segunda-feira, 22 de junho de 2009

“Operações Militares no Norte de Portugal durante as Invasões Francesas”


A Área Metropolitana do Porto, o Arquivo Distrital do Porto, o Exército Português e a Associação de Amigos do Arquivo Distrital do Porto organizaram a Exposição “Operações Militares no Norte de Portugal durante as Invasões Francesas”, nas instalações do Arquivo Distrital do Porto, Rua das Taipas, 90, Porto.

sábado, 20 de junho de 2009

Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent

1-3-1813
There is one regiment of the Caçadores that is the constant astonishment of the English. Badly paid, no new clothes for the last two years, almost in rags this winter, and yet scarcely a man has been 'sick. I wish this was the case with them all. Our men are getting their clothes much better than last year, but still many are sick.
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 64

28.6.1813
The 23rd and 11th Portuguese regiments, who behaved in the field on the 23rd as well as any British did or could do, are on the march, though smaller animals, most superior. They were cheerful, orderly, and steady. The English troops were fagged, [half tipsy, weak, disorderly, and unsoldierlike; and yet the Portuguese suffer greater real hardships, for they have no tents, and only bivouac, and have a worse commissariat.
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 168

3.8.1813
(…)The Portuguese behaved in general most inimitably, the 4th, 10th, and 12th regiments in particular. The 10th did, indeed, once give way, but rallied; and the 4th charged twice, I think, on the 27th June, in good English style.-
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 209

21.7.1813
Lord Wellington, talking of the Portuguese, said that it was extraordinary just now, to observe their conduct; that no troops could behave better; that they never had now a notion of turning; and that nothing could equal their forwardness now, and willing, ready them-
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 196

23.8.1813
Nothing can look better than the condition of the Portuguese troops. They are cleaner than our men; or look so, at least. - They are better clothed now by far, for they have taken the best care of their clothes; they are much gayer, and have an air, and a je ne sais quoi, particularly the Caçadores both the officers and private men, quite new in a Portuguese. It is curious to observe the effects of good direction and example, how soon it tells. -
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 241

11.2.1814
Some of our old regiments have scarcely a man in the hospital, except the wounded, and it is astonishing how well some of the Portuguese regiments stand it, who are more exposed than our men. The last month' s rest, and the new clothes, which most regiments have now received, will revive the army amazingly; some who are still without their clothes are, to be sure, absolutely in rags, or like the king of the beggars. -
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 389

18.2.1814-
There are also about six thousand Portuguese ready to join in Portugal, but who remain for want of transport, as I am told: this is unlucky, as they were well-seasoned recruits.It is curious that even latterly, ever since we left the mountains, almost all our advanced troops-the advanced line have been Portuguese; they not only stop our deserters, but go off very much less themselves.
Francis Seymour Larpent, The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 395

13.6.1814-On stopping at the village of Fignan, to give my horses some corn, I was very glad to find the inhabitants regretting the departure of the Portuguese regiment which had been quartered there, as they had behaved so well. They told me the people cried when they crossed the water, and the next day so many soldiers carne back to take another farewell of their new friends, that the officers were compelled to place a guard to prevent it.-
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 545

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Forte da Meia Praia

Aqui fica mais um texto retirado do Correio de Lagos sobre o Forte da Meia-Praia.

