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sábado, 1 de agosto de 2009

1 de Agosto de 1808 - Wellesley a Castlereagh.

Em memorando, de 1 de Agosto de 1808 (num memorando de Wellesley ao ministro da guerra em Londres), Castlereagh, referia:
“Sou de opinião que a Inglaterra deve levantar, organizar e pagar um exército em Portugal. Compor-se-á de 30.000 homens de tropas portuguesas, que podem ser recrutadas em pouco tempo, e de 20.000 ingleses, 4.000 ou 5.000 dos quais serão de cavalaria. Este exército operará nas fronteiras de Portugal na Estremadura espanhola, e servirá de ligação entre a Galiza e Andaluzia. Por este meio a Grã-Bretanha terá o primeiro lugar na direcção da guerra da península, e qualquer que seja o resultado dos esforços dos espanhóis, ela salvará Portugal das garras dos franceses. Vós sabeis melhor do que eu se podeis ou não suportar esta despesa, ou em que proporção o governo português a quererá ou poderá suportar pela sua parte. Adoptando vós este projecto, tudo deve vir de Inglaterra, armas, munições, vestuário, equipamento, artilharia, farinha, aveia, etc. Estes artigos deverão ser remetidos à fronteira, em parte pela navegação do Douro e do Tejo, e em parte por outras vias”[1].

Voltará a expor as mesmas ideias num outro memorando datado de 7 de Março de 1809:
“Sempre fui de parecer que, qualquer que fosse o resultado da guerra da Espanha, era preciso defender Portugal, e que as medidas tomadas para defesa deste reino seriam também de uma grande utilidade para os espanhóis na sua guerra contra os franceses. Quanto a mim, o Estado militar de Portugal deve ser levado, como noutro tempo, a 4. 0.000 homem de milícias e 30.000 de tropas regulares, e além destas forças, sua majestade britânica deve ter em Portugal 20.000 ingleses, compreendendo neste número 4.000 homens de cavalaria, pouco mais ou menos. Penso que mesmo no caso de que a Espanha seja conquistada, os franceses não poderão submeter Portugal com menos de 100.000 homens; e que durante o tempo por que a guerra durar em Espanha, as forças portuguesas, a poderem-se pôr em actividade, serão muito úteis aos espanhóis, e poderão talvez decidir a questão;
Entretanto é evidente que o Estado militar de Portugal não poderá ser reorganizado sem um amplo socorro de dinheiro, e um apoio político por parte da Inglaterra. A única maneira que me parece segura e mesmo praticável de prestar este socorro e apoio, ou de intervir nos negocias de Portugal, debaixo da relação militar, é o encarregar o embaixador de el-rei em Lisboa de dar, ou de reter as somas que julgar necessárias para ajudar os estabelecimentos militares somente, e de lhe recomendar que vigie que as rendas de toda a natureza de Portugal sejam empregadas primeiro que tudo neste objecto. Munido destes poderes e destas instruções, o embaixador poderá certamente sindicar todas as medidas do governo português, e poderemos então esperar ter em campanha um exército português em Estado regular. Mas como nesta época não tem sido possível seguir este sistema, tendo-se a atenção do governo dirigido para outros objectos, é provável que o Estado militar de Portugal tenha feito poucos progressos. Se se considera o número de tropas inglesas que exige a defesa deste país e as outras medidas a tomar, é necessária atender por um lado ao pequeno número de tropas portuguesas e à probabilidade de um ataque próximo por parte do inimigo, e por outro à continuação da guerra em Espanha, e à probabilidade de que os franceses poderão dispor de forças numerosas antes de pouco para atacarem Portugal. Recomendarei também a adopção das medidas políticas de que mais acima falei, para levantar o Estado militar de Portugal. É provável que a despesa para este objecto não exceda neste ano a um milhão esterlinos; mas se aproveitar e a guerra continuar em Espanha e em Portugal, a vantagem que se tirar do aumento do Estado militar compensará para mais as despesas que se tiverem feito.
O exército inglês em Portugal, segundo este plano, não poderá ser menor de 30.000 homens, dos quase 4.000 a 5.000 de cavalaria, com mais um numeroso corpo de artilharia. Precisa-se de tanta cavalaria e artilharia, como digo, porque o Estado militar de Portugal carece justamente destas duas armas. A cavalaria inglesa, a alemã e a artilharia deverão servir com a infantaria portuguesa. Todo o exército de Portugal, inglês e português, será comandado por oficiais ingleses. O Estado-maior do exército, o comissariado sobretudo, serão compostos de ingleses. A importância destas administrações será proporcionada à força do exército que deverá obrar em Portugal, ao número dos postos destacados que será necessário ocupar, e às dificuldades que se poderão encontrar em achar e distribuir os víveres no país. Quanto às medidas secundárias, recomendo reforçar-se o mais breve possível o exército inglês em Portugal com algumas companhias de carabineiros ingleses, ou alemães; completar a artilharia deste exército até ao computo de 30 peças, sendo duas brigadas de 9; ter todas estas munidas de boas bestas; enviar para Portugal 20 peças de bronze de 12 sobre trens de viagem, para ocupar certas posições no país; e juntar ao exército um corpo ele engenheiros como para 60.000 homens, e um corpo de artilheiros para 60 peças de artilharia.
«Bem sei que o exército inglês actualmente em Portugal é de 20.000 homens, compreendida a cavalaria. Completar-se-ão o mais breve possível 20.000 homens de infantaria, reunindo-se-lhes os carabineiros e outra boa infantaria, bem descansada já da guerra da Espanha. Os reforços seguirão à medida que as tropas forem repousando das suas fadigas. A primeira coisa a fazei é completar o exército de Portugal em cavalaria e artilharia, servindo as peças com boas bestas, como deve ser. Imediatamente partirão logo o general e oficiais de Estado-maior, porque pode contar-se que apenas os jornais anunciarem a partida dos oficiais para Portugal, os exércitos franceses em Espanha receberão ordem ele marchar para este reino, com as vistas de chegarem antes que possamos organizar a sua defesa. É-nos preciso pois ter tudo sobre o terreno, ou pelo menos antes de haver algum despertamento em Inglaterra, quanto aos nossos projectos. Alem dos artigos acima enumerados, é preciso enviar quanto antes para Lisboa 30.000 armas, fardamentos e sapatos para o exército português»
[2].

