Oitocentos indica que os trabalhos de reconstrução a realizar seriam de grande vulto, neles se integrando a desobstrução de grande parte das muralhas, indicador de que era já estrutural o abandono da fortaleza. Pelo final do século, o espaço passou para a Alfândega de Faro, que aqui instalou um ponto de fiscalização da sua Guarda. Ao longo do século XX, as várias tentativas para se rentabilizar (e preservar convenientemente) o espaço debateram-se com a inércia das instituições. Uma proposta de adaptação a unidade turística, sugerida pela DGEMN, não foi concretizada e, no presente, o pequeno forte mantém uma guarnição da Guarda Fiscal no interior, ao mesmo tempo que as velhas muralhas, de boa construção militar, se vão degradando, apresentando já perigosos sinais de desagregação, junto a alguns cunhais.

sábado, 13 de setembro de 2008

Ordem do dia. 23 de Maio de 1813.

Quartel-general de Tamanes, 23 de Maio de 1813.
Ordem do Dia.
Sua Excelência o Sr. Marechal Beresford Conde de Trancoso manda, transcrever nesta ordem os três parágrafos, que abaixo se seguem, da ordem do dia 13 do corrente do Ilustríssimo, e Excelentíssimo Sr. Marechal General Lord Marquez de Wellington, e de Torres Vedras; e espera o Sr. Marechal, que os Oficiais do Exercito Português prestem toda a atenção ao conteúdo nos referidos três parágrafos.
Copia dos Parágrafos.
N. 2. O Comandante das Forcas recebe frequentes queixas do comportamento dos oficiais, e soldados do exército para com os magistrados do país; apesar das repetidas ordens, que se tem publicado sobre este assunto; e parece ainda mais extraordinário, que soldados, e oficiais do exercito Britânico dêem motivo para estas queixas ; pois é bem sabido, que na sua própria Pátria nenhum indivíduo se pode arriscar a insultar, ou maltratar os magistrados civis.
N. 3. As circunstâncias com tudo tem aumentado os inconvenientes, que resultam de semelhante conduta, e o Comandante das Forças roga aos oficiais do exercito, que se lembrem, que as operações do exercito são executadas dentro dos territórios de Potências amigas, cujas leis para a protecção das pessoas revestidas com autoridade são rigorosas como as da Grã-Bretanha, e que toda [razia ?] que se fizer, o ou insulto que se praticar contra as autoridades civis do Governo, será seguida das mesmas consequências, que o mesmo comportamento produziria em Inglaterra.
N. 4. O Comandante das Forças roga, que se tome o cuidado de comunicar estas ordens aos oficiais, e tropas Portuguesas, do mesmo modo que ás Britânicas ; e ele espera que os Portugueses terão a mesma atenção, e respeito para com as autoridades civis de Espanha, que todas as classes de pessoas são obrigadas pelas leis de Portugal a ter para com as autoridades civis de Portugal.
MOZINHO, Ajudante-General.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

CONGRESSO INTERNACIONAL E INTERDISCIPLINAR COMEMORATIVO DA GUERRA PENINSULAR

Foi há cerca de um ano que decorreu o CONGRESSO INTERNACIONAL E INTERDISCIPLINAR COMEMORATIVO DA GUERRA PENINSULAR .

Academia Portuguesa da História, o Centro de Estudos Anglo-Portugueses e a Comissão Portuguesa de História Militar realizaram nos dias 7 a 9 de Novembro de 2007 um Congresso Internacional e Interdisciplinar Comemorativo da Guerra Peninsular assinalando a passagem dos 200 anos das Invasões Napoleónicas em Portugal.

Para quem não pode estar presente, aqui fica o programa, que primou pela excelência.
Esperemos por mais organizações destas.

Foram línguas de trabalho o espanhol, o francês, o inglês e o português.
As sessões tiveram lugar em Lisboa ,na Fundação Calouste Gulbenkian.
Programa

