quinta-feira, 22 de maio de 2008

Comandantes do regimento de infantaria de Lagos ( Regimento de infantaria 2 ).

DIOGO GOMES DE MOURA, de ... a 26 de Março de 1762;
D. SANCHO DE FARO E SOUSA, conde de Vimieiro, coronel, de 26 de Março de 1762 a 5 de Fevereiro de 1767;
AGOSTINHO JANSEN MOLLER, brigadeiro, de 5 de Fevereiro de 1767 a 6 de Setembro de 1774;
HUGGO BEATY, de 6 de Setembro de 1774 até ao seu falecimento.
Encontra-se sepultado na Igreja de Santo António em Lagos, igreja que foi recuperada por sua ordem em 1769 , após os danos sofridos no Terramoto de 1755. O Comandante do Regimento de Infantaria de Lagos administrava a Confraria de Santo António, existente desde 1702. Irlandês de nascença, Beaty instalou-se em Lagos aquando da guerra com Espanha, sob o comando do Conde de Lippe, tendo aí permanecido até falecer, como testemunha a lápide sepulcral que se encontra no pavimento da igreja (FORMOSINHO, 1994, p. 38);
JOHN SHADWELL CONNELL, coronel, de 5 de Fevereiro de 1789 a 2 de Outubro de 1792;
FRANCISCO BORGES DA VEIGA E ANDRADE, coronel e brigadeiro, de 3 de Novembro de 1792 a 1803;
NUNO DA SILVA E ABREU, coronel, de 13 de Maio de 1803 a 2 de Julho de 1804;
JOSÉ DE VASCONCELOS E SÁ, coronel, 1º Barão de Albufeira,de 2 de Julho de 1804 a 1808;
ANTÓNIO HIPÓLITO COSTA, 1º Visconde de Alhos Vedros coronel, de 6 de Dezembro de 1808 a 1814;
JOÃO TELES DE MENEZES E MELO, tenente-coronel, de 10 de Janeiro de 1810 a 5 de Fevereiro de 1812;
JORGE DE AVILEZ ZUZARTE, 1º Visconde de Reguengo e 1º Conde de Avilez, de 5/2/1812 a .coronel, de 5 de Fevereiro de 1812 a ...
JACINTO VIEIRA DO COUTO SOARES 18 Outubro 1815;
...
RODRIGO VITO PEREIRA DA SILVA, coronel, 1823.

sábado, 17 de maio de 2008

Artilharia 1848. Serventes de Peças de 12 libras.

Infogravura de Sérgio Veludo Coelho.

N. S. do Carmo em Valença do Minho. Padroeira do 21º regimento de infantaria.



Aqui fica outra imagem condecorada com a Cruz da Guerra Peninsular. A da N. S. do Carmo .




Esteve presente nas batalhas do Busaco, Fuentes de Oñoro, Badajos, Salamanca, Vitoria, Pirineus, Nivelle, Nive ,Orthez e Tolouse.































A Imagem encontra-se na Igreja de N. S. do Carmo em Valença do Minho ,Praça Militar de 1ª categoria e quartel do 21º regimento de Infantaria.

Ao lado da imagem, encontra-se este quadro.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Santo António, o mais famoso militar do regimento de Lagos.Parte 2

O Brasil foi o país que mais galardoou Santo António, por intermédio de promoções e honras militares. Foi Soldado, Alferes, Capitão, Sargento-Mor e Tenente-Coronel de Infantaria, com o respectivo soldo na Bahia, onde também foi capitão na fortaleza de Santo António da Barra,
Coronel em São Paulo, capitão em Goiás, soldado na Paraíba e Espírito Santo, capitão de cavalaria em Ouro Preto (com o soldo anual de 480$00), tenente no Recife. Capitão de Cavalaria, em Vila Rica-MG. Em Pernambuco, foi Tenente de Artilharia e Capitão; em Igarassu, ainda em Pernambuco, não havendo quartel na cidade, Santo António foi eleito Vereador, com o título de “Protetor da Câmara”. No Rio de Janeiro, foi Soldado, Capitão, Sargento-Mor e Tenente-Coronel (“vencendo soldo, de oitenta mil réis mensais”, pago até alguns anos após à proclamação da República). Em Portugal , parece que serviu no Regimento de Infantaria de Peniche, com o posto de alferes, e no Regimento de Infantaria de Cascais, onde não tendo graduação militar efectiva, era capitão-honorário.