"Percurso histórico do Forte da Meia Praia
O forte da Meia Praia deverá ter sido construído entre os anos de 1671 a 1675.Em 1755, os fortes abalos sísmicos arrasaram uma quarta parte da sua extensão ficando rodeado por um areal.
Só depois de quarenta anos passados, a 15 de Setembro de 1796, após os terramotos, foram empreendidas obras de restauro, chegando ao ano de 1821 em bom estado de conservação.Foi abandonado como fortificação, sendo integrado na Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, sem atribuição de valor patrimonial, até 1873. Nesta data, foi cedido à Câmara Municipal de Lagos e esta, por sua vez, cedeu-o à Alfândega de Lagos para ali estabelecer um posto fiscal.O relato histórico atrás referido consta do livro de Carlos Pereira Calisto “História das Fortificações Marítimas da Praça de Guerra de Lagos”, editado pela Câmara Municipal em 1922.A narração que segue tem por fim prosseguir a divulgação do aproveitamento que teve aquele forte, desde 1873 até 25 de Janeiro de 2000, ano em que voltou a ficar abandonado.Assim, tudo indica que desde o ano de 1821 o forte se manteve bem conservado até à cedência à Câmara Municipal em 1873.De referir que ao forte da Meia Praia, durante aquele período de tempo, algo deve ter acontecido que lhe provocou a queda de parte da muralha no canto Sul/Oeste e ainda uma racha a meio da muralha do lado Oeste e outra racha na frente norte e na abóbada do armazém sob o terrapleno do mesmo lado, alterações estas que até a data do abandono, em 2000, ainda se mantinham.Em 1873, a Alfândega ao receber o forte estabeleceu ali um posto fiscal ao lado esquerdo da entrada do mesmo, no terrapleno por cima da casa de habitação do guarda da Alfândega, com 4 divisões: um corredor, dois quartos e uma camarata, ficando o armazém a servir de cozinha, foi guarnecido pela polícia fiscal civil dessa época.Desde esta data (1873), o forte nunca mais esteve abandonado, embora não tenha sofrido qualquer reparação para melhorar a sua apresentação.Em 1922, ficou concluída a linha dos caminhos-de-ferro “Ramal Lagos” que ocupou parte do areal na frente norte do forte.Para permitir o acesso à praia e ao forte, foi ali construída uma passagem de nível, uma casa para o guarda da passagem de nível e um apeadeiro. (Actualmente só existe o apeadeiro e a passagem de nível).Em 1944, foi o posto fiscal entregue à Guarda-Fiscal por cedência da Fazenda Publica, com o valor patrimonial de 5.500$00 (€27,50) inscrito na respectiva matriz.Foi guarnecido com (1) um 2º Cabo e quatro (4 soldados), ficando subordinados à Secção da Guarda-Fiscal de Lagos.O posto fiscal foi sofrendo várias reparações para se manter em condições de funcionamento e conforto para o pessoal que ali prestava serviço.Não tinha luz eléctrica, nem água canalizada, nem telefone. Dispunha de um poço com água potável, existente no recinto interior do forte, que ainda se mantém.Em 1962 sofreu uma reparação mais profunda. Foi colocado um telhado novo; as paredes interiores e exteriores foram rebocadas e caiadas; foi instalado um telefone, luz eléctrica e uma pequena casa de banho em cima da muralha junto à camarata; no poço foi colocada uma bomba manual com volante para tirar a água e elevá-la para um pequeno depósito de fibrocimento colocado em cima da casa de banho; foi construída uma fossa céptica no areal no lado oeste do forte para receber os esgotos da casa de banho que seguiam por um cano instalado na parte superior da muralha e mergulhava na racha existente na abóbada do armazém e saía pela racha da muralha do lado oeste. Do lado sul, foi colocada uma porta de madeira e uma fechadura e o espaço deixado pela queda da muralha foi vedado com fiadas de arame farpado para impedir a entrada de animais e pessoas estranhas.Um pouco mais tarde, foram colocados blocos de cimentos no areal para servirem de passadeira no acesso ao forte. Algum tempo depois, um empreiteiro de obras de construção civil foi despejando carradas de entulho desde o caminho-de-ferro até à parede do forte construindo assim um largo espaço para estacionamento de viaturas que ainda se encontra em bom estado de conservação.Com o tempo, a bomba manual com volante para tirar a água do poço avariou e foi substituída por uma bomba eléctrica. Mais tarde, foi instalada água canalizada da rede pública de abastecimento, por meio de um cano, saindo de próximo do apeadeiro até ao forte, entrando neste pelo canto da muralha do lado esquerdo da porta de entrada.Em 1982 o posto fiscal foi desguarnecido. Contudo não ficou abandonado. O posto fiscal foi adaptado a funcionar como casa de veraneio dos S.S.G.F. até 2/12/85, ano em que voltou a ser guarnecido.Finalmente, em 25/1/2000 foi posto fiscal desactivado e devolvido à Fazenda Pública com auto de entrega na Repartição de Finanças de Lagos.Durante o tempo em que o posto fiscal esteve ocupado, o forte não recebeu do Estado qualquer importância para a sua manutenção.Deixo aqui duas quadras em despedida do Posto Fiscal e do Forte:
O Forte da Meia PraiaQuando lá passardes olhai e vedesSó lá verão as paredesÀ espera que tudo caia
Terá um mais feliz finalCaindo devagarinhoLeva consigo o posto fiscalPara não cair sozinho
Posteriormente, ao abandono do posto fiscal e, por tabela, do forte, por curiosidade fui dar-lhe uma olhadela.Fiquei desolado. Não havia portas nem janelas; tudo vandalizado; tacos e azulejos arrancados e lixo por todo o lado.Num local aprazível, sossegado, donde se pode mirar toda a baía de Lagos, desde a ponta de João de Aréns até à ponta da Piedade merecia melhor sorte.Prevendo-se para breve um grande desenvolvimento turístico para a zona da Meia Praia, poderia aparecer alguém que se interessasse em manter aquela forte assim como a casa que serviu de posto fiscal em boas condições de funcionamento, para não ficar ali um ponto negro no areal da praia que é uma das melhores do nosso país senão da Europa ou do Mundo.Se o forte se manteve sem grande desfiguração durante quase dois séculos e o Estado não tenha gasto ali qualquer verba na sua manutenção, talvez, agora, se pudesse dar-lhe atenção, corrigindo alguns pontos, como erguer a parte da muralha caída, cujos restos deverão estar ali enterrados na areia; completar o terrapleno; tapar as rachas da muralha e da abóbada do armazém; colocar uma porta na entrada do forte; caiar as paredes exteriores e interiores da casa do ex-posto fiscal e torná-la habitável; ligar os esgotos à rede pública.Com um bom acesso de que já dispõe, ficaria ali um ponto turístico a visitar como miradouro ou outras actividades que possam vir a ser implantadas.Se for agora reparado, possivelmente durará ainda mais um século ou dois sem pedir nada à Fazenda Pública para a sua manutenção.J.V.G."

