sexta-feira, 9 de maio de 2008

Iean IV. Roy de Portugal et Algarbes

[1375905] AUBRY, Pierre, 1610-1686
Iean IV. Roy de Portugal et Algarbes [Visual gráfico]. - [Strasbourg?] : Peter Aubry excudit [entre 1640 e 1686]. - 1 gravura : buril, p&b ; 17x11 cm (matriz) http://purl.pt/13709. - Autoria interrogada. - Data provável segundo conjugação da biografia do retratado e período de actividade do gravador. - Dim. f.: 23x16 cm PTBN E. 28 P.. - Bnf - Inventaire du fonds français, XVIIe siècle, t. I, p. 93. - Soares, E. - Dic. de icon., n.º 4150-F). - Soares, E. - Inv. da col. de est., p. 6, n.º 28
in Biblioteca Nacional

Divisão do Exército em Brigadas e Divisões. Alvará de 19 de Maio de 1806.

Em 1806, o exército foi pela primeira vez reorganizado e modernizado, mesmo em tempo de paz, em divisões e brigadas, e os Corpos das diversas armas numerados, devendo tal numeração regular de futuro o seu lugar constante na linha, abolindo as designações anteriores e numerando os diversos regimentos das diversas armas, de modo a formar na linha por ordem numérica e não pela antiguidade, ou graduação do seu chefe.
Ao mesmo tempo se aboliram as designações anteriores numeraram-se os diversos regimentos das diversas armas. Nos termos do decreto « ...os Corpos das diversas Armas, que o compõem, sejam numerados,..
O exército regular formava assim três grandes Divisões, denominadas do Norte, Centro e Sul, dependendo cada uma delas dos respectivos comandos regionais.
A reserva era formada pela Legião de Tropas Ligeiras organizada com base nas tropas de caçadores. Esta legião, não seria numerada, “porque, pela qualidade do seu serviço, não lhe pertence lugar na linha tomando o lugar que lhe for destinado pelo general comandante”.
ALVARÁ DE 19 DE MAIO DE 1806.

«Convindo muito ao Meu Real Serviço; para estabelecer a boa Ordem e regularidade da Disciplina do Exercito, que ele seja organizado mesmo em tempo de paz em Brigadas e Divisões, e que os Corpos das diversas Armas, que o compõem, sejam numerados, a fim de que por essa numeração tenha cada um para o futuro o seu lugar constante na Linha, sem que dependa para isto da Graduação e Antiguidade do Chefe ,que o comanda. Por todos estes motivos, Hei por bem a este respeito Determinar o seguinte :
I. O Exercito será formado em três Divisões, com as denominações seguintes: Divisão do Sul, Divisão do Centro, Divisão do Norte.
II. Cada Divisão será composta de oito Regimentos de Infantaria, divididos em quatro Brigadas, quatro Regimentos de Cavalaria e um de Artilharia , exceptuando a Divisão do Sul, que compreenderá dois Regimentos dessa Arma.
III. Os Regimentos de Infantaria serão numerados de um até vinte e quatro; os de Cavalaria , de um até doze; e os de Artilharia , de um até quatro, e esses números serão distribuídos promiscuamente pelos Corpos das três Divisões.
IV. A composição de cada Divisão será portanto da seguinte maneira:
A Divisão do Centro será composta dos Regimentos de Infantaria, N.º 1 Lippe, N.º 4 Freire, N.º 7 Setúbal, N.º 10 Lisboa, N.º 13 Peniche, N.º 16 Vieira Telles, N.º 19.° Cascais, N.º 22 Serpa; dos de Cavalaria, N.º 1. Alcântara, N.4 Mecklemburg, N.º 7.° Cais, N.º 10 Santarém ; do de Artilharia, N.º 1.° da Corte.
A Divisão do Sul será composta dos Regimentos de Infantaria, N.°2 Lagos, N.º 5 Primeiro de Elvas, N.º 8 Castelo de Vicie, N.º 11 Penamacor, N.º 14 Tavira, N.º 17 Segundo de Elvas, N.º 20 Campo Maior, N.º 23 Almeida; dos de Cavalaria, N.º 2 Moura, N.º 5 Évora, N.º 8 Elvas, N. ° 11 Almeida; dos de Artilharia, N.º 2 Algarve, N.º 3 Estremoz.
A Divisão do Norte será composta dos Regimentos de Infantaria, N.º 3 Primeiro de Olivença, N.º 6 Primeiro do Porto, N.º 9 Viana, N.º 12 Chaves, N.º 15 Segundo de Olivença, N.º 18 Segundo do Porto, N.º 21 Valença, N.º 24 Bragança; dos de Cavalaria, N.º 3 Olivença, N.º 6 Bragança, N.º 9 Chaves, N.º 12 Miranda; do de Artilharia, N. ° 4 do Porto.
V. Na Divisão do Centro os Regimentos N.ºs 1 e 13 comporão a Primeira Brigada ; N.ºs 4 e 16 comporão a Segunda; N.ºs 7 e 19 comporão a Terceira; N.ºs 10 e 22.° comporão a Quarta.
VI. Na Divisão do Sul os Regimentos N.ºs 2 e 14 comporão a Primeira Brigada; N.ºs 5 e 17 comporão a Segunda; N.ºs 8 e 20 comporão a Terceira; N.ºs 11 e 23 comporão a Quarta.
VII. Na. Divisão do Norte os Regimentos N.ºs 3 e 15 comporão a Primeira Brigada ; N.ºs 6 e 18 comporão a Segunda; N.ºs 9 e 21 comporão a Terceira; N.ºs 12 e 24 comporão a Quarta.
VIII. Os Corpos entrarão na Linha dos Lados para o Centro pela ordem da sua numeração, e afim mesmo entrarão as Brigadas pela sua numeração dos Lados para o Centro, quando a Linha for mandada formar por Brigadas. . .
IX. O Corpo da Legião de Tropas Ligeiras que pela presente Organização não fica numerado; porque pela qualidade do seu Serviço não lhe pertence Lugar na Linha de mistura com os outros Corpos; quando por qualquer motivo concorrer a ela, tomará o lugar, que lhe for definido pelo General Comandante.
O Conselho de Guerra o tenha afim entendido e mande expedir as Ordens necessária, para que tenha a rua devida execução. Palácio de Queluz em dezanove de Maio de mil oitocentos e seis.
"Com a Rubrica do PRÍNCIPE REGENTE N. S.
»