7 Novembro 2007
09:30 – 10.00 Sessão de Abertura (Auditório 3)
10:00 – 10.30 Sessão Plenária
Moderador: Maria Leonor Machado de Sousa
António Pedro Vicente “As Guerras Peninsulares revisitadas (após dois séculos)”
10:30 – 11.00 Pausa para café
11:00 – 12.30 Sessões Simultâneas
História Militar
Moderador: António Pedro Vicente
Auditório 3
Eurico de Ataíde Malafaia “Quais foram as determinantes influentes e o tempo de duração da guerra peninsular?”
João Vieira Borges “Portugal Militar no Início do Século XIX”
António da Silva Ribeiro “As Invasões Francesas e a Organização Superior de Defesa Nacional”
Brasil
Moderador: Gabriel Espírito Santo
Sala 2
José Miguel Sardica “Sem rei nem roque.” O apocalíptico ano de 1807’’
Carlos Baptista Valentim “A partida da Família Real para o Brasil em 1807: Estratégia e Logística Naval. Uma Abordagem da Componente Naval”
Luiz Cavalcanti Gazzaneo “A Transferência do Governo Português para o Rio de Janeiro, a Preservação da Integridade da Monarquia Portuguesa e um dos Generais Invencíveis que Napoleão Teve – O Príncipe Regente de Portugal”
Maria José Bigotte Chorão “Os Arquivos levados para o Brasil pela Corte”
A Guerra na Literatura
Moderador: Maria Leonor Machado de Sousa
Sala 3
João Almeida Flor “The Peasant of Portugal – Um Guerrilheiro Mítico no Imaginário Romântico”
Manuel Gomes da Torre “A 2ª Invasão Francesa em The Sisters of the Douro de Edward Quillinan”
Miguel Alarcão “Waiting for Junot: os Filhos da Estrela e a Serra da Lua”
12 h 30 – 14 h 30 Almoço
14:30 – 16:00 Sessões Simultâneas
História e Política
Moderador: José Baptista Pereira
Sala 1
John Villiers “Viscount Strangford and the partido inglês at the court of Lisbon, 1806-1807”
Maria de Jesus Caimoto Duarte “As reivindicações de D. Carlota Joaquina à Regência espanhola”
João Brandão Ferreira “A Primeira Invasão Francesa: por que não se lutou desde a Primeira Hora”
José Viriato Capela “A 1ª Invasão: a abertura do debate sobre as reformas para Portugal”
Insígnias e Heráldica
Moderador: Alexandre de Sousa Pinto
Sala 2
Miguel Metelo Seixas “Dinastia, Instituição, Território: a simbólica estatal portuguesa e as armas do Reino Unido, de Portugal, Brasil e Algarves”
Humberto Mendes de Oliveira “A ‘Revolução Napoleónica’ e o seu Contributo para a Revolução Falerística Portuguesa”
Miguel Sanches de Baêna e Pedroso da Silva “Influências da Guerra Peninsular na Heráldica Castrense”
Guerra e Viagens
Moderador: João Almeida Flor
Sala 3
Ana Paula Avelar “Reflexões em torno da escrita de viagem no contexto das Guerras Peninsulares”
Paulo Lowndes Marques “Diário Peninsular de Charles Crowe (1812-1813)”
Maria Leonor Machado de Sousa “Um olhar clínico sobre Portugal: Adam Neale”
16:00 – 16:30 Pausa para café
16:30 – 18.00 Sessões Simultâneas
Cinema e outras Artes
Moderador: Maria do Rosário Lupi Bello
Sala 1
Mário Avelar “A Caçada do Malhadeiro, de Quirino Simões. Alteridade e drama(s) freudiano(s)”
Foteini Vlachou “Between History and Art: Drawings, Engravings and the Interpretation of the Peninsular War”
Margarida Pina de Reffoios “Esboço de uma Gastronomia durante o Período das Invasões Francesas”
Medicina e Farmacia
Moderador: Fernando Bívar Weinhöltz
Sala 2
Ana Leonor Pereira e João Rui Pita “Saúde, Farmácia e Medicamentos no Período das Invasões Francesas”
João Martins Neto “A Farmacopeia nas Invasões Francesas”
Carlos Vieira Reis “Teodoro Ferreira de Aguiar – Criador das Reais Escolas de Cirurgia”
Guerra e Viagens
Moderador: Gabriela Gândara Terenas
Sala 3
Maria Zulmira Castanheira “Portugal, a Visão de um Militar Inglês: George Thomas Landmann”
Isabel Oliveira Martins “A Primeira Invasão: o Testemunho de James W. Ormsby”
Ana Rita Padeira “John Patterson, uma Campanha em Portugal”
20:00 Jantar
8 Novembro 2007
09:00 – 10:30 Sessões Simultâneas
História Política e Religião
Moderador: José Alberto Loureiro dos Santos
Auditório 3
Manuel Everard do Amaral “Portugal entre a França e a Inglaterra (1803-1807)”
Júlio Rodrigues da Silva “Aspectos Político-Militares e Diplomáticos da 1ª Invasão Francesa”
Aires Gameiro “Paulo de Magallon d’ Argens(1784-1859): de Capitão do Grande Exército de Napoleão a Restaurador da Ordem Hospitaleira de São João de Deus em França”
Brasil
Moderador: João Paulo Pereira da Silva