quarta-feira, 17 de junho de 2009

RECRIAÇÃO HISTÓRIA - O EXÉRCITO NAPOLEÓNICO EM MAFRA. UM CONVENTO OCUPADO


No próximo dia 21 de Junho, o Palácio Nacional de Mafra será “ocupado” pelo Exército Napoleónico, evocando o Bicentenário das Invasões Francesas. A Recriação Histórica promovida pela Câmara Municipal de Mafra decorrerá entre as 14h00 e as 16h30, entrada livre.
Para mais informações: http://www.cm-mafra.pt/.

sábado, 6 de junho de 2009

65º aniversário do desembarque da Normandia.

Hoje comemora-se o 65º aniversário do desembarque da Normandia.

O mundo não deve esquecer que a unidade dos homens não se faz com a força, mas pela vontade , que não há homens superiores , há apenas homens.

Dedico este post ao jovens e homens que há 65 anos perante um inimigo formidável, tudo deram para que eu, hoje, possa ser um homem livre numa terra livre.

A todas as nações que se uniram para que a vitoria fosse possivel. Que eu possamos ser dignos do sacrificio de tantos.

A maior honra que se pode dar esta geração, é apoiar todos aqueles que hoje lutam pela paz do mundo e pelos direitos humanos.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Letters From The Peninsula


1812-The conduct of the Portuguese Troops during the whole Siege, and under very trying circumstances, has been most exemplary, particularly their Artillery, which is really very good. It is difficult to say which troops, the British or Portuguese, are the most indifferent to danger. In both it is quite remarkable. But John goes to work more steadily and sullenly, while the Portuguese must be well led, and have his joke. They are great wits in their way, and, without the resolution and impenetrable sang-froid of the British, they have more patience and subordination under greater privations and hardship. But the Portuguese has not the bodily strength of the former, is naturally lazy, and is not used to our pickaxes and shovels. Therefore on the working parties the British do their work better in half the time. Both seem equally careless of danger. They agree perfectly well together, and amongst the men there is scarce an instance of disagreement or disturbance.

William Warre, Letters From The Peninsula: 1808-1812, pag 156

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Fitas. De Africa a França.

De Africa a França.


Da esquerda para a direita:

1 conjunto à esquerda.
Cruz vermelha de Mérito; medalha comemorativa do CEP [1917-1918]; Medalha Rainha D. Amélia [ Moçambique 1894-1895][1]
2 conjunto à direita.
Medalha de Cavaleiro da Ordem de Avis, medalha de ouro da classe comportamento exemplar , medalha da vitória.
Placa de comendador da Ordem de Avis.