Uniformes do exército. Lanceiros e Caçadores a cavalo 1848-1856.

No contador de visitas pude observar que muito internautas procuram imagens dos uniformes do exército português. Tenho a sorte de ter sido brindado com a oferta de algumas infogravuras de Sérgio Veludo Coelho, as quais, com a sua autorização, irei partilhar neste blog durante algum tempo.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Quartel de Lagos.



















Lapide existente por cima da porta que albergava as companhias do regimento.
*
* *
«No felice reinado da Rainha N.S.
D. Maria I
Sendo G.or e Cap. General deste R.O Conde de Val de Reis
Joze fulgencio de Mendonça e Moura
do Conselho de Sua magestade , Gentil-Homam da Camara do Principe N.S. e deputado da junta dos Tres Estados, se restabeleceu e reedificou este trem ,construindo de novo este armazem , os dois lateraes fronteiros à officina de serralharia a nascente, dando-se a nova structura interior aos outros armazens e officinas de carpintaria que não tem do seu antigo estado senão as paredes e arcos que se acham em principios de ruina nos annos de 1793 e 1794 »

terça-feira, 13 de maio de 2008

Há 200 anos. 13 de Maio.

É estabelecida por Carta de Lei a Ordem da Torre e Espada.



A Ordem Militar da Torre e Espada foi criada no Rio de Janeiro, pelo Príncipe-Regente D. João, para comemorar a chegada ao Brasil da Família Real, sendo destinada a galardoar serviços prestados à Coroa. Entre os primeiros agraciados com a ordem contam-se o Almirante e os oficiais da Esquadra da Marinha de Guerra Britânica que asseguraram a protecção na viagem da Família Real e da Corte para Brasil. Por não serem católicos, aqueles súbditos britânicos não podiam ser agraciados com qualquer das antigas ordens militares portuguesas e, daí, a criação da nova ordem de cavalaria. No decreto da fundação da ordem refere-se porém a sua origem mítica na Ordem da Espada que teria sido criada em 1459, por D. Afonso V e que teria permanecido «dormant» durante vários séculos.
Muitos oficiais do Exército Português e Inglês seriam agraciados com a Ordem durante a guerra peninsular.


Imagem do diploma com as figuras das insignias, coloridas manualmente .


Carta de Lei de 29 de Novembro de 1808



Instaura e renova a Ordem da Torre e Espada.