[1] Simão José da Luz Soriano, ibidem, vol 2, 2 época, p.97.
[2] Simão José da Luz Soriano, ibidem, vol 2, 2 época, p.94 e Sir Arthur Wellesley, “Memorandum on the Defense of Portugal, 7 March 1809”, Wellington’s Dispatches…, vol. IV, London, 1837, pp.261-263.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Há 200 anos. Março de 1809.

Março, 3 - Madison é empossado como Presidente dos Estados Unidos da América, substituindo Jefferson.
Estancia em Bragança o General Bernardim Freire de Andrade após visitar alguns postos militares avançados.

Março, 6 – Combate da Ponte de Vilaça, com participação do RI 21 e 24.
Em Gironda (Espanha) dá-se um combate contra os franceses com participação do RI 24.

Março, 7 - O general Wellesley, futuro duque de Wellington, aconselhou o governo britânico a defender Portugal, demonstrando a maneira de o realizar.

Março, 8 - O general britânico Beresford é nomeado comandante em chefe do Exército português com o posto de Marechal do Exército.

Março, 10 - O corpo de exército de Soult, tendo subido o rio Minho desde a foz até Orense e dirigindo-se depois para a fronteira portuguesa, entra em Portugal pela veiga de Chaves. Começa assim a 2.ª Invasão Francesa.
A cidade de Chaves é sitiada pelas tropas Soult. A defesa de Chaves é efectuada pelo RI 12 e 24 e RArt 4, em conjunto com a Milícia e populares. Assume o Comando da defesa o Cor Pissaro

Março, 11 – Combate de Silveira (Chaves) com participação militar portuguesa. RArt 4.
Chaves capitula às forças do general Soult, que ali estabelece o seu quartel­-general.