Fourragère Medalha de ouro de Valor Militar por ter " tomado parte nos feitos do extinto 2º batalhão do regimento nº2 de caçadores a que pertencia na campanha de 1895 na p. de Moçambique, foi louvado e condecorado com a medalha militar de ouro de "Valor Militar", letra C" [2]

[1] Esteve presente no Combate de Marracuene e na campanha desse ano, na 4 companhia do 2º batalhão..
[2] Letra C que à data significava ganha em combate.

Jornal do Exercito

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Tenente-Coronel Marcelino da Mata


Ten. Cor. Marcelino da Mata.

Aqui fica a imagem do militar português mais condecorado de toda a História das Forças Armadas Portuguesas.

Nunca percebi como alguem com 5 cruzes de guerra não tem a medalha de Valor Militar.

A nossa patria sempre foi muito generosa em dar Ordens, e muito forreta em dar Medalhas militares , especialmente aos combatentes.

P.S.-Devido a problemas com os direitos de autor de uma imagem colocada anteriormente, a fotografia do T.Cor. MM foi substituida por outra que se encontra alojada no Forum da Armada e em Dos combatentes da guerra do Ultramar

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MAPS & PLANS

Aqui está uma bela obra à venda num leilão do Palácio do Correio Velho.

Leilão nº 214 - Colecção Capucho1ª Sessão: 5 de Maio (3ª feira) - 21:00 H

Lote 0077
Descrição
MAPS & PLANS, Showing the Principal Movements, Battles & Sieges, in which the British Army was engaged during the War from 1808 to 1814 in the Spanish Peninsula and the south of France.

London, Published by James Wyld, Geographer to the Queen, 1840.In -fólio atlântico, 86 x 68 cm com III folhas de frontispicio, dedicatória e Indice e 39 folhas algumas duplas em 1 vol.Ex- libris de António Capucho. Esta preciosa colecção de mapas em finas litografias está reunida numa luxuosa encadernação da época em chagrin castanho,com lombada, cantos e rótulo em pele mais escura, titulo a ouro na pasta anterior envolto por corôa de louros. A parte respeitante a Portugal destes notáveis mapas, representa: Batalhas do Vimeiro, Rio Douro, Roliça, Almeida, Santarém, Bussaco, Linhas de Lisboa, Condeixa, Guarda, Foz de Arouce, Ceira, Sabugal, vistas da Serra de Montejunto, Arruda e Sobral de Monte Agraço, Cintra, Torres Vedras, Pombal, Guarda, operações do exército inglês desde a Baia do Mondego até à evacuação dos franceses de Lisboa, em 1808, etc.




Estimativa € 1.500 / € 3.000




Condições Negociais: Ao valor de martelo será adicionada a comissão de comprador de 15.12%

segunda-feira, 27 de abril de 2009

FIGURINOS MILITARES. (ca. 1834)

Lote 0282

FIGURINOS MILITARES. (ca. 1834)
CUTILEIRO, Alberto. (1915-2003). ( Escola portuguesa)
Bonito desenho aguarelado representando o fardamento de um soldado do Batalhão Nacional Móvel da Rainha D.Maria II, usado por volta de1834.
Bom estado de conservação.
Dim : 30 x 21 cm (folha)

domingo, 26 de abril de 2009

D. Nuno Álvares Pereira - Santo da Igreja

D. Nuno Álvares Pereira


Um grande Militar; um grande general e condestavel, um grande Portugues, um homem leal aos seus amigos , um Santo da Igreja e um Homem para a eternidade.

D. Nuno Álvares Pereira, Beato Nuno de Santa Maria vai ser canonizado hoje pelo Papa.


Apontamentos Biográficos - retirados do site da Comissão «São Nuno de Santa Maria».


