terça-feira, 29 de julho de 2008

Há 200 anos. 29 de Julho 1808. O Saque e chacina de Évora.


«Dia horroroso! Não me demorarei em contar as suas atrocidades. O sucesso não podia ser duvidoso; mas não foi senão depois de muitas horas de carniceria que os franceses ficaram senhores das ruas e das praças daquela infeliz capital, todas desertas de vivos, mas cobertas de cadáveres. Entraram então pelas casas e pelos templos, exercitando por toda a parte as suas crueldades, e conduziram ainda 140 vítimas para o Prado, onde foram barbaramente assassinados na noite imediata. E vós, magistrados, vós, soldados, que tanto tínheis forcejado para conter o povo, que remorsos não sentistes, ao ouvir os lamentos destes desgraçados, ao ver o clarão das tochas que alumiavam o suplício.»

José ACÚRSIO DAS NEVES
“...no dia fatal de 29 de Julho fomos atacados pelo numeroso exercito de nove para dez mil homens francezes, commandados pelo general em chefe conde do Imperio, Loison, [...] Corri para a minha cathedral e no meio do confuso alarido, do estrondo dos canhões mandei propôr capitulação; [...] Então foi que elles á vista das minhas humilhações e supplicas deram indicios de que mudavam o parecer em que vinham [...]”

Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas

«O assalto e a ocupação de Évora pelo exército francês foi talvez o episódio mais atroz da Guerra Peninsular ocorrido em território português. »

Excerto retirado do interessante trabalho de Manuel Canaveira - MNEMOHISTÓRIA DA GUERRA PENINSULAR: Frei Manuel do Cenáculo e a ocupação de Évora pelo exército de Loison (Julho/Agosto de 1808)

Évora
Combate de Évora, entre uma divisão francesa, comandada pelo general Loison, e forças regulares portuguesas e espanholas. Francisco de Paula Leite envia para Montemor-o-novo 150 infantes, 50 cavalos, 4 peças e dois obuses sob o comando do coronel Aniceto Simão Borges, sendo mais tarde reforçado por mais 400 infantes e duas peças . As forças aliadas são dispersadas e o exército francês saqueia a cidade, provocando uma chacina no qual morreram cerca de mil pessoas, quer em combate, quer em posteriores execuções sumárias. Entre as vitimas contava-se D. Jacinto Carlos da Silveira, antigo bispo do Maranhão.



Forças militares envolvidas na defesa de Évora
Portuguesas.

Legião de voluntários de Estremoz 380 homens
Companhia de miqueletes de Vila Viçosa 100
Companhia de caçadores de Évora 100
Companhia de cavalaria de Évora 60
Companhia de cavalaria organizada com éguas 60
Total 700

Espanholas
Legião de voluntários 400
Duas companhias de granadeiros 200
Uma companhia de tropas ligeiras 100
Cavalaria 250
Artilharia a cavalo 90
Artilharia de guarnição 30
Total 1.070

In Accursio das Neves

Não contabilizadas por este autor.
Restos de infantaria 3 e Artilharia do regimento nº3.

Sobre o combate de Évora ver nestes links

domingo, 27 de julho de 2008

Lagos- Armazém do Espingardeiro.


A Oficina do Espingardeiro localiza-se na secção meridional do burgo medieval de Lagos, sendo, mesmo, um dos mais interessantes edifícios pré-pombalinos da cidade.
Edifício construído em 1665 [constante de uma inscrição colocada no edifício] pelo Conde de Avintes, Governador do Reino do Algarve , e que marca os derradeiros momentos do primeiro mandato de Nuno da Cunha Ataíde, enquanto Governador da Praça Forte de Lagos. Funcionou inicialmente como selaria integrada no complexo de edifícios designados por Quartel da Coroa e posteriormente como oficina do espingardeiro, e até há pouco tempo como armazém.
De planta quadrangular [igualmente relacionável com a do Armazém Regimental] com vãos de acesso nas duas fachadas voltadas para a via pública, apresentando em pedra o escudo real e a chancela do Conde [de Avintes] no cunhal de cantaria aparelhada. Apresenta ainda um telhado de tesouro. O interior apresenta um espaço bastante amplo (com uma área de aproximadamente 160m2).

Ao longo dos séculos teve outras funcionalidades, opções que, todavia, não contribuíram para uma substancial alteração da sua traça original.

Por esta data, e pelas muitas semelhanças construtivas para com o Armazém Regimental, na Praça principal da cidade, é possível perceber serem edifícios integrados no mesmo processo de desenvolvimento e racionalização das estruturas de apoio à guarnição militar, analogia reforçada pela presença de uma pedra heráldica, em tudo semelhante à que identifica a ampla fachada do Armazém Regimental, sobrepujada por um brasão com as armas de Portugal.

