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terça-feira, 23 de setembro de 2008

As mostras.

Ao longo dos posts sobre o Decreto do Conde Lippe foram referidas varias vezes as " mostras".
Sobre o assunto, irá dedicar Jorge Penim de Freitas , autor do blog Guerra da Restauração uns posts, deixando aqui o link da primeira parte.
Sobre as mostras, lembro-me da Ordem do Dia de 29 de Setembro 1809 que refere" o “Senhor Marechal faz saber, que ele costuma contar as filas” , isto porque, Beresford desconfiava que os comandos apresentavam nos exercicios mapas das forças que não correspondiam aos homens efectivamente integrados nas respectivas filas.

domingo, 21 de setembro de 2008

Conde Lippe, o Sargento-Mor e o Fidalgo. II

Recebi um comentário de Jorge Penim de Freitas , autor do Blog Guerra da Restauração, o qual coloco com a sua autorização.
"A propósito do post sobre o célebre decreto do Conde de Lippe, não estou certo de que o decreto se referisse ao sargento-mor. Os sargentos podiam eventualmente responder pelas companhias nas mostras, caso os oficiais das mesmas estivessem ausentes - seria uma situação de recurso, mas que aconteceu com alguma frequência durante a Guerra da Restauração, inclusive na cavalaria, onde os furriéis chegavam a responder pelas companhias. Mas "responder" não significava "comandar", era apenas uma situação relacionada com a administração da unidade, que envolvia ler e assinar as listas de pagamento e redigir as de soldados e material de guerra antes das mostras. Já no século XVII, o sargento e o furriel deviam saber ler e escrever. É uma dúvida que fica."
Fica pois a dúvida.
Na verdade , só uma troca de ideias dos amantes das várias épocas para compreender a evolução do exército português.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Conde Lippe, o Sargento-Mor e o Fidalgo.


Eu ,Guilherme por Graça de Deus, , conde reinante de Schaumburg, Conde e nobre, senhor da Lipe e Thranberg, Marechal General das Tropas de Sua Majestade Fidelíssima, Cavaleiro da Ordem da Águia Negra, etc.
Para evitar duvidas que se possam oferecer sobre esta matéria, estabeleço o seguinte: Que de ora em diante, todo o Sargento que nas mostras responda pela companhia e que pela natureza do seu encargo deve saber ler e escrever correctamente porque o Oficial Comandante da mesma pode não o saber, por ser Fidalgo.
Dado em Salvaterra de Magos
16 de Fevereiro de 1764

Ao contrario do que muitos autores , obras e textos referem, o Sargento[Sargento-Mor] referido no texto, não é o actual sargento [escalão de Sargentos] , mas sim um oficial superior [actual Major] encarregue do comando de uma companhia.
Em 1763, com a reforma do conde de Lippe, os regimentos serão organizados em 7 companhias (unidades administrativas). A reforma implicou o regresso ao conceito de que cada regimento era um batalhão do ponto de vista táctico. Para além do coronel e do tenente-coronel, o Major («sargento-mór») tinha também a administração de uma companhia.
Este modelo de organização , na qual se prevê que uma companhia possa ser comandada por um Major, termina em 1777, data em que os regimentos de infantaria tiveram um aumento de 3 companhias, passando a ter um total de 10, e na qual os majores [Sargentos-Mor] deixam de comandar companhias.
Assim se o texto fosse lido na actualidade, onde se lê Sargento ( Sargento-Mor) , deverá ler-se Major. Em tempo algum, no exercito Português , um Sargento teve organicamente o comando de uma companhia.

Tal como refere Manuel Amaral, “É por isso que, se a função militar era considerada geralmente nobre, de acordo com a legislação, só quem chegava ao posto de major efectivo adquiria verdadeiramente a qualidade de fidalgo, como se pode ler, entre outras, na lei de criação dos cadetes : «Tendo os mesmos pretendentes o foro de Moço Fidalgo da Minha Casa, e daí para cima; ou sendo filhos de Oficiais Militares, que tenham, ou tivessem tido pelo menos a Patente de Sargento-Mór pago [Major efectivo].»”

Este apontamento não retira a confirmação, de que muitos nobres eram analfabetos, e alguns encontravam-se a comandar unidades militares.
Sobre o posto de Sargento-Mor ver o execlente Blog " Guerra da Restauração" de Jorge Penin de Freitas. Vere ainda o post deste blog " O Sargento-Mor " AQUI.