« D. João, por graça de Deus, Principe Regente de Portugal e dos Algarves, etc.: Faço saber aos que a presente Carta de Lei virem, que tendo sido instituidas e creadas as diversas Ordens de Cavallaria em todas as idades, não só para marcar na posteridade as epocas mais faustas e assignaladas, em que se obraram acções heroicas, e feitos gloriosos em proveito e augmento dos Estados, mais tambem para premiar distinctos serviços militares, politicos e civis, sendo esta moeda da honra a mais inexhaurivel, e a de mais subido preço para estimulo de acções honradas; e havendo sido por estes ponderosos motivos creadas as que ha nesta Monarchia; mas não podendo bastar, porque tendo-se-lhes unido instituições e cerimonias religiosas, não quadram aos estrangeiros de diversa crença e communhão, merecedores de premios desta natureza: querendo eu não só assignalar nas eras vindouras esta memoravel epoca, em que aportei felizmente a esta parte importantissima dos meus Estados, os quaes por meio deste grande e extraordinario acontecimento e pela immensa riqueza dos thesouros que lhes prodigalisou a natureza e pela liberdade e franqueza do Commercio que fui servido conceder aos seus naturaes, hão de elevar-se a um gráo de consideração mui vantajoso: desejando outrosim premiar os distinctos serviços de alguns illustres estrangeiros, vassallos do meu amigo e fiel alliado El-Rei da Gram-Bretanha, que me acompanharam com muito zelo nesta viagem: considerando que a única ordem puramente politica e de instituição portugueza é a que foi creada na era de 1459 pelo Senhor Rei D. Affonso V, de muito illustre e esclarecida memoria, denominado o Africano, com o titulo de Ordem da Espada, para celebrar o ditoso acontecimento da conquista que emprehendera: e que com a renovação della se enchem os ponderosos e uteis fins de assignalar o feliz acontecimento da salvação da Monarchia e da prosperidade e augmento deste Estado do Brazil, e de premiar tambem aquelles meus vassallos, que preferiram a honra de acompanhar-me a todos os seus interesses, abandonando-os para terem a feliz dita de me seguirem: fui servido instaurar e renovar a sobredita Ordem da Espada por Decreto de 13 de Maio do corrente anno, que se publicará com esta minha Carta de Lei, e para dar-lhe mais estabilidade e esplendor, tendo ouvido o parecer de pessoas mui doutas, e mui zelosas do meu real serviço e da felicidade desta Monarchia, hei por bem determinar o seguinte:
I. A mencionada Ordem ficará designada com o nome da Torre e Espada, sendo eu o Gram-Mestre della; e Gram-Cruz Commendador Mór o Principe da Beira; Gram-Cruz Claveiro o Infante D. Miguel, meus muito amados e prezados Filhos; e Gram Cruz Alferes o Infante D. Pedro Carlos, meu muito prezado sobrinho; e me praz outrosim determinar que para o futuro serão sempre Grans-Mestres os Senhores Reis desta Monarchia, e Grans-Cruzes os Principes e Infantes, sendo Commendador Mór o successor presumptivo da Coroa e Claveiro o mais velho dos Infantes e Alferes o que se lhe seguir.
II. Terá a mesma Ordem, além dos sobreditos, mais doze Grans Cruzes, seis effectivos e seis honorarios, os quaes passarão por antiguidade a effectivos na morte de algum delles. Serão os nomeados para ella pessoas da maior representação e a quem já competia o tratamento de Excellencia pela graduação em que estiverem; e caso o não tenham, pela nomeação de Gram-Cruz lhes ficará pertencendo.
III. Poderão ser elevados a esta dignidade aquelles dos meus vassallos que mais se tiverem avantajado no meu real serviço por acções de alta valia na carreira militar, tanto no meu Exercito de terra, como de mar e na politica e civil, ficando reservado ao meu real arbitrio o avaliar a qualidade de serviços que merecem esta honrosa recompensa.
IV. Haverá oito Commendadores effectivos; e honorarios os que eu houver por bem nomear; os quaes irão passando para effectivos quando vagar alguma commenda por fallecimento de algum Commendador, segundo a antiguidade de suas nomeações. Serão as Commendas igualmente conferidas por serviços relevantes que me tenham sido feitos por pessoas distinctas por empregos militares e politicos.
V. Os Cavalleiros desta Ordem serão tambem pessoas de merecimento relevante e empregadas no meu real serviço; e só se farão estas mercês em recompensa de serviços, sem que seja licito a alguem premiado com a Venera desta Ordem renunciar em outro a mercê que lhe foi feita. Os seis primeiros que forem nomeados Cavalleiros desta Ordem, terão uma tença de 100$000, e por morte de algum delles succederá na tença o que preceder em autiguidade.
VI. A insignia desta Ordem será uma chapa de ouro redonda que terá de um lado a minha real effigie e no reverso uma espada com a letra – Valor e Lealdade – para os simples Cavalleiros: e para os Commendadores e Grans-Cruzes terá mais uma torre no cimo della; e poderão na casaca usar de chapa, em que tenham a espada, a torre e a legenda acima referida.
VII. As medalhas serão pendentes de fita azul, e os Grans-Cruzes trarão por cima da casaca ou farda, bandas da mesma côr e um collar formado de espadas e torres, sobre ellas nos dias de Côrte e grande gala; e nos mais dias trarão só as bandas por cima da vestia, como é determinado e praticam os Grans-Cruzes, Commendadores e Cavalleiros das tres Ordens Militares; e os collares e chapas serão conformes aos padrões que vão desenhados.