Ao longo dos séculos, as diversas funcionalidades de selaria, oficina e arrecadação determinaram uma progressiva degradação do imóvel, o qual actualmente se encontra a ser recuperado.
Imagens antes e depois dos restauros.

Há 200 anos. 27 de Julho 1808

Chega a Londres uma deputação da Junta do Porto a solicitar auxílio financeiro e armamento contra os franceses.
Publica-se no Porto a periódico mensal "O Leal Português".

sábado, 26 de julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Há 200 anos. 25 de Julho 1808



A sublevação em Évora e outras terras do Alentejo forçam a envio de forças militares francesas ,de Lisboa com destino a Évora, comandadas pelo general Loison [o maneta].

Louis Henri Loison 1771/ 1816
(General de Divisão)
Conde do Império.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Há 200 anos. 22 de Julho 1808. Bicentenário da batalha de Bailén.

Bicentenário da batalha de Bailén.


Em Espanha.
O exército francês comandado por Dupont, cercado em Bailén, no sul de Espanha, desde o dia 19, e após um pequeno combate, rende-se ao exército espanhol, comandado pelo general Castaños * ( que recebeu o titulo de Duque de Bailén).
É a primeira grande derrota das águias Imperiais , após 7 anos de vitórias que deram a fama aos franceses de invencíveis. A batalha teve o seu inicio a 19 de Julho, Dupont capitula a 20 e rende-se a 21. O efeito moral desta derrota do exercito frances teve consequencias dentro das suas fileiras, e levantava o animo aos inimigos da França, pois mostrava que os exercitos imperiais não eram invenciveis. Era o início da úlcera.

Em Portugal.
Decreta-se a organização total do Exercito, dividido em dois corpos comandados par Pinto Bacelar e Bernardim Freire de Andrade.



* Francisco Javier Castaños Aragorri Urioste y Olavide, 1º Duque de Bailén.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Há 200 anos. 20 de Julho 1808

Julho, 20
-José Bonaparte nomeado rei de Espanha pelo irmão Napoleão, chega a Madrid.
-Depois de cometerem todo o tipo de desacatados, as forças do general Loison [o maneta] regressam a Lisboa.
-Chega a Corunha, Espanha, a expedição militar inglesa sob o comando de Sir Arthur Wellesley.
-Évora insurge-se e forma uma junta suprema presidida por Frei Manuel do Cenáculo.



« D.Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas Anes de Carvalho nasceu em (Lisboa, a 1 de Março de 1724, tendo vindo a falecer em Évora, a 26 de Janeiro de 1814).
Era de origem modesta e professou na Ordem Terceira de São Francisco. Estudou na Universidade de Coimbra, onde veio também a ser professor e membro da Junta Reformadora da Universidade, onde desempenhou um importante papel na reforma do ensino naquela instituição. Foi indicado à presidência da Real Mesa Censória pelo Marquês de Pombal, a quem sugeriu a criação biblioteca nacional. Em 1770, o Papa Clemente XIV resolveu restaurar a antiga Diocese de Beja, escolhendo Frei Manuel do Cenáculo para seu primeiro Bispo. Em Beja a sua acção pastoral ficou marcada pela organização da restaurada diocese e pela promoção da disciplina do Clero. Foi ainda naquela cidade que D.Manuel do Cenáculo juntou uma importante colecção de peças arqueológicas, tendo sido o pioneiro dos museus em Portugal. A sua carreira eclesiástica não se ficou por primeiro Bispo da restaurada Beja, pois em 3 de Março de 1802, D.Manuel do Cenáculo foi nomeado para Arcebispo Metropolitano de Évora, já com 72 anos de idade. Em Évora teve de suportar todos os desmandos das Invasões Francesas, especialmente da primeira, que devastou humana, cultural e materialmente as suas cidade e arquidiocese. Foram assassinadas centenas de pessoas, entre populares, sacerdotes e até o próprio Bispo Auxiliar da Arquidiocese, D.Jacinto Carlos da Silveira (que veio a ser sepultado na famosa Capela dos Ossos do Convento de São Francisco.) Para além disto D.Manuel do Cenáculo assistiu ao roubo de inúmeras peças de ourivesaria da Catedral e de todas as igrejas, não tendo a hecatombe sido maior porque o próprio Arcebispo interveio junto dos invasores. A D.Manuel do Cenáculo Évora deve ainda a fundação da Biblioteca Pública, cujas primeiras colecções foram os livros privados do culto Arcebispo
Biografia detalhada no Instituto Camões (AQUI)

Há 200 anos. 19 de Julho 1808

Julho, 19 - Novos tumultos em Bragança contra as autoridades ali estabelecidas.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Há 200 anos. 16 de Julho 1808


Julho, 16 - Forças militares portugueses, compostas de tropas regulares e de milicianos, comandadas pelo tenente-coronel Francisco de Magalhães Pizarro, bloqueiam a fortaleza de Almeida.



terça-feira, 15 de julho de 2008

Congresso Internacional BAYLEN 1808-2008.