Janaina Cardoso de Mello “Reflexões sobre a Guerra nos Oitocentos (Brasil-Portugal)”
Regina Costa Dantas “A Casa do Rei: Reflexões sobre a Moradia de D. João VI no Brasil”
Nuno Simão Ferreira “A Invasão Francesa e a Partida para o Brasil da Família Real e da Corte Portuguesas Segundo as Memórias do 7º Marquês de Fronteira”
A Guerra na Literatura
Moderador: Isabel Oliveira Martins
Sala 3
António Martins Gomes “Monarquia e Jacobinismo em Carlos Malheiro Dias”
Rogério Miguel Puga “As Relações Anglo-Portuguesas durante a Guerra Peninsular em A Casa dos Fantasmas (1865), de Rebelo de Silva”
Aires Gomes Fernández “Da Baioneta à Pena: as Invasões Francesas na obra de Arnaldo Gama”
10:30 – 11:00 Pausa para café
11:00 – 12:30 Sessões Simultâneas
História Militar
Moderador: António Azevedo Sacchetti
Auditório 3
Augusto Alves Salgado “A Importância doa Navios da Coroa de Portugal nas Invasões de 1580 e 1807”
Pedro Franco de Avilez “O Poder Militar e Naval de Portugal em 1807”
José Rodrigues Pereira “A Marinha Portuguesa no Tempo de Napoleão”
Personalidades Británicas
Moderador: David Cranmer
Sala 2
John Severn “Splendid Allies: The Duke of Wellington and the Portuguese”
Brian M. De Toy “Admiral George Berkeley and Peninsular Victory, 1809-1812”
Adrian Bridge “British port shipper John Croft's (1778-1862) role in the spying network and The Distribution”
‘Guerra de la Independencia’
Moderador: João Paulo Pereira da Silva
Sala 3
Gilbert G. Fernández “The Spanish War of Independence: The Military Formation of the Principal General of the First Carlist War”
Jesus Marin Calvarro “Viajeros forzosos por Extremadura: testimonios de soldados británicos en la Guerra de la Independencia”
Maria Teresa Corchado Pascasio “La Guerra da la Independencia en Extremadura. La visión de los militares ingleses”
Miguel Martin Mas “Jaque a Portugal! : Salamanca 1807 – 1813”
12:30 – 14:30 Almoço
14:30 – 16:00 Sessões Simultâneas
A Guerra no Cinema
Moderador: Maria de Deus Duarte
Auditório 3
David EvansGabriela Gândara TerenasMaria de Deus DuarteMaria do Rosário Lupi Bello “Representações da Guerra Peninsular: do Romance ao Ecrã”
Medicina e Farmacia
Moderador: João Martins Neto
Sala 2
Romero Bandeira, Sara Gandra e Ana Mafalda Reis “A intervenção médico-cirúrgica no terreno segundo Larrey, cirurgião-chefe de Napoleão”
Augusto Moutinho Borges “O Tratamento dos Doentes e Enfermos Militares em Portugal nos anos de 1807/1808”
Fernando Bívar Weinöltz “As Invasões Napoleónicas: Contributo para a Tiflologia”
Memórias e Relatos de Guerra
Moderador: Maria Zulmira Castanheira
Sala 3
António Ventura “A literatura de memórias francesa sobre a Guerra Peninsular”
José Luís Assis “A Entrada das Forças Napoleónicas em Portugal em 1807 segundo os relatos do Barão Thiebault, Tenente-General do Estado-Maior de Junot”
Maria da Conceição Castel-Branco “Sir Nicholas Trant em Portugal: imagens da vida pública e da vida privada durante a Guerra Peninsular”
Tereza Caillaux de Almeida “Para uma tipologia da memória relativa às Invasões Francesas”
16:00 – 16:30 Pausa para café
16:30 – 18.00 Sessões Simultâneas
História Militar
Moderador: António Pires Ventura
Auditório 3
Manuel Pereira de Carvalho “A Raiva dos Militares do Norte quando souberam que os Franceses e Espanhóis entraram em Portugal”
José Vieira dos Santos “As Invasões Francesas. A acção das Tropas Portuguesas relatada pelo General Ribeiro Artur”
Fransisco de La Fuente “Portuguese Resistance to Napoleon: Dom Miguel Forjaz and the Mobilization of Portugal”
Guerra e Imprensa
Moderador: Gabriela Gândara Terenas
Sala 2
Maria de Fátima Nunes “Invasões Francesas: transferência de saberes e de práticas culturais”
Fernanda Sousa Maia e Isilda Costa Monteiro “O Sentido da Comemoração – As Invasões Francesas e o 1º Centenário”
Ana Vicente “The Duke of Wellington’s Funeral as reported by my great-grandmother Bessie Rayner Parkes”
Imprensa e História Literaria
Moderador: Maria Zulmira Castanheira
Sala 3
Isabel Nobre Vargues “A Emergência da Imprensa nas Invasões Francesas”
João Paulo Pereira da Silva“Ecos e Representações da Guerra Peninsular numa Revista Inglesa do Porto”
Patricia Odber de Baubetta “Women and Literary History in the 19th Century”
9 Novembro 2007
09:00 – 10:30 Sessões Simultâneas
História Militar
Moderador: Guilherme Belchior Vieira
Auditório 3
