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sábado, 13 de dezembro de 2014

Complementarmente aos quadros acima transcritos, foi publicada esta relação das peças de artilharia das companhias existentes no Algarve em Agosto de 1803

Equipamento  e  Quantidade

Peças de bronze de calibre 3 montadas -6
Peças de bronze de calibre 6 montadas -12
Peças de bronze de calibre 9 montadas -8
Peças de bronze de calibre 9 desmontadas -7
Peças de bronze de calibre 12 desmontadas -3
Carros de manchego para peças de calibre 6 -12
Carros de manchego para peças de calibre 9 -7

Lagos

Peças de bronze de calibre 6 montadas -4
Peças de bronze de calibre 9 desmontadas -3
Obuses de 6 polegadas montados -2

Parque do Regimento de Artilharia

Peças de bronze de calibre 1 montadas -8
Peças de bronze de calibre 6 montadas -8
Obuz de 8 polegadas montado -1
Obuz de 5,07 polegadas montado -1
Obuz de 5,50 polegadas montado -1
Obuz de 5,04 polegadas montado -1
Carros de manchego -13

Resumo

Peças -59
Obuzes -6
Carros de manchego -32


Fonte [TNA WO 72/79 85.] Citado na tese de Sérgio Veludo Coelho,"Os Arsenais Reais de Lisboa e do Porto 1800-1814" 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Relação das bocas de fogo e munições que existem Praça de Lagos, e Fortes adjacentes em 1802



Praça de Lagos, e Fortes adjacentes ( 1802)

4 peças de artilharia de bronze de calibre 6 com os seus pertences prontos
2 obuzes de 6 polegadas
386 arrobas de pólvora
1093 cartuchinhos de espingarda como também algumas lanternetas pertencentes às ditas
bocas de fogo

Na bataria da Barra

2 peças de artilharia de bronze calibre 12 com toda a palamenta precisa em bom estado
Na fortaleza da meia Praia
5 peças de artilharia de bronze
24 peças com reparos em bom estado
7 arrobas e 12 arráteis de pólvora

Na bataria do pinhão

4 peças de artilharia de ferro de calibre 24
1 dita de bronze de calibre 12 todas com a palamenta precisa em bom estado
6 arrobas e 8 arráteis de pólvora em barris e alguma em cartuchos

Na bataria da Fortaleza da cidade

2 peças de artilharia de bronze de calibre 18 e 12 com a sua palamenta em bom estado
8 arrobas e 18,50 arráteis de pólvora

Na bataria de Porto de Moz

2 peças de artilharia de bronze de calibre 12 com a sua palamenta em bom estado
No forte de Nossa Senhora Da Luz
2 peças de artilharia de bronze de calibre 12 e 1 peça de ferro de calibre 9 com a palamenta
em bom estado
5 arrobas e 1 arrátel de pólvora, alguma encartuchada

No forte do Borgom [ Burgau]

2 peças de artilharia de calibre 10 e 12 de bronze, com a sua palamenta e reparos em bom
estado
6 arrobas e 25 arráteis de pólvora

No forte de Almadana [Almadena]

2 peças de artilharia de bronze de calibre 12
1 dita de ferro de calibre 6 com a palamenta pronta
8 arrobas e 10 arráteis de pólvora

No forte da Figueira

2 peças de artilharia de bronze de calibre 12 e com palamenta em bom estado, à excepção de
um reparo que precisa conserto
6 arrobas e 19 arráteis de pólvora

No forte de Zavia [ Zavial]

3 peças de artilharia de bronze de vários calibres com palamenta em bom estado
7 arrobas de pólvora

Fonte [ TNA WO 72/79 63-62] Citado na tese de Sérgio Veludo Coelho,"Os Arsenais Reais de Lisboa e do Porto 1800-1814" 
Coloquei a vermelho o nome atual onde se encontravam as batarias



quinta-feira, 18 de junho de 2009

Forte da Meia Praia

Aqui fica mais um texto retirado do Correio de Lagos sobre o Forte da Meia-Praia.