VIII. As Grans-Cruzes, por fallecimetno dos que as tiveram, serão entregues ao meu Ministro de Estado dos Negocios do Brazil para me fazer entrega dellas; e por elle mesmo serão remettidas áquelles a quem eu houver por bem conferil-as.
IX. Sendo o fim principal da renovação desta Ordem o premiar as grandes acções e serviços que se me fizerem, hei por bem estabelecer seis Commendas para os seis Grans-Cruzes effectivos que hão de consistir em uma doação de duas legoas de raiz, ou quatro quadradas de terra cada uma, e oito Commendas de legoa e meia de raiz, ou duas e um quarto quadradas para os Commendadores.
X. Estas Commendas constarão da quantidade do terreno acima dito que estiver inculto e desaproveitado e absolutamente por cultivar, e em que nenhum dos meus vassallos tenha dominio ou posse, ou qualquer outra pretensão.
XI. Por morte dos Commendadores passarão ellas para aquelle a quem eu fizer mercê, com todos os augmentos que tiverem; e aos Commendadores será licito aforarem parte do terreno das Commendas a colonos brancos para augmento da agricultura e povoação, percebendo o foro e ficando com todos os direitos e faculdades que teem os senhores directos em qualquer aforamento.
XII. Vagando alguma Commenda por morte do Commendador, ou porque seja privado della por sentença proferida legalmente por delicto, por que a deva perder, o Magistrado do logar em que ella for situada, fazendo logo uma legal arrecadação, me dará conta pelo Presidente do meu Real Erario; e pelo mesmo Magistrado se mandará administrar, emquanto estiver vaga e até que seja de novo conferida pela maneira estaelecida pelas minhas Leis e mais reaes disposições.
XIII. O total destas Commendas ha de constituir o patrimonio da Ordem; e para se estabelecerem, precederão informações das diversas Capitanias deste Estado, para se conhecer onde ha terrenos incultos e desaproveitados que convenham para esta instituição, cujo regimen se estabelecerá melhor nos Estatutos, que mando formar para esta ordem.
XIV. Em cada anno no dia 22 de Janeiro, em memoria daquelle em que aportei a estes Estados, se celebrará a festa da Ordem pela maneira que eu houver por bem regular.
XV. Hei por bem encarregar o exame, decisão e expediente dos negocios desta Ordem á Mesa da Consciencia e Ordens que entenderá nelles pela mesma fórma e maneira por que o faz nos das mais ordens.
XVI. Os Cavalleiros, a quem eu fizer mercê da Insignia desta Ordem, depois de tirarem as suas Provisões, se apresentarão em uma das casas do mesmo Tribunal e prestado o juramento de valor e lealdade, lhes lançará um Cavalleiro, ou Commendador da referida Ordem, a insignia com assistencia de mais dous, lavrando-se disso termo em um livro que haverá para este fim.
XVII. Os privilegios desta Ordem serão os mesmos de que gozam os Grans-Cruzes, Commendadores e Cavalleiros das tres ordens militares; e terão por seu Juiz que se denominará dos Cavalleiros da Ordem da Torre e Espada, um Magistrado de distincta graduação que deverá ser commendador, ou Cavalleiro da mesma Ordem.
XVIII. Os Grans-Cruzes devem preceder aos Commendadores, quando aconteça concorrerem juntos; e entre si serão precedidos pelas Dignidades, segundo a graduação acima exposta e cada um pela sua antiguidde na concessão e mercê da Gram-Cruz.
XIX. Devendo ter esta Ordem Estatutos apropriados para o seu regimen e não convindo que se façam senão depois de creadas e estabelecidas as Commendas; ordeno que pelo meu Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Brazil se expeçam ordens para os Governadores das diversas Capitanias deste Estado, afim de que informem os terrenos que ha nas suas Capitanias baldios e que nunca fossem possuidos, e com as cirmstancias necessarias para o estabelecimento destas Commendas: e outrosim que formadas ellas e organisado tudo o mais que convém, se formem os Estatutos para firmeza e bom governo desta Ordem.
E esta se comprirá, como nella se contém. Pelo que mando á Mesa do Desembargo do Paço, e da Consciencia e Ordens; Presidente do meu Real Erario; Regedor da Casa da Supplicação do Brazil; Conselho da minha Real Fazenda; Governador da Relação da Bahia; Governadores e Capitães Generaes e mais Governadores do Brazil, e dos meus Dominios Ultramarinos; e a todos os Ministros de Justiça e mais pessoas, a quem pertencer o conhecimento e execução desta Carta de Lei, que a cumpram e guardem e façam inteiramente cumprir e guardar como nella se contém, não obstante quaesquer Leis, Alvarás, Regimentos, Decretos ou ordens em contrario; porque todos e todas hei por derogados para este effeito sómente, como se delles fizesse expressa e individual menção, aliás ficando sempre em seu vigor; e ao Doutor Thomaz Antonio da Villanova Portugal, do meu Conselho, Desembargador do Paço e Chanceller Mór do Brazil, mando que a faça publicar na Chancellaria, e que della se remettam cópias a todos os Tribunaes, cabeças de Comarcas e Villas deste Estado: registrando-se nos logares, onde se costumam registrar semelhantes Cartas, remettendo-se o original para o Real Archivo, onde se houverem de guardar os das minhas Leis, Regimentos, Cartas, Alvarás e Ordens. Dado no Palacio Rio de Janeiro em 29 de Novembro de 1808.
PRINCIPE com guarda.
D. Fernando José de Portugal.
Carta de Lei pela qual Vossa Alteza Real ha por bem instaurar e renovar a Ordem da Espada, e crear Grans-Cruzes, Commendadores e Cavalleiros para ella, e dar providencias para o seu estabelecimento; na fórma acima exposta.
Para Vossa Alteza Real ver.
Joaquim Antonio Lopes da Costa a fez.»