Rogério Pereira Borralheiro “A 1ª Invasão e a Mobilização Concelhia para a Defesa da Fronteira Transmontana”
Henrique Martins de Matos “O Norte de Portugal e a Galiza em luta contra os Invasores”
Jorge Martins Ribeiro “A cidade do Porto e a Invasão Franco-Espanhola de 1807-1808”
Antonio Moliner Prada “La Revolución de 1808 en España y Portugal en la obra del Dr. José Ferreira Cardoso da Costa”
Economia e Direito
Moderador: Maria de Fátima Nunes
Sala 2
António Alves Caetano “A Guerra Peninsular e a Economia Portuguesa”
Daniel Ribeiro Alves “A Guerra Peninsular e o mundo dos negócios: o caso de João Ferreira Troca”
Anete Costa Ferreira “O Movimento Alfandegário nos portos de Portugal no início do século XIX”
Bibliografia e História Literária
Moderador: Maria da Conceição Castel-Branco
Sala 3
Maria Graciete Silva “Entre ventos e marés: o Portugal literário de Sané, ou de como Filinto Elísio é chamado a servir a causa napoleónica”
Juan Zarandona “Portugal en la History of the Peninsular War (1822-1832) de Robert Southey (1774-1843): la redención por el heroísmo”
João da Rocha Pinto “Short-cuts. Ensaio Crítico sobre a Bibliografia da Guerra Peninsular (1793-1814), incidindo principalmente sobre a 1ª Invasão Francesa (1808)”
10:30 – 11:00 Pausa para café
11:00 – 12:30 Sessões Simultâneas
História Militar
Moderador: José Lopes Alves
Auditório 3
Teresa Fonseca “Elvas na Primeira Invasão Francesa”
Jorge Fonseca “O saque de Montemor-o-Novo e Évora por Loison em Julho de 1808”
Francisco Vaz “O Saque de Évora pelo Exército Napoleónico em 1808 – O Testemunho de D. Frei Manuel do Cenáculo”
Manuel Canaveira “Frei Manuel do Cenáculo e Loison”
Legislação e Diplomacia
Moderador: António de Jesus Bispo
Sala 2
José Pérez-Prendes Muñoz-Arraco “Los principios contenidos en la legislación de José Bonaparte”
Remédios Morán Martín “Proyectos de abolición del régimen señorial en la legislación de José Bonaparte”
Fernando Martins de Almeida “O Desempenho da Diplomacia na 1ª Década do século XIX”
Ana Leal de Faria “O ‘caso’ Silvestre Pinheiro Ferreira em Berlim”
Ecos da Guerra fora da Península
Moderador: Miguel Alarcão
Sala 3
Mendo Castro Henriques “As Campanhas Portuguesas do Uruguai 1801-1821”
José Baptista de Sousa “The Hollands, Portugal and Peninsular War (1808-1809)”
Dimitris Michalopoulous “Portugal et Belgique: Des cas analogues”
12:30 – 14:30 Almoço
14:30 – 16:00 Sessões Simultâneas
História Militar
Moderador: António Martins Barrento
Auditório 3
Nick Hallidie “The British Cemetery, Elvas, Portugal”
Paulo da Cunha Oliveira “Na senda de Soult – os assaltos populares aos Mosteiros de S. Bento”
António Rosa Mendes “Olhão e o Algarve na revolta de 1808”
A Guerra nas Artes
Moderador: Ana Rita Padeira
Sala 2
Maria Cristina Moreira e Sérgio Veludo Coelho “Sinais da Primeira Invasão Francesa na Escultura Portuguesa em Espaço Público”
Justino Mendes de Almeida “Um Monumento a Hércules nas Linhas de Torres”
Manuela Synek “Elementos Iconográficos e Monumentos Escultóricos que representam os Heróis da Guerra Peninsular em Portugal”
História Militar
Moderador: Rogério de Oliveira
Sala 3
Rui Carita “A ocupação da Madeira pelos Ingleses em 1807”
Paulo Miguel Rodríguez “Um bastião britânico: a Ilha da Madeira durante a Guerra Peninsular”
Nuno Valdez dos Santos “A Passagem das Talhadas”
16:00 – 16:30 Pausa para café
16:30 – 18.00 Sessões Simultâneas
Música
Moderador: David Evans
Auditório 3
David Cranmer “A Batalha do Bussaco: Um Retrato Musical”
Célia Pereira da Costa “Consequências da Guerra Peninsular na Música Militar Portuguesa”
Richard Long eJohn King “Music of the Early 19th Century for the Machete and Guitar”
Personalidades Francesas
Moderador: Ana Paula Avelar
Sala 2
Donald H. Barry “General Louis Loison and the Three Invasions of Portugal”
Donald D. Horward “Marshal Masséna and Portugal; The third Invasion, 1810”
Jackson Sigler “The French Expatriates”
História Militar
Moderador: João Azevedo Araújo Geraldes
Sala 3
Mark Gerges “Manage Them the Best You Can: Integrating Allied Cavalry During the Peninsular War”
Maria Helena Rua “Análise Histórica e Território – Contributo para o estudo da defesa da cidade de Lisboa – as Guerras Peninsulares”
José Moreira Freire “Beresford e a reconstrução do exército português em tempo de guerra”
18:00 Sessão de Encerramento