"Percurso histórico do Forte da Meia Praia
O forte da Meia Praia deverá ter sido construído entre os anos de 1671 a 1675.Em 1755, os fortes abalos sísmicos arrasaram uma quarta parte da sua extensão ficando rodeado por um areal.
Só depois de quarenta anos passados, a 15 de Setembro de 1796, após os terramotos, foram empreendidas obras de restauro, chegando ao ano de 1821 em bom estado de conservação.Foi abandonado como fortificação, sendo integrado na Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, sem atribuição de valor patrimonial, até 1873. Nesta data, foi cedido à Câmara Municipal de Lagos e esta, por sua vez, cedeu-o à Alfândega de Lagos para ali estabelecer um posto fiscal.O relato histórico atrás referido consta do livro de Carlos Pereira Calisto “História das Fortificações Marítimas da Praça de Guerra de Lagos”, editado pela Câmara Municipal em 1922.A narração que segue tem por fim prosseguir a divulgação do aproveitamento que teve aquele forte, desde 1873 até 25 de Janeiro de 2000, ano em que voltou a ficar abandonado.Assim, tudo indica que desde o ano de 1821 o forte se manteve bem conservado até à cedência à Câmara Municipal em 1873.De referir que ao forte da Meia Praia, durante aquele período de tempo, algo deve ter acontecido que lhe provocou a queda de parte da muralha no canto Sul/Oeste e ainda uma racha a meio da muralha do lado Oeste e outra racha na frente norte e na abóbada do armazém sob o terrapleno do mesmo lado, alterações estas que até a data do abandono, em 2000, ainda se mantinham.Em 1873, a Alfândega ao receber o forte estabeleceu ali um posto fiscal ao lado esquerdo da entrada do mesmo, no terrapleno por cima da casa de habitação do guarda da Alfândega, com 4 divisões: um corredor, dois quartos e uma camarata, ficando o armazém a servir de cozinha, foi guarnecido pela polícia fiscal civil dessa época.Desde esta data (1873), o forte nunca mais esteve abandonado, embora não tenha sofrido qualquer reparação para melhorar a sua apresentação.Em 1922, ficou concluída a linha dos caminhos-de-ferro “Ramal Lagos” que ocupou parte do areal na frente norte do forte.Para permitir o acesso à praia e ao forte, foi ali construída uma passagem de nível, uma casa para o guarda da passagem de nível e um apeadeiro. (Actualmente só existe o apeadeiro e a passagem de nível).Em 1944, foi o posto fiscal entregue à Guarda-Fiscal por cedência da Fazenda Publica, com o valor patrimonial de 5.500$00 (€27,50) inscrito na respectiva matriz.Foi guarnecido com (1) um 2º Cabo e quatro (4 soldados), ficando subordinados à Secção da Guarda-Fiscal de Lagos.O posto fiscal foi sofrendo várias reparações para se manter em condições de funcionamento e conforto para o pessoal que ali prestava serviço.Não tinha luz eléctrica, nem água canalizada, nem telefone. Dispunha de um poço com água potável, existente no recinto interior do forte, que ainda se mantém.Em 1962 sofreu uma reparação mais profunda. Foi colocado um telhado novo; as paredes interiores e exteriores foram rebocadas e caiadas; foi instalado um telefone, luz eléctrica e uma pequena casa de banho em cima da muralha junto à camarata; no poço foi colocada uma bomba manual com volante para tirar a água e elevá-la para um pequeno depósito de fibrocimento colocado em cima da casa de banho; foi construída uma fossa céptica no areal no lado oeste do forte para receber os esgotos da casa de banho que seguiam por um cano instalado na parte superior da muralha e mergulhava na racha existente na abóbada do armazém e saía pela racha da muralha do lado oeste. Do lado sul, foi colocada uma porta de madeira e uma fechadura e o espaço deixado pela queda da muralha foi vedado com fiadas de arame farpado para impedir a entrada de animais e pessoas estranhas.Um pouco mais tarde, foram colocados blocos de cimentos no areal para servirem de passadeira no acesso ao forte. Algum tempo depois, um empreiteiro de obras de construção civil foi despejando carradas de entulho desde o caminho-de-ferro até à parede do forte construindo assim um largo espaço para estacionamento de viaturas que ainda se encontra em bom estado de conservação.Com o tempo, a bomba manual com volante para tirar a água do poço avariou e foi substituída por uma bomba eléctrica. Mais tarde, foi instalada água canalizada da rede pública de abastecimento, por meio de um cano, saindo de próximo do apeadeiro até ao forte, entrando neste pelo canto da muralha do lado esquerdo da porta de entrada.Em 1982 o posto fiscal foi desguarnecido. Contudo não ficou abandonado. O posto fiscal foi adaptado a funcionar como casa de veraneio dos S.S.G.F. até 2/12/85, ano em que voltou a ser guarnecido.Finalmente, em 25/1/2000 foi posto fiscal desactivado e devolvido à Fazenda Pública com auto de entrega na Repartição de Finanças de Lagos.Durante o tempo em que o posto fiscal esteve ocupado, o forte não recebeu do Estado qualquer importância para a sua manutenção.Deixo aqui duas quadras em despedida do Posto Fiscal e do Forte:
O Forte da Meia PraiaQuando lá passardes olhai e vedesSó lá verão as paredesÀ espera que tudo caia
Terá um mais feliz finalCaindo devagarinhoLeva consigo o posto fiscalPara não cair sozinho
Posteriormente, ao abandono do posto fiscal e, por tabela, do forte, por curiosidade fui dar-lhe uma olhadela.Fiquei desolado. Não havia portas nem janelas; tudo vandalizado; tacos e azulejos arrancados e lixo por todo o lado.Num local aprazível, sossegado, donde se pode mirar toda a baía de Lagos, desde a ponta de João de Aréns até à ponta da Piedade merecia melhor sorte.Prevendo-se para breve um grande desenvolvimento turístico para a zona da Meia Praia, poderia aparecer alguém que se interessasse em manter aquela forte assim como a casa que serviu de posto fiscal em boas condições de funcionamento, para não ficar ali um ponto negro no areal da praia que é uma das melhores do nosso país senão da Europa ou do Mundo.Se o forte se manteve sem grande desfiguração durante quase dois séculos e o Estado não tenha gasto ali qualquer verba na sua manutenção, talvez, agora, se pudesse dar-lhe atenção, corrigindo alguns pontos, como erguer a parte da muralha caída, cujos restos deverão estar ali enterrados na areia; completar o terrapleno; tapar as rachas da muralha e da abóbada do armazém; colocar uma porta na entrada do forte; caiar as paredes exteriores e interiores da casa do ex-posto fiscal e torná-la habitável; ligar os esgotos à rede pública.Com um bom acesso de que já dispõe, ficaria ali um ponto turístico a visitar como miradouro ou outras actividades que possam vir a ser implantadas.Se for agora reparado, possivelmente durará ainda mais um século ou dois sem pedir nada à Fazenda Pública para a sua manutenção.J.V.G."