Os diplomas e textos inseridos no blog são excertos, necessariamente resumidos, do livro (perdoe-se-me a publicidade em causa própria), O exército português na Guerra Peninsular, vol 1.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Santo António, o mais famoso militar do regimento de Lagos. Parte 1

Durante a Guerra da Restauração (1640-1668), a fé dos soldados portugueses atribuía a Santo António muitos dos êxito das acções militares, de tal modo que D. Pedro II, por alvará de 24 de Janeiro de 1668, determinou que, “por tão patriótico serviço”, fosse alistado como praça no Regimento de Infantaria de Lagos.
No dia 12 de Setembro de 1683, D. Afonso VI promoveu Santo António ao posto de capitão.
Em 25 de Março do ano de 1777, D. Hércules António Carlos Luís Joseph Maria de Albuquerque e Araújo de Magalhães Homem, major comandante do regimento de Lagos, lavrava em auto e endereçava ao rei pedido para que o santo fosse promovido a major. Está registado: “certifico que não existe alguma nota relativa a Santo António, de mau comportamento ou irregularidade praticada por ele: nem de ter sido em tempo algum açoitado, preso, ou de qualquer modo punido durante o tempo que serviu como soldado raso no regimento: Que durante todo o tempo, em que tem sido capitão, vai quase para cem anos, constantemente cumpriu seu dever com o maior prazer à frente de sua companhia, em todas as ocasiões, em paz e em guerra, e tal que tem sido visto por seus soldados vezes sem número, como eles todos estão prontos para testemunhar: e em tudo o mais tem-se comportado sempre como fidalgo e oficial: e por todos estes motivos acima referidos considero-o muito digno e merecedor do posto de major agregado ao nosso regimento, e de quaisquer outras honras, graças ou favores que aprouver a S. M. conferir-lhe. Em testemunho do que assinei meu nome, hoje 25 de Março do ano N. S. J. C. 1777. Magalhães Homem”.
No posto de capitão, Santo António recebia um soldo de 10.000 réis, que lhe foi abonado até 1779, ano em que passou a vencer o de 15.000 réis, como consta do livro de vencimentos e de vários mapas do regimento, existentes no Arquivo Histórico Militar. Como capitão ia sendo abonado o Santo dos soldos que competiam à sua patente, soldos que eram pontualmente entregues à irmandade de Santo António, até que o Marquês de Pombal determinou que deixassem de o ser, continuando o santo-capitão a “servir” gratuitamente. Mas logo no reinado seguinte de D. Maria I, o coronel do Regimento de Lagos, requeria, em Janeiro de 1780, que ao seu capitão Santo António fossem pagos os soldos em atraso e ainda (em virtude de o referido capitão, “o mais antigo dos reais exércitos”, se achar, de há muito, preterido na promoção) que o mesmo fosse promovido a tenente-coronel.
Em 1807, durante a invasão napoleónica, o próprio general Junot, comandante dos exércitos franceses, ao examinar os livros de matrícula do Regimento de Lagos, ordenou que continuasse a ser pago ao Santo oficial o devido soldo, como atesta o seguinte documento: “Sendo da Minha particular Devoção o Glorioso Santo António, a Quem o Povo d’esta Côrte, incessantemente e com a maior Fé, dedica os seus votos, e tendo o Céo abençoado os esforços dos Meus Exercitos com a Paz que se Dignou Conceder a Monarchia Portugueza, Crendo Eu piamente que a efficaz intercessão do mesmo Santo, ten concorrido para tão felizes resultados, Hei por bem que se eleve ao Posto de Tenente Coronel de Infantaria, e que pelo Thesouro Geral das Tropas d’esta Côrte se pague o competente Soldo d’esta Patente, na conformidade do que se tem praticado com o da Patente de Sargento-Mór, concedida por Decreto de 14 de julho de 1811. O Conselho Supremo Militar o tenha assim intendido e faça n’esta conformidade expedir os Despachos necessários. Palácio do Rio de Janeiro em 26 de julho de 1814. Com a rubrica do Principe Regente”.