Para entender melhor essa mensagem perene que a figura de São Nuno de Santa Maria nos oferece, a que fazíamos referência mais acima, convém destacar, de modo muito sumário, alguns aspectos essenciais da sua biografia que, sem dúvida, ajudarão a traçar melhor o perfil espiritual do Santo Condestável.
Nasceu no dia 24 de Junho de 1360, em Cernache do Bom Jardim, filho ilegítimo de D. Álvaro Gonçalves Pereira, que foi Prior do Priorato do Crato, dos célebres Cavaleiros de São João de Jerusalém e de Ilia, por quem Nuno conservaria sempre um terno afecto. A sua infância e a sua adolescência decorreram neste ambiente entre cavalheiresco e profundamente religioso que havia nestes grupos nos reinos do baixo medievo da Europa. Imbuído do ideal de Galaad, um dos cavaleiros da mesa redonda que acompanhavam o mítico Rei Artur, quis permanecer celibatário, mas, para não contrariar o seu pai, veio a casar-se com D.ª Leonor de Alvim, com quem teria três filhos e com quem teve uma vida matrimonial feliz. O casamento teve lugar a 15 de Agosto, festa da Assunção de Maria, de 1376.
Dois dos seus filhos morreram crianças e apenas a terceira, D.ª Beatriz, chegaria à idade adulta, casando-se com D. Afonso, o filho do rei D. João I, a quem Nuno, seu aio, tinha servido sempre com valentia e fidelidade.
O jovem Nuno sobressaiu rapidamente na corte, para a qual foi destinado para o serviço pessoal do rei Fernando desde a adolescência, quando tinha apenas treze anos. A sua nobreza de ânimo, a sua valentia, a lealdade para com o rei e o ideal de pureza que parecia ter-se traçado desde criança, a imitação do casto herói Galaad, chamaram à atenção quer da família real quer dos outros cortesãos.
A morte do rei D. Fernando de Portugal originou um problema dinástico, algo muito frequente nos reinos da Península Ibérica, nos tempos da Reconquista. Alguns cavaleiros portugueses (alguns irmãos de Nuno, inclusivamente) defendiam o direito ao trono de Beatriz, filha do rei Fernando, casada com o rei de Castela, o que provavelmente teria suposto a incorporação da coroa portuguesa no reino de Castela, que se ia configurando – juntamente com o de Aragão – como o reino mais forte da Península Ibérica. Mas outros muitos cavaleiros lusitanos, entre eles Nuno, defendiam o direito ao trono de João, irmão do rei Fernando. Havia também interesses internacionais e não faltaram cavaleiros franceses e ingleses que ajudavam um ou outro lado. Não demorou muito a rebentar uma guerra entre os dois reinos, provocada pelo problema da sucessão dinástica. A guerra em si durou vários anos, com períodos de relativa calma. Em Abril de 1384, as tropas portuguesas (ao serviço de D. João) vencem a fac-ção rival, na batalha de Atoleiros (o que originou, pouco mais tarde, a subida ao trono de João I, que nomearia Nuno como seu Condestável). Um ano mais tarde, no dia 14 de Agosto de 1385 (em vésperas da festa da Assunção de Nossa Senhora), as tropas comandadas por Nuno Álvares Pereira derrotaram os seguidores do rei de Castela, na memorável batalha de Aljubarrota, e, pouco depois, em Valverde (já dentro do reino de Castela), o que fez com que Nuno ganhasse uma grande fama como herói nacional. Ainda que a guerra se tenha prolongado por algum tempo, e inclusivamente tivessem havido escaramuças anos mais tarde, a vitória já estava do lado português. A paz definitiva seria assinada em 1411. Pode ser significativo da fama que Nuno ganhou como herói nacional e como Condestável o facto de que Luís de Camões, o grande poeta português, incluísse uma elogiosa referência ao nosso homem, no canto IV do seu célebre poema épico Os Lusíadas, obra cimeira da literatura portuguesa do Renascimento. Também na vizinha Espanha vários autores dos séculos XVI e XVII (Calderón de la Barca ou Tirso de Molina, entre outros) louvaram a nobreza e a heroicidade do já mítico Condestável.