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Canhonheiras executadas na Praça de Campo Maior

FONSECA, José Maria Ferreira da, fl. 1790Reprezentação das canhonheiras executadas na Praça de Campo Maior [Visual gráfico / desenhada [por] José Maria Ferreira da Fonseca, [179-?]. - 1 desenho : tinta-da-china e aguadas, color. ; 30x49 cm http://purl.pt/1244. - Data provável atribuída segundo a filigranaCDU 725.18(469.511)"179"(084.11)

Biblioteca Nacional

domingo, 28 de setembro de 2008

Planta da Praça de Campo Maior..., 1797


XAVIER, Inácio Caetano, fl. 1797Planta da Praça de Campo Maior... [Visual gráfico / Caetano Paulo Xavier debaixo das direcções [de] Mathias Joze Dias Azedo, 1797. - 1 desenho : tinta-da-china, vermelha e aguadas ; 34x47 cm http://purl.pt/1245CDU 725.18(469.511)"1797"(084.11)


Biblioteca Nacional

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Forte de São Roque de Lagos ou Forte da Meia Praia.

Foto Francisco Castelo.

1º texto- Blog de Francisco Castelo, do qual retiramos a foto.

O único património histórico-arquitectónico existente na Meia Praia, e ainda não classificado, é o Forte de S. José, e não de S. Roque, como erradamente é dito. Tal equipamento militar foi mandado construir por D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontével, nos anos de 1674 e 1675 quando, pela segunda vez, foi Governador do reino do Algarve. A sua acção em Lagos foi de grande mérito, por ter construído a casa da Câmara e na povoação da Luz uma muralha que cercava a Igreja de N.S. da Luz e o espaço adjacente que serviu de cemitério. A acção estratégica do Forte constituía a defesa do leste da baía de Lagos. Esteve artilhado, primeiramente, com uma peça de bronze e duas de ferro prontas a servir e uma de ferro, incapaz. O terramoto e consequente maremoto de 1 de Novembro de 1755, ocorrido no dia de Todos os Santos, destruiu um quarto do Forte, espalhando pedaços pelo areal. Em 1796 foram realizadas obras, e em 1821 esteve artilhado com três peças de ferro, tendo sido desartilhado em 1840. Obsoleto para fins militares foi, em 11 de Julho de 1873, cedido à Câmara Municipal de Lagos e depois entregue por esta autarquia à Alfandega de Lagos, para ali instalar um posto fiscal, tendo posteriormente servido como posto da Guarda Fiscal (in Fortificações da Praça de Lagos – Carlos Calixto - edição CMLagos).O terramoto e o maremoto foram violentíssimos. Numa descrição coeva refere-se que o mar recuou e que se viram rochas na baía que nunca ninguém vira antes, nem se sonhara, e que depois uma onda que tudo fazia tremer entrou terra dentro levando tudo de vencida (tendo avariado gravemente o Forte que depois disso conheceu apenas parcas reparações para garantir a sua modesta utilização). A dita onda atravessou todo o sistema dunar e chegou até às fazendas. Outro aspecto curioso refere-se ao facto de em tempos ter existido, no Forte, um poço cuja água era muito procurada devido à sua excelente qualidade mas que mais tarde se tornou inquinada devido à construção de uma retrete nas suas proximidades.Outro património interessante é a conhecida Quinta das Beatas que se julga ter sido, como o nome sugere, um retiro de religiosas, com história ainda por fazer.Anos após o terrível maremoto o areal da Meia Praia recuperou e o sistema dunar ganhou grande beleza ao longo desse trajecto ao serviço da faina marisqueira do rio de Alvor, tal como está referenciado em mapa de artilharia de 1791.


2º Texto- Fonte : IPPAR