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Congresso Histórico" OLHÃO, O ALGARVE & PORTUGAL NO TEMPO DAS INVASÕES FRANCESAS"


Pelo meu amigo Moises, outro "soldado voluntário " destas guerras , soube do Congresso Histórico OLHÃO, O ALGARVE & PORTUGAL NO TEMPO DAS INVASÕES FRANCESAS, a ter lugar em Olhão nos dias 14, 15 e 16 de Novembro.
Vêr programa AQUI.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

SIR JAMES LUCAS YEO.



Acabo de ver à venda a placa da Ordem do Banho pertencente a SIR JAMES LUCAS YEO, que se encontrava colocada na capela da referida Ordem.

Na placa encontra-se gravado:«‘SIR JAMES LUCAS YEO., Post Captain in the Royal Navy, also a Knight Commander of the Royal Portugese Military Order of St. Bento d'Avis, nominated a Knight Commander of the Most Honourable Military Order of the Bath 2nd Jany. 1815»
SIR JAMES LUCAS YEO viveu na época napoleonica e foi agraciado com a Ordem de Avis, conforme atesta a placa, que se encontra à venda em http://www.medalsofwar.com/.
Aqui fica a informação junta
A sua biografia pode ser encontrada AQUI.

Há 200 anos. 7 de Setembro de 1808.

Constituição do exército francês de Espanha.
I, IV e V Corpos Novos; II Bessières; III Moncey, VI Ney, VII corpo da Catalunha.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Biografias .


Desde que dei início a este blog, têm chegado à minha caixa de correio inúmeros comentários, perguntas e algumas biografias com bastante interesse. Com autorização dos autores, darei início à colocação de dois tipos de biografias.
Uma respeitante a oficiais que prestaram serviço no Exército Português durante as campanhas da Guerra Peninsular. Outra relativa a pessoas que nasceram ou viveram na cidade de Lagos.
Em Portugal está por realizar uma obra com a envergadura da Oxford Dictionary of National Biography .

