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domingo, 21 de setembro de 2008

Conde Lippe, o Sargento-Mor e o Fidalgo. II

Recebi um comentário de Jorge Penim de Freitas , autor do Blog Guerra da Restauração, o qual coloco com a sua autorização.
"A propósito do post sobre o célebre decreto do Conde de Lippe, não estou certo de que o decreto se referisse ao sargento-mor. Os sargentos podiam eventualmente responder pelas companhias nas mostras, caso os oficiais das mesmas estivessem ausentes - seria uma situação de recurso, mas que aconteceu com alguma frequência durante a Guerra da Restauração, inclusive na cavalaria, onde os furriéis chegavam a responder pelas companhias. Mas "responder" não significava "comandar", era apenas uma situação relacionada com a administração da unidade, que envolvia ler e assinar as listas de pagamento e redigir as de soldados e material de guerra antes das mostras. Já no século XVII, o sargento e o furriel deviam saber ler e escrever. É uma dúvida que fica."
Fica pois a dúvida.
Na verdade , só uma troca de ideias dos amantes das várias épocas para compreender a evolução do exército português.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Conde Lippe, o Sargento-Mor e o Fidalgo.


Eu ,Guilherme por Graça de Deus, , conde reinante de Schaumburg, Conde e nobre, senhor da Lipe e Thranberg, Marechal General das Tropas de Sua Majestade Fidelíssima, Cavaleiro da Ordem da Águia Negra, etc.
Para evitar duvidas que se possam oferecer sobre esta matéria, estabeleço o seguinte: Que de ora em diante, todo o Sargento que nas mostras responda pela companhia e que pela natureza do seu encargo deve saber ler e escrever correctamente porque o Oficial Comandante da mesma pode não o saber, por ser Fidalgo.
Dado em Salvaterra de Magos
16 de Fevereiro de 1764

Ao contrario do que muitos autores , obras e textos referem, o Sargento[Sargento-Mor] referido no texto, não é o actual sargento [escalão de Sargentos] , mas sim um oficial superior [actual Major] encarregue do comando de uma companhia.
Em 1763, com a reforma do conde de Lippe, os regimentos serão organizados em 7 companhias (unidades administrativas). A reforma implicou o regresso ao conceito de que cada regimento era um batalhão do ponto de vista táctico. Para além do coronel e do tenente-coronel, o Major («sargento-mór») tinha também a administração de uma companhia.
Este modelo de organização , na qual se prevê que uma companhia possa ser comandada por um Major, termina em 1777, data em que os regimentos de infantaria tiveram um aumento de 3 companhias, passando a ter um total de 10, e na qual os majores [Sargentos-Mor] deixam de comandar companhias.
Assim se o texto fosse lido na actualidade, onde se lê Sargento ( Sargento-Mor) , deverá ler-se Major. Em tempo algum, no exercito Português , um Sargento teve organicamente o comando de uma companhia.

Tal como refere Manuel Amaral, “É por isso que, se a função militar era considerada geralmente nobre, de acordo com a legislação, só quem chegava ao posto de major efectivo adquiria verdadeiramente a qualidade de fidalgo, como se pode ler, entre outras, na lei de criação dos cadetes : «Tendo os mesmos pretendentes o foro de Moço Fidalgo da Minha Casa, e daí para cima; ou sendo filhos de Oficiais Militares, que tenham, ou tivessem tido pelo menos a Patente de Sargento-Mór pago [Major efectivo].»”

Este apontamento não retira a confirmação, de que muitos nobres eram analfabetos, e alguns encontravam-se a comandar unidades militares.
Sobre o posto de Sargento-Mor ver o execlente Blog " Guerra da Restauração" de Jorge Penin de Freitas. Vere ainda o post deste blog " O Sargento-Mor " AQUI.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O Sargento-Mor.

O posto de Sargento-Mor, até ao fim do século XVIII, inicio do XIX, correspondia ao actual posto de Major. Pouco a pouco a designação de Sargento-Mor, foi sendo substituída pela designação de Major, pela influência Britânica que se fazia sentir já no nosso exército. Na lei que estabelece o levantamento da Legião de Tropas Ligeiras( 7 de Agosto de 1796) , o posto de oficial aparece a designação de Major. No entanto, anos mais tarde, no plano de uniforme do exercito, de 19 de Maio de 1806, tal posto volta a ter a designação de Sargento-Mor ( Artigo II, §II). Com a junção do exercito português e inglês num único, definitivamente passa a designação para Major ( oficial superior) , para não haver confusão com o Sargento-Mor britânico ( Sergeant–Major), da classe dos Sargentos. Quando o Conde de Lippe se refere ao Sargento-Mor , refere-se a um oficial superior, o Major.
Não se pode confundir este Sargento-Mor (Major) com o Sargento Mor de Batalha ( que era um oficial general, designação extinta pelas reformas do Conde de Lippe, mudando o nome para Marechal de Campo , por sua vez extinto em 1863 dando lugar ao actual Major General).
Volto a tocar neste post porque pude ler um comentario de Steven H. Smith no Forum do Napoleon Series sobre este posto. Nele refere esse autor:
«Sargento mayor: Rango inmediatamente inferior al de Maestre de Campo en los tercios españoles de los siglos XVI y XVII. Inicialmente segundo al mando del Coronel en una coronelía, el Sargento Mayor pasó a ser segundo del maestre de campo tras la creación de los tercios en 1534. Se ocupaba de la instrucción táctica, seguridad y alojamiento de las tropas del tercio. También transmitía las órdenes del Maestre de Campo o del Capitán General a los oficiales inferiores.
http://es.wikipedia.org/wiki/Sargento_Mayor »
Ver ainda o post Postos do exército português (12) - o sargento-mor no Blogue «Guerra da Restauração»