Sobre ele escreveu Foy (general Francês) nas suas memórias.

«This story passed for fact during the reign of John V. Doubts began to be thrown upon it in Pombal's administration. The saint nevertheless retained his rank. On the accession of Queen Mary, the Colonel of the regiment of Lagos stated in a memoir, supported by documents, that St. Anthony was the oldest captain, not only in that corps, but in the whole army, and that in fact, he had then been a captain ninety years. After such a length of service, he thought the least that could be done was to appoint him major : but the court did more, and by a royal decree of the month of January 1780, St. Anthony of Padua received a commission of general officer. This promotion was purely honorary. The general's name remained inscribed in the list of the regiment of Lagos as captain, and his annual pay of three hundred thousand reais, (about 801. sterling,) as fixed by Don Pedro II., continued to be received in his name. This sum was expended in decorating his chapel, and defraying the cost of his festival. After the invasion of Portugal by the French in 1 807, General Junot desired to have a statement of the brevets, commissions, and services of St. Anthony. He was determined not to be less generous to him than the sovereigns of Portugal had been ; the pay of the old captain of Lagos was scrupulously delivered to the colonel till the moment when, by the new organization of the Portuguese army, the regiment ceased to exist

Maximilien Foy, History of the War in the Peninsula, Under Napoleon, 1827, p.238
Esta imagem de Santo António encontra-se actualmente na capela de N.ª Sr.ª da Vitória, dentro do recinto do Museu do Bussaco. A imagem acompanhou o regimento nº 19 (Cascais) , durante a guerra peninsular, sendo por isso que ostenta ao peito a medalha da Guerra Peninsular. Outra imagem que foi condecorada com a medalha da Guerra peninsular foi a Nossa Senhora do Carmo que se encontra em Valença.

Aniversário do fim da segunda guerra Mundial na Europa.

Hoje comemora-se o fim da segunda guerra mundial na Europa. Sendo uma das mais importantes datas da história do séc. XX e da história militar, não poderia deixar de a trazer ao Lagos Militar.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Lagos antes da construção da Avenida.

Pintura de Jaime Murteira.(1910-1986).
Pintura de coleção particular, cuja utilização agradecemos.

1 de Maio de 1808. Cronologia da Guerra Peninsular.

Como motivo da comemoração dos 200 anos da Guerra Peninsular (1808-1814) , irei dar inicio a um conjunto de posts relembrando as datas mais importantes da Guerra Peninsular, sempre que possível no dia respectivo.
Esta primeira série já vai com uns dias de atraso, por uma ausência minha.

