segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Congresso Internacional da História Militar

30 de Agosto a 4 de Setembro de 2009
Porto
Edifício da Alfândega
Integrado no plano das comemorações das invasões francesas da Área Metropolitana do Porto
O XXXV Congresso Internacional de História Militar terá lugar no Porto, de 30 de Agosto a 4 de Setembro de 2009. Organizado pela Comissão Internacional de História Militar, a Universidade do Porto e a Câmara Municipal do Porto, sob o tema "A guerra no tempo de Napoleão. Antecedentes, campanhas militares e impactos de longa duração", o Congresso integra-se num conjunto alargado de iniciativas evocativas do segundo centenário da segunda invasão Francesa de Portugal. Trata-se de uma realização internacional e multidisciplinar, que visa reflectir sobre aspectos de história militar, política, diplomática, económica, social e cultural, ao nível local, nacional, europeu e global. As sessões incluirão abordagens que vão desde os antecedentes políticos e ideológicos das guerras até às campanhas militares e às suas projecções globais - em geopolítica, economia, sociedade e cultura. Neste domínio, será dada uma ênfase particular ao desenhar de uma nova ordem política e à disseminação de novas ideologias, as quais fizeram nascer novos regimes e formas de governo que ultrapassaram o espaço europeu e se projectaram noutros continentes. Contribuições centradas em experiências militares e políticas ligadas diacrónica ou sincronicamente com este importante acontecimento são bem-vindas, de forma a promover abordagens comparativas ao tema.

Quartel-General de Wellington em Freneida




sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Comemorações do Cerco de Almeida 2009


Program of the commemorations of the “Almeida’ Siege”
SEMINÁRIO INTERNACIONAL / International Semina RECRIAÇÃO
HISTÓRICA e 2º SIMPÓSIO DAS ARTES / Historical Re-enactment and
2nd Symposium of Arts / 28 - 29 - 30 AGOSTO / August / 2009

28 AGOSTO / August, Sexta-feira / Friday
09h30 – Seminário Internacional / International Seminar: “A FORTIFICAÇÃO
ABALUARTADA COMO PATRIMÓNIO DE VALOR UNIVERSAL”/ ”BULWARKED
FORTIFICATIONS AS HERITAGE OF UNIVERSAL VALUE”
Local: CEAMA, Portas Exteriores de Santo António / External Gate of Santo António
– Recepção dos participantes / Reception of the participants
10h00 – 1ª SESSÃO / 1st SESSION
– Abertura / Openning, Presidente da Câmara Municipal, The Mayor
10h10 – Danuta Klosek Kozlowska (Polónia / Poland), Zamosc – Cidade Ideal-Fortaleza Ideal / Zamosc –
Ideal City-Ideal Fortress
10h30 – Nur Akin (Turquia / Turkey), As Fortificações Costeiras de Constantinopla contra Bizâncio: as
muralhas da cidade de Galata e a Fortaleza de Rumeli Hisan / The Coastal Fortifications of Constantinople
against Byzance: Galata City Walls and Rumeli Hisarı Fortress.
10h50 – Sidh Mendiratta e / and Joaquim Santos (Portugal / Portugal), As Fortificações das Ilhas de Diu e
Tiswadi (1510-1961) / The Fortifications of the Islands of Diu and Tiswadi (1510-1961).
11h10 – Pausa café / Coffee break
11h30 – Michel van der Meerschen (Bélgica / Belgium), As Fortificações da Cidade de Marraquexe / The
Fortifications of the City of Marrakesh
11h50 – Pedro Dias (Portugal / Portugal), Novos Dados sobre a Fortificação da Ilha de Moçambique / New
Data about Mozambique Island Fortification
12h10 – Astrid Debold-Kritter (Alemanha, Germany), A Cidade-fortaleza de Teresin / The City-fortress of
Teresin
12h30 – Discussão e Notas / Debate and Notes
13h00 – Pausa / break
14.00 – Hastear bandeiras na Câmara Municipal / Flags hoisting in the City Hall
15h00 – Visita Técnica do Seminário / Technical Visit of the Seminar (Fuerte de Ciudad Rodrigo)
18h30 – Seminário: 2ª SESSÃO / Seminar : 2nd SESSION
– Saleh Lamei (Egipto / Egypt), Fortificações durante o Estado Mameluco. A Cidadela Qa’itbay de
Alexandria / Fortifications during Mamluk State. The Qa’itbay Citadel of Alexandria
18H50 – Giora Solar (Israel / Israel), Fortificações dos Cruzados em Israel / Crusaders Fortifications in
Israel
19h10 – Bruno Maldoner (Áustria / Austria), O caso de Hohensalzburg / The case of Hohensalzburg
19h30 – Discussão e Notas / Debate and Notes
19h30 – Arriar bandeiras na Câmara Municipal / Flags striking in the City Hall
20h00 – Pausa / break
21h00 / 24h00 – Recriação Histórica / Historical Re-enactment
Colocação de sentinelas nas portas da Vila. Rondas./Putting sentries in the Gates. Patrols.
24h00 – Animação Musical na escadaria do Quartel das Esquadras./ Musical animation in
the Steps of the Quartel das Esquadras.