Março, 12 - Tropas inglesas iniciam o desembarque em Lisboa.
Soult dirige-se para o Porto, por Braga.

Março, 14 - Nomeação de Diogo Inácio de Pina Manique chanceler-mor do Reino.

Março, 15 - O marechal Beresford assume o comando do exército português.
Salamonde da Cabreira é ocupada pela guarda avançada francesa, comandada pelo general Franceschi, após a derrota das forças portuguesas.

Março, 16 - Combate de Salto [Espanha] com participação de portugueses.

Março, 17 - O general Bernardim Freire de Andrade foi massacrado perto de Braga, por populares que o acusavam de traição. A actuação do Barão Eben é questionada e ficará marcada para sempre como uma das grandes dúvidas da Guerra Peninsular.
Combate da Ponte de Nossa Senhora do Porto com a participação de soldados portugueses da Leal Legião Portuguesa.
O corpo de exército de Soult vence as forças portuguesas que defendiam Braga em Carvalho d'Este. Combate com a participação de tropas portuguesas da mesma unidade e RArt 4.

Março, 18 a 20 - Combate de Povoa de Lanhoso, com participação ddo RI 9 e dois batalhões da LLL.
Decreto impondo rigorosas penas aos populares que pegassem em armas a favor dos franceses.
Tropas francesas vandalizam o Bom Jesus de Braga.
A Regência publica alguns decretos tendentes a consciencializar as populações da necessidade de se unirem contra o invasor.
Entrada dos franceses na cidade de Braga.
Tumultos em Braga contra os ocupantes franceses.

Março, 21 - O brigadeiro Silveira, comandante da divisão que defendia Trás-os-Montes, reocupou Chaves com o RI 12 e 24 e RArt 4.
Tumultos populares na cidade do Porto durante os quais se arrombaram as cadeias.
Reocupação de Chaves (Sitio Forte de S. Francisco) por tropas portuguesas do general Silveira Pinto da Fonseca.
Combate de Santi Espiritus (Espanha), com participação de portugueses da LLL.

Março, 22 - Chega ao Tejo uma fragata inglesa trazendo Sir Arthur Wellesley.

Março, 23 - Napoleão Bonaparte recusa receber o embaixador austríaco em Paris, Metternich, provocando a ruptura entre os dois países.

Março, 25 - O brigadeiro Silveira conquistou o forte de S. Francisco, de Chaves, aprisionando a guarnição francesa.
Combate da Barca de Trofa, com participação do RArt 4.
De Braga o general Soult decide reiniciar a marcha das suas tropas sobre o Porto.

Março, 27 - Proclamação do arquiduque Carlos, comandante do exército austríaco e irmão do imperador, convidando os alemães à insurreição contra a França de Napoleão Bonaparte.
Resistência estóica dos moradores de Santo Tirso às investidas francesas.
Combate de Ciudad Rodrigo (Espanha), com participação de militares portugueses da LLL.

Março, 27 a 29 - O Porto é atacado, conquistado e saqueado, pelo exército francês de Soult. A defesa do Porto foi efectuada pelos RI 6, 9, 18, 21, Cav 12 e militares da LLL.

Março, 28 - Batalhas de Medellin e de Ciudad Real: os corpo de exército comandados pelo marechal Victor e pelo general Sebastiani derrotam os exército espanhóis da Extremadura, comandado pelo general Cuesta, e do Centro comandado pelo general Cartaojal.

Março, 29 - Resultante do feroz ataque francês ao Porto , com a fuga de muitos populares, dá-se a tragédia da ponte das Barcas com perca de muitas vidas.

Março, 31 - Uma brigada de cavalaria do exército de Soult, comandada pelo general Caulaincourt, ocupa Penafiel, dirigindo-se para a ponte de Canaveses que tenta atravessar, sendo rechaçado por forças militares portuguesas.