segunda-feira, 12 de maio de 2008

..an air, and a je ne sais quoi,...

Francis Seymour Larpent (Judge-Advocate ) escrevia a 23 de Agosto de 1813.

«Nothing can look better than the condition of the Portuguese troops. They are cleaner than our men; or look so, at least. - They are better clothed now by far, for they have taken the best care of their clothes; they are much gayer, and have an air, and a je ne sais quoi, particularly the Caçadores both the officers and private men, quite new in a Portuguese. It is curious to observe the effects of good direction and example, how soon it tells. »

Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 241

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Iean IV. Roy de Portugal et Algarbes

[1375905] AUBRY, Pierre, 1610-1686
Iean IV. Roy de Portugal et Algarbes [Visual gráfico]. - [Strasbourg?] : Peter Aubry excudit [entre 1640 e 1686]. - 1 gravura : buril, p&b ; 17x11 cm (matriz) http://purl.pt/13709. - Autoria interrogada. - Data provável segundo conjugação da biografia do retratado e período de actividade do gravador. - Dim. f.: 23x16 cm PTBN E. 28 P.. - Bnf - Inventaire du fonds français, XVIIe siècle, t. I, p. 93. - Soares, E. - Dic. de icon., n.º 4150-F). - Soares, E. - Inv. da col. de est., p. 6, n.º 28
in Biblioteca Nacional

Divisão do Exército em Brigadas e Divisões. Alvará de 19 de Maio de 1806.

Em 1806, o exército foi pela primeira vez reorganizado e modernizado, mesmo em tempo de paz, em divisões e brigadas, e os Corpos das diversas armas numerados, devendo tal numeração regular de futuro o seu lugar constante na linha, abolindo as designações anteriores e numerando os diversos regimentos das diversas armas, de modo a formar na linha por ordem numérica e não pela antiguidade, ou graduação do seu chefe.
Ao mesmo tempo se aboliram as designações anteriores numeraram-se os diversos regimentos das diversas armas. Nos termos do decreto « ...os Corpos das diversas Armas, que o compõem, sejam numerados,..
O exército regular formava assim três grandes Divisões, denominadas do Norte, Centro e Sul, dependendo cada uma delas dos respectivos comandos regionais.
A reserva era formada pela Legião de Tropas Ligeiras organizada com base nas tropas de caçadores. Esta legião, não seria numerada, “porque, pela qualidade do seu serviço, não lhe pertence lugar na linha tomando o lugar que lhe for destinado pelo general comandante”.
ALVARÁ DE 19 DE MAIO DE 1806.