Em pleno areal da Meia Praia, numa zona central da Baía de Lagos, e em monte dominante sobre toda a orla costeira, o pequeno forte de São Roque - ou da Meia Praia, pelo local onde se encontra implantado - foi uma das fortificações complementares de defesa da costa algarvia, ao longo da Idade Moderna. A sua construção remonta, muito provavelmente, à segunda metade do século XVII, integrada no amplo processo de defesa da costa meridional do reino, que levou à edificação de numerosos fortes ao longo de toda a linha marítima do Algarve, de Castro Marim à ponta de Sagres. A sua vocação defensiva, a meio da baía, justificava-se pela relativa proximidade da ribeira de Odiáxere e, mais importante, pela proximidade em relação à cidade de Lagos, desempenhando, assim, uma função de clara complementariedade em relação ao forte dispositivo militar da urbe.Em termos estruturais, este forte apresenta uma solução tremendamente simples: planta quadrangular, de três arestas regulares e uma - a virada a ponte - irregular, precisamente aquela onde se abre o portal principal de acesso à fortaleza, rasgado axialmente no alçado, e resguardado por dois torreões de secção trapezoidal. No interior, resta apenas uma dependência, de dois pisos, que ultrapassa, hoje, a altura das muralhas, fazendo crer que a organização interna, na origem, não teria esta disposição vertical tão acentuada. O plano aqui adoptado foi já aproximado ao da fortificação quadrangular da Ponta da Bandeira, em plena praia de Lagos, apenas diferindo numa maior simplicidade e modéstia com que se edificou o edifício da Meia Praia (COSTA, 1997, Dgemn, on-line).Infelizmente, o Forte de São Roque passou por uma história tão atribulada que são muito poucas as certezas que hoje possuimos acerca deste imóvel nos seus primeiros tempos. A própria data de construção não é certa, e as múltiplas transformações por que passou ao longo da sua existência, determinaram a adulteração completa da disposição original interna. Logo em 1755, aquando do grande terramoto, o forte sofreu pesados danos, desmoronando-se algumas paredes. O processo de reconstrução que se seguiu foi, ao que tudo indica, demasiado demorado e a fortificação nunca mais atingiu a importância que se crê ter estado na sua origem. Dez anos após o tremor de terra, uma notícia indica não existir ainda quartel e armazém para a pólvora no seu interior. Parece mesmo que a reconstrução definitiva do forte apenas teve lugar quarenta anos depois de 1755, nas vésperas do país ser invadido pelas tropas francesas.Fosse como fosse, o certo é que logo na terceira década do século XIX o forte estava destruído e abandonado. Uma relação de trabalhos elaborada nos anos quarenta de Oitocentos indica que os trabalhos de reconstrução a realizar seriam de grande vulto, neles se integrando a desobstrução de grande parte das muralhas, indicador de que era já estrutural o abandono da fortaleza. Pelo final do século, o espaço passou para a Alfândega de Faro, que aqui instalou um ponto de fiscalização da sua Guarda. Ao longo do século XX, as várias tentativas para se rentabilizar (e preservar convenientemente) o espaço debateram-se com a inércia das instituições. Uma proposta de adaptação a unidade turística, sugerida pela DGEMN, não foi concretizada e, no presente, o pequeno forte mantém uma guarnição da Guarda Fiscal no interior, ao mesmo tempo que as velhas muralhas, de boa construção militar, se vão degradando, apresentando já perigosos sinais de desagregação, junto a alguns cunhais.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Muralhas e torreões de Lagos.