29 AGOSTO / August, Sábado / Saturday
09h00 – Hastear bandeiras na Câmara Municipal./ Flags hoisting in the City Hall
10h00 – 12h00 – Recriação Histórica / Historical Re-enactment
Deslocação do Exército Imperial Francês através do percurso assinalado./ Raid by the
French Imperial Army trough the walkway marked in the map.
Combates de Infantaria e de Artilharia ao longo do percurso./ Combats of Infantry and
Artillery along the way.Assalto do Exército Imperial Francês à barricada situada no centro
da aldeia de Freineda (ver figura)./ Assault by the French Imperial Army to the barricade in
the centre of the village of Freineda (see figure).
Conquista da barricada e recuo do Exército Luso-britânico da aldeia./ Conquest of the
barricade and retreat of the Portuguese-British Army from the village.
12h00 – Cerimónia evocativa em Freineda, junto à casa Wellington e ao monumento
comemorativo, com a presença de todas as forças participantes./ Evocative ceremony in
Freineda, in front of the house of Wellington and the commemorative Monument, with the
participation of all participant forces.
INÍCIO DO PERCURSO ABASTECIMENTO DE ÁGUA 1ºCONFRONTO FIM DE PERCURSO
ARTILHARIA ANGLO-LUSA SUPORTE DE APOIO A RECRIADORES BARRICADA/ CASA WELLINGTON
13h00 – Pausa / break
14h30 – Regresso a Almeida./ Return to Almeida.
15h00 – Seminário: 3ª SESSÃO / Seminar : 3rd SESSION
– Milagros Flores Román (E. U. da América / U. S. of América), As Fortificações Abaluartadas de San
Juan (Porto Rico) / San Juan Bulwarked Fortifications (Puerto Rico)
15h20 – Thomas Dracky (República Checa, Czech Republic),
15h40 – Anand Singh Bawa (Índia / India), Fortalezas Portuguesas na Costa Ocidental da Índia / Portuguese
Forts on the West Coast of India
16h00 – Adriano Vasco Rodrigues e / and José Paulo Berger (Portugal / Portugal). A Fortaleza de Alorna /
The Alorna Fortress
16h20 – Pausa café / Coffee break
16h40 – Vasco Massapina (Portugal /Portugal), Baluartes de Beja – Estrutura e evolução das muralhas da
cidade / Beja bastions – Structure and evolution of the city walls.
17h00 – Rui Carita (Portugal / Portugal) – Engenheiro-mor Manuel de Azevedo Fortes e a Praça Forte de
Almeida /
17h20 – Betina Adams (Brasil / Brazil). O sistema defensivo da Ilha de Santa Catarina: consolidando a
presença portuguesa nas Américas / The defensive sistem of Santa Catarina Island: consolidating the
Portuguese presence in Américas.
17h40 – Fernando Cobos-Guerra (Espanha / Spain). A Fronteira de Portugal e a Raia Luso-Espanhola / The
Frontier of Portugal and the Portuguese-Spanish Border-line.
18h00 – Discussão e Fim do Seminário / Debate and end of Seminar.
18h15 – Encerramento pelo Presidente do Município / Closing by the Mayor.
18h30 – Inauguração do Museu Histórico-Militar / Inauguration of the Historical-
Military Museum / Baluarte de São João de Deus / São João de Deus Bulwark.
19h00 – Cerimónia de atribuição de medalhas a elementos do GRHMA. / Ceremony of
imposing medals to the GRHMA members.
19h30 – Arriar bandeiras na Câmara Municipal./ Flags striking in the City Hall
20h00 – Pausa / break
22h00 – Recriação Histórica / Historical Re-enactment
Instalação do Exército Imperial Francês nas posições de assalto. Instalação do exército
Luso-Britânico nas posições de defesa das muralhas de Almeida. / Positions of the French
Imperial Army for the assault. Position of the Portuguese-British Army to the defence of the
walls of Almeida Fortress.
Assalto e defesa da Vila de Almeida. Fecho das portas de S. Francisco e retirada do
Exército Imperial Francês. / Assault and defence of the Almeida Stronghold. Closing of the
São Francisco Gate and retreat of the French Imperial Army.
EXÉRCITO FRANCÊS EXÉRCITO ANGLO-LUSOS PORTAS DE SÃO FRANCISCO DISTRIBUIÇÃO ÁGUA figura 7
23h30 – Fim das actividades nocturnas. / End of night activities.
24h00 – Fogo de artificio organizado pela Comissão de Festas de N. Sr.ª das Neves, em
colaboração com o Município. / Fireworks organized by the Commission of the Festivities
of Our Lady of Neves, with the collaboration of the City Hall.
00h30 – Animação Musical com os “Rilufe”, da responsabilidade da Comissão de Festas na
Área Festiva, junto à Porta Nova./ Musical animation with the “Rilufe”, organized by the
Commission of the Festivities, in the Party Area, near the “New Gate”.