«Convindo muito ao Meu Real Serviço; para estabelecer a boa Ordem e regularidade da Disciplina do Exercito, que ele seja organizado mesmo em tempo de paz em Brigadas e Divisões, e que os Corpos das diversas Armas, que o compõem, sejam numerados, a fim de que por essa numeração tenha cada um para o futuro o seu lugar constante na Linha, sem que dependa para isto da Graduação e Antiguidade do Chefe ,que o comanda. Por todos estes motivos, Hei por bem a este respeito Determinar o seguinte :
I. O Exercito será formado em três Divisões, com as denominações seguintes: Divisão do Sul, Divisão do Centro, Divisão do Norte.
II. Cada Divisão será composta de oito Regimentos de Infantaria, divididos em quatro Brigadas, quatro Regimentos de Cavalaria e um de Artilharia , exceptuando a Divisão do Sul, que compreenderá dois Regimentos dessa Arma.
III. Os Regimentos de Infantaria serão numerados de um até vinte e quatro; os de Cavalaria , de um até doze; e os de Artilharia , de um até quatro, e esses números serão distribuídos promiscuamente pelos Corpos das três Divisões.
IV. A composição de cada Divisão será portanto da seguinte maneira:
A Divisão do Centro será composta dos Regimentos de Infantaria, N.º 1 Lippe, N.º 4 Freire, N.º 7 Setúbal, N.º 10 Lisboa, N.º 13 Peniche, N.º 16 Vieira Telles, N.º 19.° Cascais, N.º 22 Serpa; dos de Cavalaria, N.º 1. Alcântara, N.4 Mecklemburg, N.º 7.° Cais, N.º 10 Santarém ; do de Artilharia, N.º 1.° da Corte.
A Divisão do Sul será composta dos Regimentos de Infantaria, N.°2 Lagos, N.º 5 Primeiro de Elvas, N.º 8 Castelo de Vicie, N.º 11 Penamacor, N.º 14 Tavira, N.º 17 Segundo de Elvas, N.º 20 Campo Maior, N.º 23 Almeida; dos de Cavalaria, N.º 2 Moura, N.º 5 Évora, N.º 8 Elvas, N. ° 11 Almeida; dos de Artilharia, N.º 2 Algarve, N.º 3 Estremoz.
A Divisão do Norte será composta dos Regimentos de Infantaria, N.º 3 Primeiro de Olivença, N.º 6 Primeiro do Porto, N.º 9 Viana, N.º 12 Chaves, N.º 15 Segundo de Olivença, N.º 18 Segundo do Porto, N.º 21 Valença, N.º 24 Bragança; dos de Cavalaria, N.º 3 Olivença, N.º 6 Bragança, N.º 9 Chaves, N.º 12 Miranda; do de Artilharia, N. ° 4 do Porto.
V. Na Divisão do Centro os Regimentos N.ºs 1 e 13 comporão a Primeira Brigada ; N.ºs 4 e 16 comporão a Segunda; N.ºs 7 e 19 comporão a Terceira; N.ºs 10 e 22.° comporão a Quarta.
VI. Na Divisão do Sul os Regimentos N.ºs 2 e 14 comporão a Primeira Brigada; N.ºs 5 e 17 comporão a Segunda; N.ºs 8 e 20 comporão a Terceira; N.ºs 11 e 23 comporão a Quarta.
VII. Na. Divisão do Norte os Regimentos N.ºs 3 e 15 comporão a Primeira Brigada ; N.ºs 6 e 18 comporão a Segunda; N.ºs 9 e 21 comporão a Terceira; N.ºs 12 e 24 comporão a Quarta.
VIII. Os Corpos entrarão na Linha dos Lados para o Centro pela ordem da sua numeração, e afim mesmo entrarão as Brigadas pela sua numeração dos Lados para o Centro, quando a Linha for mandada formar por Brigadas. . .
IX. O Corpo da Legião de Tropas Ligeiras que pela presente Organização não fica numerado; porque pela qualidade do seu Serviço não lhe pertence Lugar na Linha de mistura com os outros Corpos; quando por qualquer motivo concorrer a ela, tomará o lugar, que lhe for definido pelo General Comandante.
O Conselho de Guerra o tenha afim entendido e mande expedir as Ordens necessária, para que tenha a rua devida execução. Palácio de Queluz em dezanove de Maio de mil oitocentos e seis.
"Com a Rubrica do PRÍNCIPE REGENTE N. S.
»

Os diplomas e textos inseridos no blog são excertos, necessariamente resumidos, do livro (perdoe-se-me a publicidade em causa própria), O exército português na Guerra Peninsular, vol 1.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Santo António, o mais famoso militar do regimento de Lagos. Parte 1