Em 1253, aquando da conquista definitiva do Barlavento algarvio, o castelo de Lagos tinha já um passado islâmico, como ponto de defesa da costa e um dos acessos privilegiados à cidade-capital de Silves. Infelizmente, desse primitivo reduto islâmico, que se pensa poder recuar aos primeiros anos da época califal, quando toda a península islâmica foi sujeita por Abd al-Rahmman III, nenhum elemento material foi, até agora, identificado, e as muitas obras por que toda a cidade passou, nos séculos seguintes, determinaram a destruição deste castelo e o seu sucessivo melhoramento.As obras patrocinadas pelos nossos primeiros monarcas são também bastante desconhecidas. Sabemos que elas se iniciaram logo no reinado de D. Afonso III, mas notícias mais ou menos fidedignas dão conta da continuação do estaleiro pelos reinados de D. Afonso IV e de D. Fernando, pelo menos, esta última notícia relacionada, provavelmente, com uma campanha modernizadora, em plena crise europeia da Guerra dos Cem anos.No reinado de D. Manuel empreendeu-se o mais ambicioso projecto de arquitectura militar da praça, reconstruindo-se grande parte da cerca medieval e alargando-se o seu perímetro, para albergar os numerosos fogos que cresceram como arrabaldes do burgo. Da campanha então executada, constava uma segunda cerca de muralhas e, mais importante, quatro baluartes, situados nas zonas mais sensíveis da fortaleza, precisamente aquela virada ao mar e à ria. Desses fortes, apenas se conserva o da Porta da Vila, a Sudoeste das muralhas, tendo os restantes sido suprimidos pela expansão urbana em direcção à ribeira, restando apenas o seu topónimo em algumas ruas, como as da Barroca e da Porta de Portugal.
Em 1556 D. João III ordenou a conclusão das obras iniciadas por seu pai, mas conferiu especial atenção à muralha ocidental, por oposição ao projecto manuelino, orientado no sentido de fortificar as secções meridional e nascente. Esta alteração dotou a fortaleza de mais dez baluartes, tornando-a a primeira muralha plenamente abaluartada do território nacional .Da grandiosa fortificação então construída restam alguns interessantes baluartes, que revelam bem a qualidade da construção e a importância militar que detinham. O baluarte da Alcaria, o mais saliente do perímetro ocidental, é um poderoso recinto quadrangular elevado, ligado às muralhas por uma rampa, e protegido por dois grandes orelhões. Os baluartes da Porta dos Quartos e de São Francisco, que fecham a muralha pelo lado poente, mantêm ainda os parapeitos concebidos para as máquinas de artilharia.Apesar deste dispositivo militar, a cidade de Lagos não conseguiu resistir ao ataque de Francis Drake, em 1587, no âmbito da guerra entre Espanha e Inglaterra. Perante este facto, Filipe I ordenou a reconstrução e modernização da praça militar, campanha que decorreu nos anos seguintes, com algumas interrupções e até um relativo arrastamento das obras. Durante o domínio espanhol, a cidade de Lagos foi objecto de uma especial atenção. Em 1621, a secção medieval mais fortificada, onde se localiza o actual Castelo dos Governadores, foi transformada em residência do alcaide do castelo, procedendo-se, então, a obras de adaptação desse espaço.Nos séculos seguintes, Lagos entrou em relativa decadência e as obras efectuadas limitaram-se a consolidar as antigas estruturas e a reforçar a linha costeira, com novos fortins na orla. No século XX, no âmbito das Comemorações dos Centenários, organizadas pelo Estado Novo, Lagos foi um dos pontos fundamentais. Intimamente ligada à figura do Infante D. Henrique, a cidade foi parcialmente reformulada, destacando-se a abertura da Avenida das Descobertas (que regularizou o traçado urbano junto ao mar), e as suas muralhas restauradas e, mais importante, desobstruídas de construções anexas. Na actualidade, as beneficiações continuam, como no caso do Baluarte da Porta da Vila, recentemente adaptado a observatório astronómico.