30 DE AGOSTO, Domingo / Sunday
09h00 – Cerimónia oficial de hastear bandeiras na Câmara Municipal, com a presença das
Autoridades Civis e Militares./ Official ceremony of hoisting flags in the City Hall, in the
presence of Civilian and Military Authorities.
09h30 – Desfile e Cerimónia evocativa na Praça Alta, Baluarte de Santa Bárbara./ Parade
and evocative ceremony in the High Arms Square, Santa Bárbara Bastion.
10h00 – Cerimónia evocativa aos mortos do Cerco de Almeida, no sítio do Castelo./
Evocative Ceremony to the siege deaths in the Castle site
10h30 – Recriação Histórica / Historical Re-enactment
CÂMARA MUNICIPAL PRAÇA ALTA PORTAS DE SÃO FRANCISCO figura 8
Desfile das forças presentes até às portas de S. Francisco (ver figura). / Parade of the
military forces until the Gate of São Francisco.
Posicionamento do exército imperial francês à entrada das portas de S. Francisco.
Posicionamento do exército Luso-britânico na defesa das muralhas e das portas./ Positions
of the French Imperial Army in front of the Gate of São Francisco. Positions of the
Portuguese-British Army defending the curtains and the Gate.
Obstáculos no percurso de combate (figura abaixo) e instalação do último reduto./
Obstacles in the battle walk (figure bellow) and installation of the last redoubt.
Combates de artilharia e mosquete; assalto e entrada do Exército Imperial Francês pelas
Portas de S. Francisco; combates através das ruas e muralha da fortaleza. Assalto ao último
reduto e explosão do paiol (ver figura)./ Combats with artillery and muskets, assault and
entry in the Gate of São Francisco by the French Imperial Army; combats in the streets and
curtains of the fortress. Assault to the last redoubt and explosion of the powder magazine
(see figure).
EXÉRCITO FRANCÊS EXÉRCITO ANGLO-LUSO EXPLOSÃO DO PAIOL COMBATES DE RUA figura9
12h00 – Formação das forças presentes. Cerimónia de agradecimento aos participantes e
distribuição de medalhas comemorativas. / Presentation of the forces in presence.
Ceremony of thanks and distribution of commemorative medals.
12h30 – Missa / Mass
13h30 – Pausa / break
15h30 – Inauguração da Exposição “Portugalliae Civitates, Perspectivas Cartográficas
Militares”/ Inauguration of the Exhibition “Portugalliae Civitates, Military Cartographic
Perspectives - Portas Interiores de / Interior Gates of Santo António
16h00 – Apresentação Pública do Dossiê de Candidatura das Fortificações de Almeida
a Património Mundial – UNESCO./ Public Launching of the Dossier for the Candidacy
of Almeida’s Fortifications as UNESCO World Heritage.
Local: CEAMA, Portas Exteriores de Santo António / External Gate of Santo António
- João Campos, Coordenador do Dossiê / Coordinator of the Dossier
- Adriano Vasco Rodrigues, Decano dos Professores do Município / Dean of the professors
of the Municipality. Almeida: Património Edificado. Inovação. Progresso / Almeida:
Built Heritage. Innovation. Progress
- José Miguel Correia Noras, Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico
/ Portuguese Association of the Municipalities with Historical Centres.
- António Baptista Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal / Mayor.
- Assinatura do Protocolo entre a Câmara Municipal de Almeida e a Associação
Portuguesa de Municípios com Centro Histórico para a criação da sua Delegação no
CEAMA. / Signature of a protocol between the Municipality of Almeida and the
Portuguese Association of the Municipalities with Historical Centres, to create its
Delegation at CEAMA.
17h00 – Descerramento de placa da Delegação pelo presidente da C.M.A. e pelo
Secretário-Geral da A.P.M.C.H. / Unveil of the plaque of the Delegation Office by the
Mayor and the General Secretary of the Association.
- Pausa café / Coffee break
17h30 – 2º Simpósio de Artes de Almeida–“ICONOGRAFIA DO SAGRADO E ARTE
PÚBLICA” / 2nd Symposium of Arts of Almeida–“ICONOGRAPHY OF THE SACRED
AND PUBLIC ART” – CEAMA, Portas Exteriores de / Exterior Gates of Santo António
Com a participação dos Autores dos Retábulos, Pintores / With the participation of the
Retables Authors, the Painters José Emídio, Alberto Péssimo e/and Luís Calheiros.
- Conferências pelas Especialistas em História da Arte (Docentes de Arquitectura da Escola
Superior Artística do Porto - ESAP) / Lectures by the Specialists in History of Art
(Professors of Architecture at ESAP) Cidália da Cruz Henriques e/and Fátima Marques
Pereira.
- Convite do Presidente da Câmara Municipal para a celebração final das Comemorações
2009 / Invitation of the Mayor for the final celebration of this year Commemorations
18h30 – Inauguração das pinturas dos retábulos dos Passos da “Via Sacra”, com
bênção dos 3 nichos pelo Pároco de Almeida / Inauguration of the paintings of the
panels of “The Steps of Via Sacra”, with benediction of the 3 niches by the Almeida’
Priest. - Rua Hintze Ribeiro (às Portas Interiores de Santo António), Rua Direita e
Praça de São João.