Durante a Guerra da Restauração (1640-1668), a fé dos soldados portugueses atribuía a Santo António muitos dos êxito das acções militares, de tal modo que D. Pedro II, por alvará de 24 de Janeiro de 1668, determinou que, “por tão patriótico serviço”, fosse alistado como praça no Regimento de Infantaria de Lagos.
No dia 12 de Setembro de 1683, D. Afonso VI promoveu Santo António ao posto de capitão.
Em 25 de Março do ano de 1777, D. Hércules António Carlos Luís Joseph Maria de Albuquerque e Araújo de Magalhães Homem, major comandante do regimento de Lagos, lavrava em auto e endereçava ao rei pedido para que o santo fosse promovido a major. Está registado: “certifico que não existe alguma nota relativa a Santo António, de mau comportamento ou irregularidade praticada por ele: nem de ter sido em tempo algum açoitado, preso, ou de qualquer modo punido durante o tempo que serviu como soldado raso no regimento: Que durante todo o tempo, em que tem sido capitão, vai quase para cem anos, constantemente cumpriu seu dever com o maior prazer à frente de sua companhia, em todas as ocasiões, em paz e em guerra, e tal que tem sido visto por seus soldados vezes sem número, como eles todos estão prontos para testemunhar: e em tudo o mais tem-se comportado sempre como fidalgo e oficial: e por todos estes motivos acima referidos considero-o muito digno e merecedor do posto de major agregado ao nosso regimento, e de quaisquer outras honras, graças ou favores que aprouver a S. M. conferir-lhe. Em testemunho do que assinei meu nome, hoje 25 de Março do ano N. S. J. C. 1777. Magalhães Homem”.
No posto de capitão, Santo António recebia um soldo de 10.000 réis, que lhe foi abonado até 1779, ano em que passou a vencer o de 15.000 réis, como consta do livro de vencimentos e de vários mapas do regimento, existentes no Arquivo Histórico Militar. Como capitão ia sendo abonado o Santo dos soldos que competiam à sua patente, soldos que eram pontualmente entregues à irmandade de Santo António, até que o Marquês de Pombal determinou que deixassem de o ser, continuando o santo-capitão a “servir” gratuitamente. Mas logo no reinado seguinte de D. Maria I, o coronel do Regimento de Lagos, requeria, em Janeiro de 1780, que ao seu capitão Santo António fossem pagos os soldos em atraso e ainda (em virtude de o referido capitão, “o mais antigo dos reais exércitos”, se achar, de há muito, preterido na promoção) que o mesmo fosse promovido a tenente-coronel.
Em 1807, durante a invasão napoleónica, o próprio general Junot, comandante dos exércitos franceses, ao examinar os livros de matrícula do Regimento de Lagos, ordenou que continuasse a ser pago ao Santo oficial o devido soldo, como atesta o seguinte documento: “Sendo da Minha particular Devoção o Glorioso Santo António, a Quem o Povo d’esta Côrte, incessantemente e com a maior Fé, dedica os seus votos, e tendo o Céo abençoado os esforços dos Meus Exercitos com a Paz que se Dignou Conceder a Monarchia Portugueza, Crendo Eu piamente que a efficaz intercessão do mesmo Santo, ten concorrido para tão felizes resultados, Hei por bem que se eleve ao Posto de Tenente Coronel de Infantaria, e que pelo Thesouro Geral das Tropas d’esta Côrte se pague o competente Soldo d’esta Patente, na conformidade do que se tem praticado com o da Patente de Sargento-Mór, concedida por Decreto de 14 de julho de 1811. O Conselho Supremo Militar o tenha assim intendido e faça n’esta conformidade expedir os Despachos necessários. Palácio do Rio de Janeiro em 26 de julho de 1814. Com a rubrica do Principe Regente”.

Sobre ele escreveu Foy (general Francês) nas suas memórias.

«This story passed for fact during the reign of John V. Doubts began to be thrown upon it in Pombal's administration. The saint nevertheless retained his rank. On the accession of Queen Mary, the Colonel of the regiment of Lagos stated in a memoir, supported by documents, that St. Anthony was the oldest captain, not only in that corps, but in the whole army, and that in fact, he had then been a captain ninety years. After such a length of service, he thought the least that could be done was to appoint him major : but the court did more, and by a royal decree of the month of January 1780, St. Anthony of Padua received a commission of general officer. This promotion was purely honorary. The general's name remained inscribed in the list of the regiment of Lagos as captain, and his annual pay of three hundred thousand reais, (about 801. sterling,) as fixed by Don Pedro II., continued to be received in his name. This sum was expended in decorating his chapel, and defraying the cost of his festival. After the invasion of Portugal by the French in 1 807, General Junot desired to have a statement of the brevets, commissions, and services of St. Anthony. He was determined not to be less generous to him than the sovereigns of Portugal had been ; the pay of the old captain of Lagos was scrupulously delivered to the colonel till the moment when, by the new organization of the Portuguese army, the regiment ceased to exist

Maximilien Foy, History of the War in the Peninsula, Under Napoleon, 1827, p.238
Esta imagem de Santo António encontra-se actualmente na capela de N.ª Sr.ª da Vitória, dentro do recinto do Museu do Bussaco. A imagem acompanhou o regimento nº 19 (Cascais) , durante a guerra peninsular, sendo por isso que ostenta ao peito a medalha da Guerra Peninsular. Outra imagem que foi condecorada com a medalha da Guerra peninsular foi a Nossa Senhora do Carmo que se encontra em Valença.