sábado, 6 de setembro de 2008

Dmitri Seniavin e a esquadra Russa doTejo. Parte 4

Post 4
"Após a derrota das tropas francesas em Vimieiro, a 9 de Agosto de 1808, Junot vê-se obrigado a abandonar Portugal e o almirante Seniavin, que já tinha estabelecido contactos com o comando da armada inglesa que bloqueava Lisboa em meados de Julho, tentou agora fazer tudo para que a sua armada não fosse apreendida pelas autoridades de Londres, pois a Rússia e a Inglaterra continuavam formalmente em estado de guerra. Argumentando a sua posição numa carta dirigida ao almirante inglês Cotton, Seniavin escreve: “O meu comportamento durante os dez meses de permanência em Lisboa, as minhas recusas constantes de participar mesmo que da forma mais mínima nas medidas hostis que me eram propostas [contra os ingleses]... todos esses motivos convencem-me firmemente que Vossa Excelência terá em atenção as circunstâncias acima assinaladas e que a situação neutra legal seja observada em relação à minha esquadra, enquanto ele estiver no rio Tejo”. A armada russa acabou por ser conduzida para o porto inglês de Portsmouth e, em 1809, os oficiais e marinheiros russos regressaram ao seu país, deixando os navios em Inglaterra, tal como exigiram as autoridades de Londres. E não obstante o Governo de Londres ter, em 1812, devolvido alguns dos navios e pago por aqueles que ficaram em Inglaterra, o czar russo acusou o almirante de ter “entregue” a esquadra ao “inimigo”. Caído em desgraça, o almirante Seniavin, em 1820, vê-se obrigado a dar explicações às autoridades sobre os boatos de que ele pertenceria a uma “sociedade secreta”. Em Novembro desse mesmo ano, Dmitri Seniavin vai a casa do ministro do Interior da Rússia, Victor Kotchubei, para esclarecer a situação. O ministro respondeu que “não esconde do almirante” que ouviu falar dessa sociedade, mas que não acusava Seniavin, pois estava convencido que “não podia imaginar que semelhante iniciativa tonta, vil e hedionda pudesse caber na cabeça de um nobre russo”. Não foram até hoje encontrados documentos que provem que Dmitri Seniavin tenha sido membro de alguma sociedade secreta ou tenha tido contacto com os dezembristas, mas há vários testemunhos que mostram que alguns dos revoltosos pensaram no seu nome para dirigir a Rússia depois do êxito da revolta. O nome do almirante foi várias vezes citado durante os interrogatórios a que os dezembristas foram sujeitos na prisão. Piotr Pestel, um dos dirigentes da revolta de Dezembro de 1825, declarou à Comissão de Investigação: “Bestujev-Riumin, depois de se encontrar em Kiev com o príncipe Trubetskoi e o coronel Briguin, veio depois ter comigo a Lintsi e disse-me que ele soube, através de Trubetskoi e Briguin, da intenção da Sociedade do Norte nomear os almirantes Mordvinov e Seniavin membros do governo provisório”. “No que respeita à nomeação pela Sociedade do Norte dos almirantes Mordvinov e Seniavin para o governo provisório, posso afirmar que o príncipe S. Trubetskoi era da mesma opinião, mas não sei se todos os membros da Sociedade do Norte a partilhavam” – declarou Serguei Muraviov-Apostol no interrogatório". (Fim)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Dmitri Seniavin e a esquadra Russa doTejo. Parte 3


«Dmitri Seniavin responde imediatamente, começando por sublinhar que ele compreende muito bem o seu dever, que consiste em cumprir à risca as ordens de Napoleão, mas arranja nova argumentação para evitar isso. Desta vez, o almirante russo alega que, caso ele desembarcasse na margem esquerda do Tejo, teria de combater não só contra os ingleses, mas também contra os insurrectos portugueses, coisa de que não tinha sido incumbido. Além disso, considerava que era mais útil para os monarcas francês e russo não atacar a esquadra inglesa, mas continuar no mesmo lugar. Junot ficava cada vez mais furioso e, a 26 de Julho, foi visitar Seniavin ao navio “Tverdii” (“Firme”) para tentar uma vez mais convencê-lo, mas em vão. Dois dias depois, escreve uma nova carta: “Senhor almirante, visto que a situação em que encontro se torna dia a dia cada vez mais complicada, considero ser meu dever e uma questão de minha honra conhecer positivamente as vossas intenções e saber se posso esperar receber de Vossa Excelência alguma ajuda. Este é o meu dever, visto que o Imperador, o meu Senhor, considera que significativa esquadra que o Imperador russo colocou à sua disposição deve, obrigatoriamente, em circunstâncias tão críticas, ajudar com todos os meios o seu exército terrestre, tal como o exèrcito terrestre deve ajudar a esquadra”. Na mesma missiva, Junot passa para o campo das ameaças: “É necessário que o meu Senhor e o vosso saibam que a esquadra russa não desejou prestar-me a mínima ajuda. É preciso que os militares, que irão analisar a minha situação, saibam que eu não estive apenas cercado por todos os lados de inimigos, mas que a esquadra aliada da França, que se encontra em guerra contra Inglaterra, se declarou neutra no momento mais decisivo perante a esquadra inimiga e no momento do desembarque substancial de tropas inglesas, e que o seu comportamento foi para mim mais prejudicial do que se ela estivesse contra mim”. A ira do general Junot é tão grande que começa a referir-se a Seniavin, na mesma carta, na terceira pessoa: “Se o senhor almirante Seniavin se encontra realmente em estado de guerra com os ingleses, como pode ele pensar um só momento que a sua armada não cairá nas mãos deles caso tomem Lisboa? Se o senhor almirante Seniavin tem algum acordo com o almirante inglês, se ele recebeu de alguma forte garantias para a sua armada, será que a honra lhe permitirá abandonar o aliado sem aviso?”. O almirante russo respondeu à missiva no mesmo dia, reafirmando a sua obediência a Napoleão e negando qualquer acordo com os ingleses. Porém, continua a considerar que é inútil fazer desembarcar os seus homens não só porque são menos de mil, mas também porque os russos não compreendem português!"