Começamos pois, pelo primeiro dia de Maio, por ser o dia em que Portugal declara oficialmente a Guerra à França de Napoleão.
1 de Maio de 1808 -O Príncipe Regente D. João , já no Rio de Janeiro, declara guerra à França, invadindo a Guiana Francesa. Portugal fora invadido no ano anterior em 20 de Novembro de 1807.
2 de Maio de 1808 -Insurreição contra o exército francês, em Madrid.
5 de Maio de 1808 -É criada a Escola Naval do Rio de Janeiro. Carlos IV e Fernando VII abdicam, em Baiona,da coroa espanhola em favor de Jose Bonaparte, irmão de Napoleão.
Espanha passa a ter como Rei José Bonaparte. Portugal, uma vez que o Rei se encontrava no Brasil, era um Reino invadido. Não havia modo de legitimar a ocupação militar.
A Familia Real Portuguesa ganhara.
Imagem "Fusilamientos del 3 de mayo " de Francisco Goya.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

D. Miguel Pereira Forjaz

ALMEIDA, Francisco Tomás de, 1778-1866 D. Miguel Pereira Forjaz Coutinho... [Visual gráfico / D. Esquioppeta pinxit. ; F. T. de Almeida sculp. ; F. Bartolozzi corregio.. - [S.l. : s.n., ca 1813]. - 1 gravura : água-forte e ponteado, p&b http://purl.pt/5211. - Data baseada em dados biográficos do retratado e de Bartolozzi. - Dim. da comp. sup.: 19,9x16,7 cm; dim. da comp. inf.: 9,3x9,5 cm. - Soares, E. - Dic. icon., nº 2403CDU 32 Coutinho, Miguel Pereira Forjaz (084.1) 929 Coutinho, Miguel Pereira Forjaz (084.1) 762(=1.469)"18"(084.1)

in Biblioteca Nacional

Dores de Barriga.

«The French will have a difficult job to drive us out, both from the nature of the country, want of provisions and means of transport, and the very improved state of the Portuguese army, which in itself speaks sufficiently for Beresford's exertions, and the propriety of the severe, or rather firm, conduct he went upon from the first.(...) The Portuguese army, notwithstanding the numberless difficulties to which he is constantly exposed, from imbecility and mean contemptible jealousy and intrigue, will be a sufficient testimony. I have no doubt, both in its apparent discipline and conduct before the enemy, whenever it shall be our fortune to meet him. I confess myself rather anxious for the trial. It will show us what Officers are subject to dores de barriga and enable us to get rid of them, and make examples of this worst part of their army, though now there are really many very promising young Officers, and the old ones have in great measure been got rid of. Lord W. as well as every British Officer have been very much, though agreeably, surprised at the state of our troops. I am inclined to think that had they justice done to them in the common comforts, I may say necessaries of life, clothing and food, they would make as good soldiers as any in the world. None are more intelligent or willing, or bear hardships and privation more humbly.»


William Warre, Letters From The Peninsula: 1808-1812, pag 61

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Charles Oman e o exército português.

«Some of the exploits of the Portuguese brigades hardly obtain in Napier's history the prominence that is their due. While he acknowledges the good service of the Light Division caçadores at Bussaco and elsewhere, there is scarcely praise enough given to Harvey's brigade at Albuera, who received and repulsed in line the charge of Latour-Maubourg's dragoons, a feat of which any British troops would have been proud. And the desperate resistance for many hours of Ashworth's Portuguese at St. Pierre near Bayonne is hardly noticed with sufficient gratitude forming the centre of Hill's thin line, pressed upon by overwhelming numbers, and with both flanks turned from time to time, they fought out a whole long morning of battle, and never gave way an inch, though their line was reduced to a thin chain of skirmishers scattered along a hedge and a coppice. The advance of the 13th and 24th Portuguese at the storm of St. Sebastian, across a ford 200 yards wide and waist-deep, swept by artillery fire from end to end, does however receive from Napier its due meed of admiration. This was a great achievement - every wounded man was doomed to drowning: on the other side was the blazing breach, where the British assault had come to a dead stop after dreadful slaughter, but the Portuguese regiments won their way over the deadly water, and took their share in the final assault with unflinching courage.
On the whole, the caçador battalions had the finest record in the Portuguese Army, the cavalry the least satisfactory. Some good work is recorded of them, e.g. the charge of Madden's squadrons saved the whole of La Romana's army at the combat of Fuente del Maestre in 1810, and that of D'Urban's brigade gave efficient help to Pakenham's great flank attack at Salamanca in 1812.»