FIM DAS COMEMORAÇÕES 2009 / END OF THE COMMEMORATIONS 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

1 de Agosto de 1808 - Wellesley a Castlereagh.

Em memorando, de 1 de Agosto de 1808 (num memorando de Wellesley ao ministro da guerra em Londres), Castlereagh, referia:
“Sou de opinião que a Inglaterra deve levantar, organizar e pagar um exército em Portugal. Compor-se-á de 30.000 homens de tropas portuguesas, que podem ser recrutadas em pouco tempo, e de 20.000 ingleses, 4.000 ou 5.000 dos quais serão de cavalaria. Este exército operará nas fronteiras de Portugal na Estremadura espanhola, e servirá de ligação entre a Galiza e Andaluzia. Por este meio a Grã-Bretanha terá o primeiro lugar na direcção da guerra da península, e qualquer que seja o resultado dos esforços dos espanhóis, ela salvará Portugal das garras dos franceses. Vós sabeis melhor do que eu se podeis ou não suportar esta despesa, ou em que proporção o governo português a quererá ou poderá suportar pela sua parte. Adoptando vós este projecto, tudo deve vir de Inglaterra, armas, munições, vestuário, equipamento, artilharia, farinha, aveia, etc. Estes artigos deverão ser remetidos à fronteira, em parte pela navegação do Douro e do Tejo, e em parte por outras vias”[1].