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Dmitri Seniavin e a esquadra Russa doTejo. Parte 2



"As relações entre Seniavin e Junot tornavam-se cada vez mais tensas, pois os franceses necessitavam de mostrar à Europa a solidez da aliança russo-francesa. Tanto mais num momento em que a guerra popular contra Napoleão em Espanha tomava formas cada vez mais abertas e a Áustria se armava. A entrada em acção da armada russa ancorada em Lisboa contra os ingleses seria um sinal para todos aqueles que consideravam a aliança russo-francesa uma utopia. Mas o comandante russo não estava disposto a sacrificar a vida dos seus homens e os seus navios em nome da defesa dos interesses franceses em Portugal e, por isso, recorre a um subterfúgio para tentar adiar ou mesmo evitar totalmente o cumprimento das ordens de Napoleão: alega falta de armamentos e homens. Tendo recebido um relatório enviado por Dmitri Seniavin, datado de 21 de Abril de 1808, Napoleão dá-lhe algumas ordens: estar pronto para sair para o mar a qualquer momento e, para isso, “manter a tripulação em estado de alerta”. E vendo que o navio “São Rafael” não se encontrava devidamente equipado, o Imperador francês ordenou ao almirante russo que contactasse Junot para que este recrutasse marinheiros suecos e outros que se encontravam em Lisboa. Além disso, se faltassem munições, pólvora ou quaisquer outros materiais, deveria conseguir tudo isso em Lisboa. Mas o oficial russo consegue, sob os mais variados pretextos, manter a neutralidade, explicando a sua posição numa missiva enviada ao czarAlexandre I: “Uns dias antes de me encontrar com o duque [Junot], recebi informação segura de que a Espanha se fez inimiga clara da França e as armas espanholas tinham vencido em várias ocasiões, ao mesmo tempo que as províncias setentrionais de Portugal começaram a fugir do poder dos franceses... e a mais insistente exigência do duque para o reforçar com soldados convenceu-me da situação fraca das tropas francesas em Portugal. Eu, encontrando-me em situação tão difícil, considerei: se tomar o lado dos franceses e assim me ver claramente envolvido em medidas hostis contra os portugueses, ingleses e espanhóis, ficarei sem qualquer meio para salvar a esquadra de Vossa Alteza Imperial do poder desses povos unidos...” Junot passa dos pedidos pessoais para as exigências formais a fim de obrigar Seniavin a cumprir as ordens vindas de Paris e São Petersburgo. A 3 de Julho de 1808, o general francês escreve ao oficial russo: “Senhor almirante, nas difíceis circunstâncias em que me encontro e que advêm nomeadamente da necessidade de defender a esquadra de Sua Alteza, o Imperador Russo, eu penso que o nosso dever comum, bem como o interesse dos nossos senhores, consiste em chegar a um acordo sobre os meios possíveis de ajuda mútua”. O objectivo era conseguir fazer com que Seniavin desembarcasse com as suas tropas na margem esquerda do Tejo para defendê-la dos ingleses: “o efeito colossal dessa medida seria incalculável”.

Campanha de 1808.


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Dmitri Seniavin e a esquadra Russa doTejo. Parte 1

Quadro de Aleksey Bogolyubov (1824-96). Frota Russa a pós a Batalha de Athos.19 Junho de 1807.


Transcrevo este excelente texto que se encontra no Blog “ Da Rússia” de Jose Milhazes, que pode ser visto [aqui ].
Trata-se de um texto excelente a não perder, pelo que aqui vai .

Post 1


O almirante russo amigo dos portugueses

Em 2007 e 2008, celebram-se os 200 anos da luta dos portugueses contra as tropas napoleónicas que invadiram Portugal. Ao escrever a minha tese de doutoramento, deparei com a história do almirante russo Dmitri Seniavin e a sua aventura no porto de Lisboa durante as invasões francesas. Publico aqui, por capítulos, este facto curioso para dar a conhecer aos meus leitores o nome e a obra de um dos maiores almirantes russos.