Charles Oman in Wellington's Army: 1809-1814, Londres : Greenhill Books; 1993, pág 234.
Oman é sem duvida o melhor historiador da Guerra Peninsular, com a sua obra em 7 volumes History of the Peninsular War

Picton e o exército Português.

«Picton writing to one friend said "The Portuguese brigade attached to the 3rd division was the admiration of the whole army" and to another, "The Portuguese brigade, if possible, exceeded the British in gallantry
Robinson, "Life of Picton," letters to Colonel Pleydell and Mr. Marryat, July 1 and 7,1818

domingo, 27 de abril de 2008

hinc vis belli et victoria virtus

Existe uma pedra colocada por cima do portão do quartel de Lagos com a seguinte inscrição:
« hinc vis belli et victoria virtus»
Trata-se de uma pedra pouco visível e esquecida. Numa tradução livre a pedra tem inscrita a seguinte frase: “Daqui a força na guerra e a vitória da coragem”.

Alvará de 7 de Agosto de 1796. Extinção dos Terços Auxiliares dando lugar às Milícias.

Alvará de 7 de Agosto de 1796.

QUERENDO Eu dar às Tropas Auxiliares dos Meus Reinos provas manifestas da Minha Real Satisfação, e do muito que elas merecem, Sou fervida Declarar; que todos os Corpos até agora intitulados Terços Auxiliares serão denominados para o futuro Regimentos de Milícias das Comarcas, ou Distritos aonde pertencerem o; que todos os seus Mestres de Campo serão outro fim denominados Coronéis de Milícias, à imitação dos das Tropas pagas; e que poderão usar de o Banda em todas as funções militares.
E querendo Eu que os sobreditos Regimentos de Milícias sejam em tudo conformes aos das Tropas Regulares do Meu Exercito, na sua organização, e formatura; Sou fervida Determinar que em todos eles haja para o futuro hum Tenente Coronel, e os mais Oficias que vão declarados no Corpo do Plano, que baixará com ele: Que em todos eles hajam Bandeiras, e Tambores fornecidos pelos Meus Arsenais, e que os Tambores, e Pífanos sejam pagos pelas Tesourarias Gerais do Meu Exercito, como os dos mais Regimentos de Linha.
E outro fim Sou servida Declarar que todos os Capitães das Tropas pagas ,que quiserem passar aos Postos de Sargentos Móres de Milícias, gozarão em tempo de paz do soldo, que percebiam; e no tempo de Guerra do soldo de vinte e seis mil reis; além das mais vantagens relativas ao seu emprego: que todos os Alferes das sobreditas Tropas pagas, que quiserem passar a Ajudantes do número, gozarão igualmente dos soldos, que lhe competiam, e em tempo de Guerra da vantagem de quinze mil réis por mes.
E finalmente que todos os Sargentos dos Regimentos de Linha, que houverem de palrar a Ajudantes Supras, gozem em tempo de paz do soldo de dez mil réis mensais, e no da Guerra do soldo de dez mil réis. O Conselho de Guerra o tenha afim entendido, e o faça executar com as Ordens, necessárias. Palácio de Queluz em sete de Agosto de mil setecentos noventa e seis.
Com Rubrica do PRÍNCIPE N. SENHOR.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Tomas António da Guarda Cabreira , Conde de Lagos (1792-1834)