Voltará a expor as mesmas ideias num outro memorando datado de 7 de Março de 1809:
“Sempre fui de parecer que, qualquer que fosse o resultado da guerra da Espanha, era preciso defender Portugal, e que as medidas tomadas para defesa deste reino seriam também de uma grande utilidade para os espanhóis na sua guerra contra os franceses. Quanto a mim, o Estado militar de Portugal deve ser levado, como noutro tempo, a 4. 0.000 homem de milícias e 30.000 de tropas regulares, e além destas forças, sua majestade britânica deve ter em Portugal 20.000 ingleses, compreendendo neste número 4.000 homens de cavalaria, pouco mais ou menos. Penso que mesmo no caso de que a Espanha seja conquistada, os franceses não poderão submeter Portugal com menos de 100.000 homens; e que durante o tempo por que a guerra durar em Espanha, as forças portuguesas, a poderem-se pôr em actividade, serão muito úteis aos espanhóis, e poderão talvez decidir a questão;
Entretanto é evidente que o Estado militar de Portugal não poderá ser reorganizado sem um amplo socorro de dinheiro, e um apoio político por parte da Inglaterra. A única maneira que me parece segura e mesmo praticável de prestar este socorro e apoio, ou de intervir nos negocias de Portugal, debaixo da relação militar, é o encarregar o embaixador de el-rei em Lisboa de dar, ou de reter as somas que julgar necessárias para ajudar os estabelecimentos militares somente, e de lhe recomendar que vigie que as rendas de toda a natureza de Portugal sejam empregadas primeiro que tudo neste objecto. Munido destes poderes e destas instruções, o embaixador poderá certamente sindicar todas as medidas do governo português, e poderemos então esperar ter em campanha um exército português em Estado regular. Mas como nesta época não tem sido possível seguir este sistema, tendo-se a atenção do governo dirigido para outros objectos, é provável que o Estado militar de Portugal tenha feito poucos progressos. Se se considera o número de tropas inglesas que exige a defesa deste país e as outras medidas a tomar, é necessária atender por um lado ao pequeno número de tropas portuguesas e à probabilidade de um ataque próximo por parte do inimigo, e por outro à continuação da guerra em Espanha, e à probabilidade de que os franceses poderão dispor de forças numerosas antes de pouco para atacarem Portugal. Recomendarei também a adopção das medidas políticas de que mais acima falei, para levantar o Estado militar de Portugal. É provável que a despesa para este objecto não exceda neste ano a um milhão esterlinos; mas se aproveitar e a guerra continuar em Espanha e em Portugal, a vantagem que se tirar do aumento do Estado militar compensará para mais as despesas que se tiverem feito.
O exército inglês em Portugal, segundo este plano, não poderá ser menor de 30.000 homens, dos quase 4.000 a 5.000 de cavalaria, com mais um numeroso corpo de artilharia. Precisa-se de tanta cavalaria e artilharia, como digo, porque o Estado militar de Portugal carece justamente destas duas armas. A cavalaria inglesa, a alemã e a artilharia deverão servir com a infantaria portuguesa. Todo o exército de Portugal, inglês e português, será comandado por oficiais ingleses. O Estado-maior do exército, o comissariado sobretudo, serão compostos de ingleses. A importância destas administrações será proporcionada à força do exército que deverá obrar em Portugal, ao número dos postos destacados que será necessário ocupar, e às dificuldades que se poderão encontrar em achar e distribuir os víveres no país. Quanto às medidas secundárias, recomendo reforçar-se o mais breve possível o exército inglês em Portugal com algumas companhias de carabineiros ingleses, ou alemães; completar a artilharia deste exército até ao computo de 30 peças, sendo duas brigadas de 9; ter todas estas munidas de boas bestas; enviar para Portugal 20 peças de bronze de 12 sobre trens de viagem, para ocupar certas posições no país; e juntar ao exército um corpo ele engenheiros como para 60.000 homens, e um corpo de artilheiros para 60 peças de artilharia.
«Bem sei que o exército inglês actualmente em Portugal é de 20.000 homens, compreendida a cavalaria. Completar-se-ão o mais breve possível 20.000 homens de infantaria, reunindo-se-lhes os carabineiros e outra boa infantaria, bem descansada já da guerra da Espanha. Os reforços seguirão à medida que as tropas forem repousando das suas fadigas. A primeira coisa a fazei é completar o exército de Portugal em cavalaria e artilharia, servindo as peças com boas bestas, como deve ser. Imediatamente partirão logo o general e oficiais de Estado-maior, porque pode contar-se que apenas os jornais anunciarem a partida dos oficiais para Portugal, os exércitos franceses em Espanha receberão ordem ele marchar para este reino, com as vistas de chegarem antes que possamos organizar a sua defesa. É-nos preciso pois ter tudo sobre o terreno, ou pelo menos antes de haver algum despertamento em Inglaterra, quanto aos nossos projectos. Alem dos artigos acima enumerados, é preciso enviar quanto antes para Lisboa 30.000 armas, fardamentos e sapatos para o exército português»
[2].