Mas, pouco mais tarde, a desgraça abateu-se sobre o Condestável. Em 1387, morre a sua esposa, D.ª Leonor de Alvim, que residia no Porto com a filha dos dois. Depois, o ainda jovem Nuno negou-se a contrair novo casamento. A vida de piedade e penitência (que sempre tinha tido) acentua-se sobremaneira e o Condestável, herói de tantas batalhas, famoso guerreiro ao serviço do rei, vai, a pouco e pouco, adquirindo a reputação de homem piedoso e santo.
Há que situar, nestes anos, a sua intervenção decisiva para a construção (entre outros templos e conventos) do convento e da igreja dos carmelitas, em Lisboa, cumprindo assim uma promessa votiva feita a Nossa Senhora. Consta que teve contacto com a Ordem através de um antigo companheiro de armas que se tinha feito carmelita no convento de Moura, D. João Gonçalves, e do Frei Afonso de Alfama, Vigário da Ordem em Portugal, com quem parece que tinha grande confiança e amizade. Foi escolhido, para localização do dito convento, um dos lugares mais altos de Lisboa. As obras duraram mais de oito anos. Os carmelitas, vindos do convento de Moura, instalaram-se no celebérrimo “Carmo” de Lisboa no dia 15 de Agosto (mais uma vez) de 1397, onde permaneceram até 1755, data em que o templo foi praticamente destruído pelo terramoto de Lisboa.
Em 1415, Nuno viria ainda a ter tempo de participar numa nova campanha portuguesa, desta vez para além do estreito de Gibraltar, em Ceuta, comandando e contribuindo com a sua experiência militar na expedição portuguesa que se dirigia para o referido lugar do Norte de África. Nuno, com 55 anos, sentia-se já cansado. Pouco depois aconteceu a morte da sua filha, o que provavelmente acelerou a sua decisão de se afastar do mundo e de ter uma vida totalmente entregue à penitência, à piedade e à oração.
Deste modo, em Agosto de 1423, o Condestável, figura admirada e de grande prestígio, decide, diante do espanto geral, ingressar no Convento do Carmo, que ele mesmo tinha fundado, e levar uma vida de total penitência e austeridade, como irmão donato. No dia 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora e data à que parece que a vida de Nuno estava intimamente ligada, vestiu o hábito Carmelita, tomando o nome de Frei Nuno de Santa Maria. Apesar das pressões de toda a ordem, recusou privilégios ou mitigações da austeridade conventual. Por intervenção de D. Duarte (filho de João I, o rei a quem Nuno fielmente tinha servido durante anos), convenceu-se, ao menos, que não fosse para um convento longínquo, como era seu desejo, para evitar visitas e homenagens que iam contra a sua vontade de total penitência e humildade. Também conseguiu o príncipe que Nuno renunciasse ao seu desejo de mendigar para o convento pelas ruas de Lisboa, como faziam os irmãos donatos.
Prova da sinceridade e da firmeza da sua vontade foi o facto de que sempre recusou ser chamado doutra maneira que não “Frei Nuno de Santa Maria”, recusando qualquer tipo de título de nobreza. Mais ainda, quando o príncipe D. Duarte quis que conservasse o título de Condestável, Nuno respondeu com humildade, mas com firmeza: o Condestável morreu e está enterrado num santuário…
Depois de oito anos de vida de penitência e de grande austeridade, Frei Nuno de Santa Maria morreu em Lisboa, no dia 1 de Abril de 1431. O seu funeral constituiu uma enorme manifestação de dor, quer por parte da nobreza e da família real (que tinham uma grande dívida de gratidão para com aquele nobre cavaleiro vencedor no campo da batalha), quer por parte dos carmelitas e de tantos devotos, que viram nele um modelo de penitência, de humildade e de desprezo das galas e honras deste mundo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Dia Internacional do Livro