Titulo concedido por D. Miguel em 1834 (juntamente com o título de Visconde de Vale da Mata) a Tomás António da Guarda Cabreira.
Natural de Castro-Marim, onde nasceu em 12.10.1792, viria a falecer em Faro em 20.11.1834. Era filho do Tenente-Coronel João da Guarda Cabreira. Foi casado, e o seu filho, com o mesmo nome, também atingiu o generalato. Participou na Guerra Peninsular, fazendo parte do Regimento de Infantaria n° 14, tendo alcançado a patente de Tenente Ajudante no final do conflito.
Em 1817 era Capitão. Aparece na lista de militares condecorados com a cruz de guerra peninsular como pertencendo ao regimento de infantaria nº 23, com o posto de Capitão (1820). Depois da Revolução Liberal, aderiu a causa miguelista, tendo sido forçado e emigrar para Espanha, em 1826.
Só regressou a Portugal em 1828. Era Capitão graduado em Major, quando foi nomeado para desempenhar funções no Regimento de Infantaria de Tavira, por decreto de 3 de Dezembro de 1831. Foi promovido a Major para o 2° Regimento de Infantaria de Elvas, por decreto de 22 de Fevereiro de 1832, a Tenente-Coronel em 14 de Setembro de 1833 e a Coronel em 21 de Outubro do mesmo ano. Por decreto de 20 de Janeiro de 1834 e promovido a Brigadeiro. Em 27 de Janeiro de 1834 foi nomeado Ajudante de Campo do Rei D. Miguel , com honras de Marechal de Campo, e comandante das forças no Algarve.
Por decreto de 11 de Maio de 1834 é promovido a Marechal de Campo. No início de Março de 1834, foi enviado para o Algarve, comandando cerca de 2.000 homens, para combater Sá da Bandeira, que desembarcara em Lagos.
Deu combate às forças comandadas por Sá da Bandeira em S. Bartolomeu de Messines, derrotando-as. Continuou depois no Algarve, como Comandante das forças miguelistas naquela região ate a convenção de Evora-Monte. Após a derrota das forças miguelistas, foi preso, acabando por ser morto pelos seus rivais políticos na Cadeia de Faro. Foi condecorado com a Cruz de Ouro das Campanhas da Guerra Peninsular, por cinco campanhas (algarismo 5), com a medalha batalha de Albuera e com a Medalha Militar de Fidelidade ao Rei e a Pátria.
O título nunca foi reconhecido na vigência da Monarquia Liberal.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Alvará de 21 de Outubro de 1807. Limite dos sete governos do Reino.

Decidi substituir um post anterior por este que contem o alvará na totalidade.

Por alvará de 21 de Outubro de 1807, o corpo de Ordenanças foi reorganizado estabelecendo-se a divisão do reino em sete governos ( províncias), nas quais se implantaram 24 Brigadas de Ordenanças, correspondente aos 24 Regimentos de Infantaria de Linha .
LIMITES
DOS
SETE GOVERNOS MILITARES
DO REINO.

Determinados pelo Alvará de 21 de Outubro de 1807.

Governo da Provincial do Minho
Ao Norte. O Rio Minho
Ao Poente. O Oceano desde a Foz do Rio Minho até à Foz do Rio Ave.
Ao Sul. O Rio Ave desde a sua Foz até à Foz do Vizella, o mesmo Rio Vizella até à Ponte de Negrellos; os Termos de Guimarães, os dos Concelhos de Felgueiras, Unhão e Louzada; o Rio Sousa desde a Foz de Mezio até ao Concelho de Santa Cruz; o Termo deste Concelho, o de Canavezes, e o de Tuyas; o do Couto de Taboado, o dos Concelhos de Gouvea e Gestaço
Ao Nasceste. O Termo do Concelho de Gestaço, o da Honra da Ovelha do Marão, a Freguesia de Rebordelo, e a parte da de Paradança, que pertence ao Concelho de Celorico de Basto, o Rio Tâmega desde a freguesia de Rebordelo até à Freguesia do Villar do Concelho de Cabeceiras de Basto, o Termo do Concelho de Cabeceiras de Basto, e o do Couro de Abadim, que fica encravado no Concelho de Cabeceiras de Basto; os Termos dos Concelhos de Rosas, de Vieira, de Ribeira de Suás, das Terras do Bouro, de Lindoso, de Suajo, e de Castelo Laboreiro, o Couto de Fiães, e o do Concelho de Melgaço.

Governo da Província de Trás-os-Montes.
Ao Norte. A Raia de Espanha.
Ao Poente. Os Termos de Barqueiros, Mesão Frio, Teixeira, Santa Marta, Vila Real, Ermello, Mondim, Atey, Serva, Ribeira de Pena, Ruivães, e Monte Alegre.
Ao Sul. O rio Douro
Ao Nascente. O rio Douro

Governo do Partido do Porto
Ao Norte. Os Termos dos Concelhos de Baião de Soalhães, de Bemviver, e de Porto Carreiro, o Termo da Cidade de Penafiel, o dos Coutos de Meinedo, de Bostelo; outra vez o de Penafiel até à Foz do Mezio, este Rio até à Freguesia de Santa Eulália de Ordem do Concelho d'Aguiar de Sousa, o Termo deste Concelho, e o do Concelho de Refoios de Riba d'Ave até ao Couto de Salvador do Campo; daqui em diante o Rio Vizella até à sua Foz, e o Rio Ave desde a Foz do Vizella até ao Mar.
Ao Poente. O Oceano desde a Foz do Ave até à Foz do Mondego
Ao Sul. A margem direita do Mondego desde a sua Foz até ao fim do Termo de Penacova.
Ao Nascente. A parte do Termo de Penacova, que está ao Norte do Mondego, os limites da parte da Comarca de Coimbra ao Norte do Mondego, o da Comarca de Aveiro, e a da Feira, e o Rio Arda desde a Freguesia de Monsores da Comarca da Feira até à sua Foz, o Rio Douro desde a Foz do Arda até ao fim do Concelho de Baião