Fonte : IPPAR

sábado, 5 de abril de 2008

« Praças fortalezas e baterias do reyno do Algarve .»

VASCONCELOS, José de Sande, 1730-1808
Mappa da configuração de todas as praças fortalezas e baterias do reyno do Algarve [Material cartográfico] / Joze de Sande Vascos.. - 44 plantas : manuscritas, color. ; 57x50 cm http://purl.pt/762. - Este atlas terá sido elaborado, provavelmente, em 1788, em conformidade com: Brabo, F. A. D. (2004) "José de Sande Vasconcelos: engenheiro militar e cartógrafo no Algarve nos finais do séc. XVIII". Stilus, nº 6-7 (Jan.-Dez.), pp. 145-176

Fortalezas e baterias de:
Alvor
Meia-Praia
Ponta do Pau da Bandeira
Pinhão
Porto-de-Mós
Biblioteca Nacional

quinta-feira, 20 de março de 2008

Mappa de Portugal - João Bautista de Castro 1763

«[392 ]
VIII.
Algarve.
31. Compoem-se este Presídio de dous Regimentos de Infantaria , e hum de Cavallaria.
Ha mais dous Terços de Auxiliares com as Ordenanças, que tudo governa o Governador dessa Província , e Reino , que na sua ausência substitue o Bispo. Consta das Praças , e
Fortes seguintes.
Forte da Carrapateira.
Fortaleza de Sagres
Cabo de S. Vicente
. Sobre huma ponta muito escarpada está hum Mosteiro fortificado, e tem artilharia..
Forte de Nossa Senhora da Guia.
Forte de Santo Ignacio do Azevial.
Forte da Vera Cruz da Figueira.
Forte de S. Luiz de Almadena
.
Forte de Nossa Senhora da Luz
sítuado sobre huma lagem pouco mais alta que o mar , e distante [393] de Lagos huma légua para o Poente.
Fortaleza de Lagos , a que chamaõ da Bandeira.
Fortaleza , ou Castello de Pinhão.
Praça de Lagos
cercada de nove baluartes para a parte da terra , e de cinco reductos para a banda do rio.
Forte de Alvor com seu Castello junto do mar.
Forte de S. Joaõ, e de Santa Catharina. Estas duas Fortalezas estaõ na barra de Villa-Nova de Portimão , huma de cada banda com duás batarias para a parte do mar , e baluartes para a terra. Forte de Pêra.
Forte de Nossa Senhora da Incarnação
no Cabo de Carvoeiro.
Forte de Nossa Senhora da Rocha sobre hum alto, que fahe ao mar.
Praça de Albofeira presidiada com huma Companhia de soldados pagos , e murada , com seu Castello , armazém de pólvora , e mais petrechos de guerra.
Fortaleza de Valongo, légua e meya de Albofeira , com duas torres chamadas da Zimbeira , e Val de Porcarisso guarnecida de gente , e artilharia.
Forte de Santo António da Quarteira
Praça de Faro.
Fortaleza de S. Lourenço.
Forte de Tavira.
Praça de Alcoutim
fronteira a San Lucar.
Praça de Castro-Marim fronteira a Ayamonte.
Contém mais outros Fortes também artilhados, mas de menor consideraçaõ. »

In Mappa de Portugal Antigo e Moderno... , tomo III e IV de João Bautista de Castro -Publicado 1763, pela Officina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno.

terça-feira, 18 de março de 2008

Praça de Lagos- decreto de 27 de Setembro de 1805.