Dia 23 de Abril, Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor.

Já o ano passado fizera um post sobre este dia .

Para não repetir, aqui fica o link para o post, neste dia tão importante.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Back to the Peninsular Wars, events in Portugal


Mais uma vez venho indicar o link da Pagina "Back to the Peninsular Wars" aqui, events in Portugal " a qual merece uma visita.
Ver Amarante aqui .

Vêm aí os Franceses !
Mapa retirado da Pagina.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Programa da Recriação Histórica da Batalha do Porto

Nota: Poderei enviar o programa, em PDF, a quem o solicitar, com melhor grafismo e mapas assinalando os locais dos acontecimentos.
BICENTENÁRIO DAS INVASÕES FRANCESAS NA AMP
RECONSTITUIÇÕES HISTÓRICAS
PROGRAMA DE ACTIVIDADES

9 e 10 de Maio de 2009
Cidades do Porto e de Gaia


-DIA 9 DE MAIO (SÁBADO):


* 10.00 horas:
Cerimónia evocativa pelas Delegações dos Países intervenientes nas Guerras
Napoleónicas

Local: Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista) junto ao
monumento alusivo à Guerra Peninsular:
-Içar de bandeiras de todos os países representados, por elementos representativos
das várias Delegações; Toque do Hino da Continência, pela Fanfarra Militar;
-Deposição de coroa de flores junto ao monumento, pelas Delegações presentes, e
execução do Toque de Homenagem aos Mortos, do Toque da Alvorada, pela
Fanfarra do Exército, e tiros de salva de infantaria;
-Alocuções da AMP e da ANP.
*11.00 Horas - Fim.


* 11.30 horas:
Desfile das forças presentes
Local: Desde a Cadeia da Relação (à Cordoaria) até à Ribeira do Porto.


* 12.30 horas:
Cerimónia evocativa da Invasão Francesa

Local: junto às Alminhas da Ponte (Cais da Ribeira do Porto):
- Concentração das forças presentes no cais da Ribeira do Porto;
- Alocução, pelo Coronel Américo Henriques, alusiva ao episódio da Ponte das
Barcas e à primeira Batalha do Porto e conquista da cidade pelo exército Francês;
- Deposição de ramo de flores no rio Douro, em homenagem aos mortos na Ponte
das Barcas;
- Tiros de salva (infantaria e artilharia).
*13.00 Horas – Fim.


*21.30 horas:
Combate nocturno de Recriação Histórica do recuo do exército francês até à
cidade do Porto, perante o avanço do exército Luso-inglês, bem como as
escaramuças que antecederam a segunda Batalha do Porto.
Local: Cais de Vila Nova de Gaia
- Reconstituição de combates de infantaria e artilharia, com início de caminhada, a
partir do Regimento de Artilharia 5 (RA5), do exército Francês pelo lado Nascente, e
do exército Luso-inglês, pelo lado poente, através das ruas de Vila Nova de Gaia.
(Exército Francês)
Colaboração:
(Exército Luso-inglês)
Início dos confrontos corpo a corpo, na Avenida Diogo Leite, junto à Rua D. Afonso
III, com avanço do exército Luso-inglês e recuo do exército Francês, escaramuças e
ataques aos residentes em todo o percurso da Avenida Diogo Leite até cerca do
Largo Luís I.
*23.30 horas - Fim.




- DIA 10 DE MAIO (DOMINGO)


* 11.00 horas:
Reconstituição Histórica da conquista do Porto por parte do exército lusobritânico
Local: Ribeiras de Gaia e Porto

-colocação dos elementos do exército Luso-inglês, na margem Sul do rio Douro, e do
exército Francês, na margem Norte;
- tiros de apoio de peças de artilharia colocadas na margem Sul do rio (exército
Luso-inglês), com resposta de peças de artilharia colocadas na margem Norte
(exército Francês);
- simulação da travessia do rio Douro e desembarque do exército Luso-inglês, com
transporte de recriadores em barcos rabelos desde a Ribeira de Gaia até ao Cais da
Estiva da Ribeira do Porto.
-travessia do grosso das “tropas” Luso-inglesas, através do tabuleiro inferior da
Ponte D. Luís I, desde a Ribeira de Gaia até à Ribeira do Porto. Ataque ao exército
Francês com combates de infantaria;
- Recuo do exército Francês até ao Largo da Senhora do Ó, através da Ribeira, da
Rua da Fonte Taurina e da Rua da Alfândega até à Praça do Infante D. Henrique;
Ocupação das últimas barricadas de defesa e recuo final do exército Francês... em
direcção à “fronteira”.
- Formatura de todas as unidades presentes, na Praça do Infante D. Henrique;
- Breve alocução de agradecimento aos participantes e distribuição de medalha
comemorativa a todos os participantes;


*13.00 Horas – Fim do Programa

sábado, 18 de abril de 2009

THE ANGLO - PORTUGUESE ARMY OF 1808

"THE ANGLO - PORTUGUESE ARMY OF 1808"


Revista das edições
DEL PRADO - RELIVE WATERLOO MAGAZINE NO 45
Colecção
GREAT BATTLES OF THE NAPOLEONIC WARS
Título
THE ANGLO - PORTUGUESE ARMY OF 1808
Editado por
OSPREY