[1] Simão José da Luz Soriano, ibidem, vol 2, 2 época, p.97.
[2] Simão José da Luz Soriano, ibidem, vol 2, 2 época, p.94 e Sir Arthur Wellesley, “Memorandum on the Defense of Portugal, 7 March 1809”, Wellington’s Dispatches…, vol. IV, London, 1837, pp.261-263.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

“Operações Militares no Norte de Portugal durante as Invasões Francesas”


A Área Metropolitana do Porto, o Arquivo Distrital do Porto, o Exército Português e a Associação de Amigos do Arquivo Distrital do Porto organizaram a Exposição “Operações Militares no Norte de Portugal durante as Invasões Francesas”, nas instalações do Arquivo Distrital do Porto, Rua das Taipas, 90, Porto.

sábado, 20 de junho de 2009

Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent

1-3-1813
There is one regiment of the Caçadores that is the constant astonishment of the English. Badly paid, no new clothes for the last two years, almost in rags this winter, and yet scarcely a man has been 'sick. I wish this was the case with them all. Our men are getting their clothes much better than last year, but still many are sick.
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 64

28.6.1813
The 23rd and 11th Portuguese regiments, who behaved in the field on the 23rd as well as any British did or could do, are on the march, though smaller animals, most superior. They were cheerful, orderly, and steady. The English troops were fagged, [half tipsy, weak, disorderly, and unsoldierlike; and yet the Portuguese suffer greater real hardships, for they have no tents, and only bivouac, and have a worse commissariat.
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 168

3.8.1813
(…)The Portuguese behaved in general most inimitably, the 4th, 10th, and 12th regiments in particular. The 10th did, indeed, once give way, but rallied; and the 4th charged twice, I think, on the 27th June, in good English style.-
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 209

21.7.1813
Lord Wellington, talking of the Portuguese, said that it was extraordinary just now, to observe their conduct; that no troops could behave better; that they never had now a notion of turning; and that nothing could equal their forwardness now, and willing, ready them-
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 196

23.8.1813
Nothing can look better than the condition of the Portuguese troops. They are cleaner than our men; or look so, at least. - They are better clothed now by far, for they have taken the best care of their clothes; they are much gayer, and have an air, and a je ne sais quoi, particularly the Caçadores both the officers and private men, quite new in a Portuguese. It is curious to observe the effects of good direction and example, how soon it tells. -
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 241

11.2.1814
Some of our old regiments have scarcely a man in the hospital, except the wounded, and it is astonishing how well some of the Portuguese regiments stand it, who are more exposed than our men. The last month' s rest, and the new clothes, which most regiments have now received, will revive the army amazingly; some who are still without their clothes are, to be sure, absolutely in rags, or like the king of the beggars. -
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 389

18.2.1814-
There are also about six thousand Portuguese ready to join in Portugal, but who remain for want of transport, as I am told: this is unlucky, as they were well-seasoned recruits.It is curious that even latterly, ever since we left the mountains, almost all our advanced troops-the advanced line have been Portuguese; they not only stop our deserters, but go off very much less themselves.
Francis Seymour Larpent, The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 395

13.6.1814-On stopping at the village of Fignan, to give my horses some corn, I was very glad to find the inhabitants regretting the departure of the Portuguese regiment which had been quartered there, as they had behaved so well. They told me the people cried when they crossed the water, and the next day so many soldiers carne back to take another farewell of their new friends, that the officers were compelled to place a guard to prevent it.-
Francis Seymour Larpent -The Private Journal Of Judge-Advocate Larpent, pág 545

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Forte da Meia Praia

Aqui fica mais um texto retirado do Correio de Lagos sobre o Forte da Meia-Praia.