Governo da Província da Beira.
Ao Norte. O Rio Douro desde a Foz do Rio Águeda até à Foz do Rio Arda.
Ao Poente. O Rio Arda, os confins das Comarcas de Lamego, Viseu e Arganil com as da Feira, Aveiro e Coimbra até ao Rio Mondego; ao Sul deste Rio, as Freguesias de Penacova, que estão na margem direita do Rio Alva, e a Comarca de Arganil até ao Rio Zêzere, e este Rio até à foz do Elja.
Ao Sul. O Rio Tejo desde à Foz do Zêzere até à Foz do Elja.
Ao Nascente. A Raia de Espanha.

Governo da Província da Estremadura
Ao Norte. O rio Mondego desde a sua Foz até à Foz do Rio Alva.
Ao Poente. O Oceano desde a Foz do Rio Mondego até à foz do Rio de Odemira.
Ao Sul. O Termo de Vila Nova de Mil Fontes, as freguesias Odemira, S. Luís, Senhor das Relíquias do Termo da Vila de Odemira e o Termo da Vila de Collos.
Ao Nascente. Os Termos das Vilas de Collos, Santiago de Catem, Alvalade, Grândola, Alcácer do Sal; Cabrela, a freguesia de Santo António das Vendas do Termo de Monte Mór o Novo, os Termos das Vilas de Lavre, Coruche, Vila Nova da Era, Montargil, as freguesias de Bemposta; S. Fagundo, Pego e S. Pedro d´Alvega do Termo da Vila de Abrantes, o Rio Tejo, desde a Casa Branca, fim da Freguesia de S. Pedro d´Alvega; até à Foz do Rio Zêzere; este Rio até à Vila de Pedrógão Grande; as Freguesias Pedrógão Grande; Castannheira e Coentral do Termo da sobredita Vila, o Termo da Vila de Lousã, e dos Concelhos, Serpins, Vilarinho e S. Miguel de Poiares da Comarca de Coimbra, e as Freguesias Santo André de Piares, e Friume do Termo de Penacova, e à parte da Freguesia desta Vila ao Sul do Mondego.

Governo da Província do Alentejo
Ao Norte. O Rio Tejo desde a Foz do Rio Sever até ao fim do Termo do Gavião.
Ao Poente. Os Termos das Vilas do Gavião, de Lougomel, Margem, Ponte do Sor, Galveias, Avis, Cabeção, Mora, Águias, Montemor-o-Novo, menos a Freguesia das Vendas Novas do Termo de Montemor-o-Novo; os Termos das Vilas de Alcáçovas, Torrão, Ferreira, Aljustrel, Messejana, Panoias, Gravão, e Ourique.
Ao Sul. O Termo da Vila de Gravão, e da de Ourique, de Almodôvar, Padrões, e Mértola.
Ao Nascente. A Raia de Espanha.

Governo do Reino do Algarve
Ao Norte. Termos da Vila de Alcoutim, da Cidade de Tavira, da Vila de Loulé, da Cidade de Silves, da Vila de Monchique, e a:parte do Termo de Odemira, que fica, ao Sul do Rio Odemira.
Ao Poente e Sul. O Oceano desde a foz do Rio de Odemira à foz do Guadiana.
Ao Nascente: o Rio Guadiana desde a sua Foz até ao fim do Termo de Alcoutim.

NB. Os Termos, que marcam limites de algum Governo, se entenderão sempre inclusive
Palácio de Mafra aos 21 de Outubro de 1807
António de Araújo de Azevedo”
As brigadas eram designadas pelos números dos regimentos de infantaria de linha, respectivos, seguido da designação dos seus regimentos milicianos (Ex: segunda brigada - Lagos e Tavira).
As Ordenanças compreendiam, então, todos os indivíduos aptos para o serviço militar que não faziam parte do exército regular e das milícias. Tratava-se de uma velha instituição que vinha já dos meados do século XVI e que se mantinham muito ligadas às câmaras das concelhos e vilas do reino. Estas eram formadas por civis que, na teoria deveriam ter tempos mensais de instrução, mas, na prática, encontravam-se destituídos de qualquer instrução, armamento, uniforme e disciplina.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dia do Livro e dos direitos de autor.