Aniversário do fim da segunda guerra Mundial na Europa.

Hoje comemora-se o fim da segunda guerra mundial na Europa. Sendo uma das mais importantes datas da história do séc. XX e da história militar, não poderia deixar de a trazer ao Lagos Militar.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Lagos antes da construção da Avenida.

Pintura de Jaime Murteira.(1910-1986).
Pintura de coleção particular, cuja utilização agradecemos.

1 de Maio de 1808. Cronologia da Guerra Peninsular.

Como motivo da comemoração dos 200 anos da Guerra Peninsular (1808-1814) , irei dar inicio a um conjunto de posts relembrando as datas mais importantes da Guerra Peninsular, sempre que possível no dia respectivo.
Esta primeira série já vai com uns dias de atraso, por uma ausência minha.

Começamos pois, pelo primeiro dia de Maio, por ser o dia em que Portugal declara oficialmente a Guerra à França de Napoleão.
1 de Maio de 1808 -O Príncipe Regente D. João , já no Rio de Janeiro, declara guerra à França, invadindo a Guiana Francesa. Portugal fora invadido no ano anterior em 20 de Novembro de 1807.
2 de Maio de 1808 -Insurreição contra o exército francês, em Madrid.
5 de Maio de 1808 -É criada a Escola Naval do Rio de Janeiro. Carlos IV e Fernando VII abdicam, em Baiona,da coroa espanhola em favor de Jose Bonaparte, irmão de Napoleão.
Espanha passa a ter como Rei José Bonaparte. Portugal, uma vez que o Rei se encontrava no Brasil, era um Reino invadido. Não havia modo de legitimar a ocupação militar.
A Familia Real Portuguesa ganhara.
Imagem "Fusilamientos del 3 de mayo " de Francisco Goya.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

D. Miguel Pereira Forjaz

ALMEIDA, Francisco Tomás de, 1778-1866 D. Miguel Pereira Forjaz Coutinho... [Visual gráfico / D. Esquioppeta pinxit. ; F. T. de Almeida sculp. ; F. Bartolozzi corregio.. - [S.l. : s.n., ca 1813]. - 1 gravura : água-forte e ponteado, p&b http://purl.pt/5211. - Data baseada em dados biográficos do retratado e de Bartolozzi. - Dim. da comp. sup.: 19,9x16,7 cm; dim. da comp. inf.: 9,3x9,5 cm. - Soares, E. - Dic. icon., nº 2403CDU 32 Coutinho, Miguel Pereira Forjaz (084.1) 929 Coutinho, Miguel Pereira Forjaz (084.1) 762(=1.469)"18"(084.1)

in Biblioteca Nacional

Dores de Barriga.

«The French will have a difficult job to drive us out, both from the nature of the country, want of provisions and means of transport, and the very improved state of the Portuguese army, which in itself speaks sufficiently for Beresford's exertions, and the propriety of the severe, or rather firm, conduct he went upon from the first.(...) The Portuguese army, notwithstanding the numberless difficulties to which he is constantly exposed, from imbecility and mean contemptible jealousy and intrigue, will be a sufficient testimony. I have no doubt, both in its apparent discipline and conduct before the enemy, whenever it shall be our fortune to meet him. I confess myself rather anxious for the trial. It will show us what Officers are subject to dores de barriga and enable us to get rid of them, and make examples of this worst part of their army, though now there are really many very promising young Officers, and the old ones have in great measure been got rid of. Lord W. as well as every British Officer have been very much, though agreeably, surprised at the state of our troops. I am inclined to think that had they justice done to them in the common comforts, I may say necessaries of life, clothing and food, they would make as good soldiers as any in the world. None are more intelligent or willing, or bear hardships and privation more humbly.»


William Warre, Letters From The Peninsula: 1808-1812, pag 61