"Percurso histórico do Forte da Meia Praia
O forte da Meia Praia deverá ter sido construído entre os anos de 1671 a 1675.Em 1755, os fortes abalos sísmicos arrasaram uma quarta parte da sua extensão ficando rodeado por um areal.
Só depois de quarenta anos passados, a 15 de Setembro de 1796, após os terramotos, foram empreendidas obras de restauro, chegando ao ano de 1821 em bom estado de conservação.Foi abandonado como fortificação, sendo integrado na Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, sem atribuição de valor patrimonial, até 1873. Nesta data, foi cedido à Câmara Municipal de Lagos e esta, por sua vez, cedeu-o à Alfândega de Lagos para ali estabelecer um posto fiscal.O relato histórico atrás referido consta do livro de Carlos Pereira Calisto “História das Fortificações Marítimas da Praça de Guerra de Lagos”, editado pela Câmara Municipal em 1922.A narração que segue tem por fim prosseguir a divulgação do aproveitamento que teve aquele forte, desde 1873 até 25 de Janeiro de 2000, ano em que voltou a ficar abandonado.Assim, tudo indica que desde o ano de 1821 o forte se manteve bem conservado até à cedência à Câmara Municipal em 1873.De referir que ao forte da Meia Praia, durante aquele período de tempo, algo deve ter acontecido que lhe provocou a queda de parte da muralha no canto Sul/Oeste e ainda uma racha a meio da muralha do lado Oeste e outra racha na frente norte e na abóbada do armazém sob o terrapleno do mesmo lado, alterações estas que até a data do abandono, em 2000, ainda se mantinham.Em 1873, a Alfândega ao receber o forte estabeleceu ali um posto fiscal ao lado esquerdo da entrada do mesmo, no terrapleno por cima da casa de habitação do guarda da Alfândega, com 4 divisões: um corredor, dois quartos e uma camarata, ficando o armazém a servir de cozinha, foi guarnecido pela polícia fiscal civil dessa época.Desde esta data (1873), o forte nunca mais esteve abandonado, embora não tenha sofrido qualquer reparação para melhorar a sua apresentação.Em 1922, ficou concluída a linha dos caminhos-de-ferro “Ramal Lagos” que ocupou parte do areal na frente norte do forte.Para permitir o acesso à praia e ao forte, foi ali construída uma passagem de nível, uma casa para o guarda da passagem de nível e um apeadeiro. (Actualmente só existe o apeadeiro e a passagem de nível).Em 1944, foi o posto fiscal entregue à Guarda-Fiscal por cedência da Fazenda Publica, com o valor patrimonial de 5.500$00 (€27,50) inscrito na respectiva matriz.Foi guarnecido com (1) um 2º Cabo e quatro (4 soldados), ficando subordinados à Secção da Guarda-Fiscal de Lagos.O posto fiscal foi sofrendo várias reparações para se manter em condições de funcionamento e conforto para o pessoal que ali prestava serviço.Não tinha luz eléctrica, nem água canalizada, nem telefone. Dispunha de um poço com água potável, existente no recinto interior do forte, que ainda se mantém.Em 1962 sofreu uma reparação mais profunda. Foi colocado um telhado novo; as paredes interiores e exteriores foram rebocadas e caiadas; foi instalado um telefone, luz eléctrica e uma pequena casa de banho em cima da muralha junto à camarata; no poço foi colocada uma bomba manual com volante para tirar a água e elevá-la para um pequeno depósito de fibrocimento colocado em cima da casa de banho; foi construída uma fossa céptica no areal no lado oeste do forte para receber os esgotos da casa de banho que seguiam por um cano instalado na parte superior da muralha e mergulhava na racha existente na abóbada do armazém e saía pela racha da muralha do lado oeste. Do lado sul, foi colocada uma porta de madeira e uma fechadura e o espaço deixado pela queda da muralha foi vedado com fiadas de arame farpado para impedir a entrada de animais e pessoas estranhas.Um pouco mais tarde, foram colocados blocos de cimentos no areal para servirem de passadeira no acesso ao forte. Algum tempo depois, um empreiteiro de obras de construção civil foi despejando carradas de entulho desde o caminho-de-ferro até à parede do forte construindo assim um largo espaço para estacionamento de viaturas que ainda se encontra em bom estado de conservação.Com o tempo, a bomba manual com volante para tirar a água do poço avariou e foi substituída por uma bomba eléctrica. Mais tarde, foi instalada água canalizada da rede pública de abastecimento, por meio de um cano, saindo de próximo do apeadeiro até ao forte, entrando neste pelo canto da muralha do lado esquerdo da porta de entrada.Em 1982 o posto fiscal foi desguarnecido. Contudo não ficou abandonado. O posto fiscal foi adaptado a funcionar como casa de veraneio dos S.S.G.F. até 2/12/85, ano em que voltou a ser guarnecido.Finalmente, em 25/1/2000 foi posto fiscal desactivado e devolvido à Fazenda Pública com auto de entrega na Repartição de Finanças de Lagos.Durante o tempo em que o posto fiscal esteve ocupado, o forte não recebeu do Estado qualquer importância para a sua manutenção.Deixo aqui duas quadras em despedida do Posto Fiscal e do Forte:
O Forte da Meia PraiaQuando lá passardes olhai e vedesSó lá verão as paredesÀ espera que tudo caia
Terá um mais feliz finalCaindo devagarinhoLeva consigo o posto fiscalPara não cair sozinho
Posteriormente, ao abandono do posto fiscal e, por tabela, do forte, por curiosidade fui dar-lhe uma olhadela.Fiquei desolado. Não havia portas nem janelas; tudo vandalizado; tacos e azulejos arrancados e lixo por todo o lado.Num local aprazível, sossegado, donde se pode mirar toda a baía de Lagos, desde a ponta de João de Aréns até à ponta da Piedade merecia melhor sorte.Prevendo-se para breve um grande desenvolvimento turístico para a zona da Meia Praia, poderia aparecer alguém que se interessasse em manter aquela forte assim como a casa que serviu de posto fiscal em boas condições de funcionamento, para não ficar ali um ponto negro no areal da praia que é uma das melhores do nosso país senão da Europa ou do Mundo.Se o forte se manteve sem grande desfiguração durante quase dois séculos e o Estado não tenha gasto ali qualquer verba na sua manutenção, talvez, agora, se pudesse dar-lhe atenção, corrigindo alguns pontos, como erguer a parte da muralha caída, cujos restos deverão estar ali enterrados na areia; completar o terrapleno; tapar as rachas da muralha e da abóbada do armazém; colocar uma porta na entrada do forte; caiar as paredes exteriores e interiores da casa do ex-posto fiscal e torná-la habitável; ligar os esgotos à rede pública.Com um bom acesso de que já dispõe, ficaria ali um ponto turístico a visitar como miradouro ou outras actividades que possam vir a ser implantadas.Se for agora reparado, possivelmente durará ainda mais um século ou dois sem pedir nada à Fazenda Pública para a sua manutenção.J.V.G."