"Em 3 de Novembro de 1807, a esquadra do almirante russo Dmitri Seniavin entrou na foz do Tejo para fugir a uma forte tempestade no mar, mas ficou aí retida durante quase um ano devido à tempestuosa situação internacional.
A 7 de Julho desse ano, a Rússia e a França de Napoleão tinham assinado um Tratado de Paz e Amizade em Tilzit e a Corte de São Petersburgo rompera as relações diplomáticas com Londres. A 17 de Novembro, depois da fuga da família real portuguesa para o Brasil e da ocupação do país pelas tropas francesas, a armada inglesa fechou a barra do Tejo não só aos navios franceses, mas também aos dos aliados de Paris.
O almirante Seniavin viu-se numa situação muito complicada. Por um lado, não podia deixar de cumprir as ordens do czar Alexandre I, mas, por outro lado, as suas simpatias estavam do lado dos ingleses e portugueses.
O almirante Seniavin, porém,conseguiu cumprir essa difícil tarefa. Ele compreendeu rapidamente que o general Junot, que havia ocupado Portugal, iria tentar de todas as formas cumprir a vontade de Napoleão, ou seja, provocar a guerra entre a Rússia e Inglaterra pelas mãos do comandante da esquadra russa.
Mas o facto é que, não obstante o corte de relações com Londres, o czar Alexandre não pretendia na realidade entrar em conflito aberto com os ingleses.
Dmitri Seniavin escreveu ao seu comandante supremo depois do primeiro encontro com Junot: “Consegui compreender de algumas palavras por ele ditas que o governo francês não quer perder a oportunidade que lhe dá a permanência da esquadra de Vossa Alteza aqui, para aumentar as dúvidas do governo inglês sobre as intenções de Vossa Majestade Imperial, e numerosos dos oficiais navais franceses que se encontram aqui dizem abertamente que serão nomeados para a esquadra que me foi confiada para o lugar dos oficiais de origem inglesa”.
Alexandre I tarda em enviar instruções, mas Seniavin continua a sua política de evitar o envolvimento dos seus barcos e homens no confronto anglo-francês, o que irrita fortemente o imperador gaulês.
Napoleão tenta fazer com que o almirante deixe de receber ordens de São Petersburgo e passe a cumprir ordens do conde Tolstoi, embaixador russo em Paris, que funcionaria como uma “correia de transmissão” sua.
“A esquadra do almirante Seniavin chegou a Lisboa – escrevia Napoleão a Alexandre a 7 de Dezembro de 1807 – Felizmente, as minhas tropas já se devem encontrar lá. Seria bom se Vossa Alteza incumbisse o conde Tolstoi de ter poder sobre essa esquadra e sobre as suas tropas, para que, em caso de necessidade, possam ser utilizadas sem esperar ordens directas de Petersburgo. Penso também que este poder directo do embaixador de Vossa Alteza teria boa influência no sentido em que poria fim à desconfiança que por vezes revelam os comandantes face aos sentimentos de França”.
A pressão sobre o almirante Seniavin aumenta através da instrução da Corte Russa, enviada no início de 1808, recebida por Andrei Dubatchevski, representante diplomático russo em Lisboa, e dirigida a todos os militares russos: “Em relação ao governo que irá existir em Portugal, é necessário que os vossos actos correspondam em tudo à disposição amiga actualmente existente entre a Rússia e a França”.
E, por fim, a 1 de Março do mesmo ano, Alexandre I envia uma ordem aos três comandantes de armadas russas que se encontravam no estrangeiro, entre as quais estava a comandada por Seniavin: “Reconhecendo como útil para o êxito da causa comum e para que seja feito o maior prejuízo ao inimigo colocar as nossas forças navais que se encontram fora da Rússia à disposição de Sua Alteza, o Imperador dos Franceses, ordeno-vos que, em conformidade com isso... o cumprimento indiscutivelmente mais preciso de todas as ordens que vos forem dadas por Sua Alteza, o Imperador Napoleão”.»
( Continua)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Há 200 anos. 2 e 3 de Setembro de 1808.

Encontrava-se no Tejo, desde 3 de Novembro de 1807, uma esquadra russa [ composta de 7 navios de linha e uma fragata ] proveniente do Mediterrâneo quando no dia 2 de Setembro de 1808 entram no Tejo os primeiros navios da esquadra britânica enviada a Portugal [ composta de 15 navios de linha e 10 fragatas ].

No dia seguinte, 3 de Setembro, os almirantes Charles Cotton, por parte da Inglaterra e Dmitri Seniavin por parte da Rússia assinam uma convenção separada da convenção de Sintra, na qual a Esquadra Russa é entregue à custódia das Forças Inglesas, devendo as tripulações serem enviadas para casa , com as despesas suportadas pela Inglaterra.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008