Celebra-se a 19 de Julho o Bicentenario da Batalha de Bailén. É organizado pela Universidade de Jaén, a Prefeitura de Bailén e o Foro para o Estudo da História Militar em Espanha o congresso Internacional BAYLEN 1808-2008.

Ver aqui.
General Francisco Javier Castaños, vencedor da batalha de Bailén.

FREDERICK DUKE OF SCHONBERG

FREDERICK DUKE OF SCHONBERG Frederick Duke of Schonberg [Visual gráfico ; G. Kneller pinx. ; G. H. fecit. - [S.l.] : Carolus Allard excud., [ca. 1685?]. - 1 gravura : maneira negra, p&b http://purl.pt/6103. - Data provável baseada no período de actividade do editor. - Dim. da matriz: 30,5x24,4 cm. - Soares, E. - Dic. icon. não cita
Biblioteca Nacional

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Há 200 anos. 14 de Julho 1808 Bicentenário da batalha de Medina de Rioseco.


Julho, 14 - Um exército francês, comandado pelo marechal Bessières, derrota os exércitos espanhóis de Cuesta e Blake, em Medina del Rio Seco.
Farda de Capitão General dos Reais Exercitos [Espanha]
Capitan General de los Reales Exercitos
Veja ( AQUI) a recreação da batalha.

domingo, 13 de julho de 2008

Há 200 anos. 12 - 13 de Julho 1808

Julho, 12 - Parte de Inglaterra a expedição de auxílio militar a Portugal comandada par Sir Arthur Wellesley.
Julho, 13 - Sublevação de Évora, por proposta do general Francisco de Paula Leite.





General Francisco de Paula Leite.

Botica Real Militar. 1808. Decreto de 21 de maio de 1808

Com a Corte recém chegada ao Brasil, o Príncipe Regente D. João, por Decreto 21 de Maio de 1808, nomeia Joaquim José Leite Carvalho para boticário do Hospital Militar e da Marinha do Rio de Janeiro, data da criação da Botica Real Militar.Esta data tem-se como a da fundação do actual Laboratório Químico Farmacêutico do Exército
Decreto - de 21 de Maio de 1808

Attendendo á necessidade que ha no Hospital Militar e da Marinha de se manipularem dentro delle os remedios de Botica para que a toda e qualquer hora se acuda aos enfermos com os especificos necessarios: hei por bem nomear a Joaquim José Leite Carvalho, para Boticario do dito Hospital Militar e da Marinha, com o ordenado de 400$000 annuaes, com a obrigação de preparar á sua custa o casco da referida Botica. E outrosim que nella haja mais um Official, que vença por anno 80$000 de ordenado, e 160 réis por dia de comedorias; um aprendiz com o vencimento de outros 160 réis por dia, e um servente com o ordenado e ração de enfermeiro supranumerario, e todos pagos por mez, na forma praticada com as outras despezas do referido Hospital; ficando de nenhum effeito para outro qualquer pagamento, titulo algum, que o referido Boticario apresente, pelos remedios que forneceu para os doentes da Náo "Principe do Brazil" na ultima viagem della, para esta Cidade.
O Presidente do meu Real Erario o tenha assim entendido e faça executar com os despachos necessarios. Palacio do Rio de Janeiro em 21 de Maio de 1808.
Com a rubrica do Principe Regente Nosso Senhor.
«Em 1797 foi publicado o Regulamento do Serviço de Saúde em que, pela primeira vez, o boticário é referido como pharmacêutico. Competia-lhe, entre outras funções, a escolha do local para instalação da botica dentro do hospital, o que corresponde a um extraordinário avanço nas relações entre administradores, médicos e boticários, considerando que, passados dois séculos a situação ainda não é assim tão líquida. Este mesmo Regulamento vem criar o Dispensatório Geral do Exército, substituindo o Arsenal Real do Exército, na função de abastecimento de medicamentos e de material sanitário. Em 1805, novo Alvará Real manda estabelecer, em lisboa e Coimbra, os Dispensatórios Gerais dos Hospitais Militares, que são depósitos com laboratório para a preparação de medicamentos. » Fonte : Portal do Exercito [Portugues]