quarta-feira, 17 de junho de 2009

RECRIAÇÃO HISTÓRIA - O EXÉRCITO NAPOLEÓNICO EM MAFRA. UM CONVENTO OCUPADO


No próximo dia 21 de Junho, o Palácio Nacional de Mafra será “ocupado” pelo Exército Napoleónico, evocando o Bicentenário das Invasões Francesas. A Recriação Histórica promovida pela Câmara Municipal de Mafra decorrerá entre as 14h00 e as 16h30, entrada livre.
Para mais informações: http://www.cm-mafra.pt/.

sábado, 6 de junho de 2009

65º aniversário do desembarque da Normandia.

Hoje comemora-se o 65º aniversário do desembarque da Normandia.

O mundo não deve esquecer que a unidade dos homens não se faz com a força, mas pela vontade , que não há homens superiores , há apenas homens.

Dedico este post ao jovens e homens que há 65 anos perante um inimigo formidável, tudo deram para que eu, hoje, possa ser um homem livre numa terra livre.

A todas as nações que se uniram para que a vitoria fosse possivel. Que eu possamos ser dignos do sacrificio de tantos.

A maior honra que se pode dar esta geração, é apoiar todos aqueles que hoje lutam pela paz do mundo e pelos direitos humanos.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Letters From The Peninsula


1812-The conduct of the Portuguese Troops during the whole Siege, and under very trying circumstances, has been most exemplary, particularly their Artillery, which is really very good. It is difficult to say which troops, the British or Portuguese, are the most indifferent to danger. In both it is quite remarkable. But John goes to work more steadily and sullenly, while the Portuguese must be well led, and have his joke. They are great wits in their way, and, without the resolution and impenetrable sang-froid of the British, they have more patience and subordination under greater privations and hardship. But the Portuguese has not the bodily strength of the former, is naturally lazy, and is not used to our pickaxes and shovels. Therefore on the working parties the British do their work better in half the time. Both seem equally careless of danger. They agree perfectly well together, and amongst the men there is scarce an instance of disagreement or disturbance.

William Warre, Letters From The Peninsula: 1808-1812, pag 156