Em 1804, o estado financeiro do país levou novamente o governo a uma redução grande dos efectivos do exército, redução efectuada por pressão francesa, exercida sobre António de Araújo e Azevedo, mais tarde feito Conde da Barca, recentemente nomeado como Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra em substituição de D. João de Almeida, cargo no qual se manteve até 1807.
Foi António de Araújo quem promulgou a redução do exército, quase certamente instigado pelo Marechal Francês Lannes (Príncipe de Sievers, Duque de Montebello) , que o convenceu de que nada tinha a recear Portugal da França ou da Espanha, e que, com aquela redução, pouparia uma avultada despesa ao erário, evitando ao mesmo tempo que caíssem sobre o país as suspeitas da França, que veria na conservação dum exército numeroso um propósito de hostilidade. Esta redução levou a que fosse decretada a redução das “Praças e Fortalezas do Reino em tempo de paz, e por consequência os seus governadores e estados-maiores” por decreto de 27 de Setembro de 1805.
A situação era tanto mais grave, quando já eram conhecidas as intenções de Napoleão relativamente a Portugal, e ainda porque o gabinete de Londres receava que Portugal acabasse por ceder à França, permitindo assim que esta, se apoderasse da esquadra naval portuguesa, pondo em perigo o domínio marítimo inglês, algo que a Inglaterra nunca poderia permitir.

Neste Decreto de 1805 se estabelece que a Praça principal de Lagos seja comandada por um Governador que deverá ser Oficial General, coadjuvado por um Major e um Ajudante.
As fortificações dependentes da Praça principal passam a 10, sendo estas a fortaleza da Meia Praia, Fortaleza da Ponta da Bandeira, Bataria do Pinhão, Bataria da Piedade, Bataria do Porto de Mós, Forte de N. Senhora da Luz, Forte do Burgau, Forte de Almádena, Forte da Figueira e Forte do Zavial.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Praça de Lagos- Decreto de 2 de Janeiro de 1797

Por decreto de 2 de Janeiro de 1797, é revisto o plano do Decreto de 1 de Julho de 1795 e são de novo reorganizadas as 44 fortalezas principais do Reino do Algarve estabelecendo um novo Plano para cada uma delas.
A Praça de Lagos vê aumentados os seus efectivos, estabelecendo-se que a mesma ficaria com uma guarnição de 2 Capitães, 4 primeiros tenentes, 4 segundos tenentes, 5 sargentos, 8 furriéis, 27 cabos, 4 tambores e e 206 soldados.
Nela se estabelecia que eram subordinadas oito fortalezas: Meia Praia, Piedade, Porto de Mós, N. Senhora da Luz, Burgau, Almádena, Figueira e Zavial, cada uma delas com 1 cabo e 6 soldados. O Pinhão deixa de constar da lista de praças subordinadas.

Em 1796 e depois em 1797, Portugal aguardava uma invasão do seu território, sendo a razão pela qual, nesta época (1795/1797) aparecem alguns diplomas reveladores de uma preocupação na reorganização do exército e da sua eficácia, entre os quais se destacam: «Plano para o restabelecimento do trem de Lagos» de 15 de Junho de 1795; «Plano de organização para o corpo fixo das guarnições da província do Minho, sua economia, soldo e vencimento» de 4 de Abril de 1796; reorganização orgânica dos regimentos de Linha de 1 de Agosto de 1796; criação da Legião de Tropas Ligeiras de 7 de Agosto de 1796 e reorganização total das milícias na mesma data; e a elaboração do referido «Plano de organização das quatro companhias de artilharia de Pé de Castelo para guarnecer as Praças, fortalezas e baterias do Reino do Algarve» de 2 de Janeiro de 1797.
É também de 1796 o «Plano de Defesa do Reino» que recomendava a ocupação de posições à retaguarda das fronteiras, com exércitos de observação: em Abrantes, para cobrir Lisboa e, se necessário, acorrer ao Alentejo ou à posição das Talhadas; em Viseu e em Braga .

domingo, 16 de março de 2008

Praça de Lagos- Decreto de 1 de Julho de 1795.


Por decreto de 1 de Julho de 1795, são reorganizadas as 44 fortalezas principais do Reino do Algarve e estabelecido um novo Plano para cada uma delas.

A Praça de Lagos ficaria com uma «guarnição de pé de Castelo,sem dependência de destacamentos de tropa viva em tempo de paz»,composta por 1 Capitão , 1 segundo tenente, 2 sargentos, 2 furriéis, 7 cabos, e 42 soldados.
Nela se estabelecia que eram subordinadas nove fortalezas, Meia Praia, Pinhão, Piedade, Porto de Mós, N. Senhora da Luz, Burgau, Almádena, Figueira e Zavial.