O Dia Internacional do Livro teve a sua origem na Catalunha.
A data começou a ser celebrada em 7 de Outubro de 1926, em comemoração ao nascimento de Miguel de Cervantes, escritor espanhol. O escritor e editor valenciano, estabelecido em Barcelona, Vicent Clavel Andrés, propôs este dia para a Câmara Oficial do Livro de Barcelona.
Em 6 de Fevereiro de 1926, o governo espanhol, presidido por Miguel Primo de Rivera, aceitou a data e o rei Afonso XIII assinou o decreto real que instituiu a Festa do Livro Espanhol.
No ano de 1930, a data comemorativa foi transferida para 23 de Abril, dia do falecimento de Cervantes.
Mais tarde, em 1995, a UNESCO instituiu 23 de Abril como o Dia Internacional do Livro e dos direitos dos autor, em virtude de a 23 de Abril se assinalar o falecimento ou nascimento de outros escritores, como Josep Pla, Miguel de Cervantes, Vladimir Nabokov e William Shakespeare.
No caso do escritor inglês, tal data não é precisa, pois que em Inglaterra, naquele tempo, ainda utilizava o calendário juliano, pelo que havia uma diferença de 10 dias apara o calendário gregoriano usado em Espanha. Assim Shakespeare faleceu efectivamente 10 dias depois de Cervantes.
Mais informações sobre o Dia Mundial do Livro no portal da Unesco.

Como homenagem ao Livro, aqui deixo a imagem do livro português mais vezes impresso e traduzido, obra de alguém que também foi um militar profissional: Luís Vaz de Camões.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Imagem do ataque da Brigada Pack ao grande Arapil.

Não resisti a incluir no blog esta imagem , que é capa do livro Los Arapiles 1812. La campaña de Salamanca, ao mesmo tempo que se encontra na pagina de entrada do site Batalla de los Arapilles.
Entre nós, esta batalha, é conhecida por batalha de Salamanca (1812).

Trata-se de uma ilustração do exército português, realizado por um artista espanhol, Dionisio Alvarez Cueto.
Uma excelente ilustração.
"El ataque de la brigada portuguesa de Pack al Arapil Grande" Ilustración de Dionisio Álvarez Cueto.

Guerra do ultramar. Modern African Wars (2)

Consultando a Osprey, deparei com este novo titulo Modern African Wars (2)Angola and Mozambique 1961-74 (Men-at-Arms 202).
Temos entre nós, ainda vivos, os militares que combateram nesta guerra, ainda por estudar com imparcialidade e sem preconceitos ideológicos ou políticos. Desconheço qual o conteúdo da obra, mas certamente, seja qual for, será uma obra a não perder.
About this book
Portugal was both the first and the last of the great European colonial powers. For 500 years Portugal had colonies in Africa. In 1960, as liberation movements swept across colonial Africa, the Portuguese flag still flew over vast expanses of territory across the continent. The spread of decolonization and the establishment of independent states whose governments were sympathetic to the cause of African nationalism led, in the early 1960s, to a series of wars in Angola, Guiné and Mozambique. This book details each of these liberation movements, focusing on the equipment, uniforms and organization of the Portuguese forces.
Contents
Preface
Portugal's African Empire
The Liberation Movements
The Portuguese Forces
The Portuguese Forces in Action
The Plates

G. C. Beresford, Conde de Trancozo.

[993251]BARTOLOZZI, Francesco, 1728-1815 G. C. Beresford, Conde de Trancozo [Visual gráfico / Henrique Joze da S.ª pinx. ; F. Bartolozzi sculp. em Lx.ª em 1812. - [Lisboa? : s.n., 1812]. - 1 gravura : água-forte e ponteado, p&b http://purl.pt/6164. - Dim. da comp. com letra: 30,2x17,2 cm. - Soares, E. - Dic. icon., nº 383 D)CDU 355.1 Beresford, William Carr (084.1) 762(=1.450)"18"(084.1) 929 Beresford, William Carr (084.1)

Biblioteca Nacional