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domingo, 11 de dezembro de 2022

Composição do Corpo de Guias

CORPO DE GUIAS

Esta é uma unidade especial, cujo levantamento foi ordenado por Wellington em 1809, teve por base uma unidade portuguesa denominada "Guias do Exército" mencionados em 1806 e novamente em 1809 nos regulamentos.1

O Corpo de Guias do Exército teve por origem uma rede eficaz de informações montada por D. Miguel Pereira Forjaz, que era coordenada pelo Director da Posta Militar, Joaquim José de Oliveira. Esta rede, operava na Galiza, sob a coordenação do Tenente-coronel Manuel de Madureira Lobo, e Castela a Velha e Leão sob a coordenação de António de Gouveia Proença. Outros agentes actuavam na Andaluzia, Estremadura, Astúrias e mesmo em Portugal. Entre os homens que se destacaram nesta rede de informações, contam-se nomes como Filipe Bettencourt e Carlos Frederico Lecor.

Foram criados em 26 de Setembro de 1808, para actuarem inicialmente como ordenanças, sendo compostos por 1 Sargento, 1 Cabo e 18 soldados.

Consciente da importância desta unidade de espionagem e inteligência e da rede montada, Wellington solicitou e conseguiu obter que o Corpo passasse ao seu comando directo sendo então levantado o Corpo de Guias ( Corps of Guides) a 2 de Junho de 1809.Inicialmente fazia parte do Exército Português integrado no Estado-Maior , até ser incorporado no Exército no Quartel General do Exército Anglo-Portugues. Não se trata de uma unidade especial britânica ou portuguesa, mas sim um departamento do Quartel-General Anglo-português, mais concretamente no corpo de oficiais empregados no serviço estado-maior do comandante

Conforme se constata pelo Despacho de Wellington de 1 de Julho de 1809.

Lieut. General the Hon. Sir A. Wellesley, K.B., to the Military Secretary of the Commander in Chief. , ' Castello Branco, 1st July, 1809 , ' SIR,

(...)

9. The order of the 7th May, attaching Mr. Cussan and Mr. Andrade2 to the office of the Quarter Master General, was issued with a view to the formation of the corps of guides, respecting which the order was finally issued on the 23rd May, 1809. ' This corps is essentially necessary in all operations in Portugal. It is most difficult to obtain any information respecting roads, or any of the local circumstances which must be considered in the decisions to be formed respecting the march of troops; and this difficulty obliged me last year, and all those who have since conducted operations in this country, to form a corps of this description. ' The object is not only to have a corps whose particular duty it will be to make inquiries, and have a knowledge of roads, but to have a class of persons in the army who shall march with the heads of columns, and interpret between the officers commanding them, and the people of the country guiding them, or others from whom they may wish to make inquiries”.3

Esta unidade acabaria por incluir militares e civis de várias nacionalidades. Os portugueses escolhidos para integrar a unidade eram em geral homens de grande cultura, letrados, conhecedores de cartografia e línguas, e que conheciam os territórios por onde o exército operava. Na sua maioria, haviam integrado o Batalhão Académico.

Esta unidade incluía cavaleiros ligeiros para reconhecimento do terreno, recolha de informações junto das populações locais. Os Guias tinham por finalidade, fazer guardas avançadas, escoltas, bater e reconhecer terreno, servir de estafetas levando e trazendo mensagens trocadas entre Comandantes, entrega de mensagens classificadas, encaminhamento táctico das unidades, etc..

Durante a campanha o Corpo de Guias foi encarregue da cifra, tendo por objectivo decifrar os códigos do exército Francês, usados nos despachos e comunicações que eram capturados. Esta Unidade militar supervisionava os correios militares, decifrando as mensagens interceptadas ao inimigo, bem como a informação, colhida pelos semáforos4. Tais mensagens eram analisadas com a ajuda da Cryptographia, de D.A, Conradus. A partir de Dezembro de 1811, começam a ser capturadas mensagens com um novo código, -“La Grand Chiffre” o qual também seria decifrado permitindo enorme vantagem estratégica a Wellington , e que lhe traria retumbantes vitórias.

Como podemos ver, era uma unidade mista de operações especiais e serviços secretos.

Esta unidade foi comandada entre 1808 e 1814 pelo Major e mais tarde Tenente-coronel George Scovell, secundado pelo departamento do QMG de Wellington, o qual foi posto sob o comando de um oficial britânico do Quartel-Mestre-General (QMG). Foi transformado no departamento de inteligência do exército Luso-Britânico, ficando finalmente sob a alçada do QMG Britânico.

Entre 25 de Abril e 3 de Junho de 1809, foram nomeados 15 oficiais (12 portugueses e 3 britânicos). Em 1813, foram nomeados mais oficiais, corpo que tinha nessa altura 12 oficiais e 193 homens.

Entre 1808 a 1810, era um corpo essencialmente Português, oriundo da organização portuguesa, sendo os seus oficiais oriundos na sua generalidade da Universidade de Coimbra, como se referiu. Este corpo recrutou muitos desertores e Espanhóis a fim de reunir a maior informação possível para o exército Luso-Britânico.

Em 1813, encontramos um despacho de Wellington a Lord Bathurst, no qual descreve a composição e funções de actuação deste Corpo:

24 February 1813

At the time I took command of the Army in April 1809, I formed a Corps of Horsemen then denominated the Corps of Guides, which was placed under the command of an officer of the Quarter Master General’s Department. It consists generally of foreign deserters from the enemy’s army and is officiered by Portuguese, generally students of the University of Coimbra. The object in the formation of this corps, and its duties at first were to make enquiries about & to reconnoitre the roads, and to provide interpretations between the common village guides of the country and the leaders of the colums of troops on their march; and to circulate orders and other communications between the different divisions of the army and headquartres.

In proportion, as the numbers of the army have been increased and their operations extended… this corps has been increased and in the last campaign all communications between the army and the frontier of Portugal, all those with Madrid, & General Hill’s Corps as well while on the Tagus, as while in Estramadura were carried only by the Corps of Guides placed in stages on the road.

The nature of the disorders commited by our soldiers… expedient in using the Corps of Guides in aid of Police under the Provost on the Roads on which they should be placed for communications in the next campaign, and… I directed a further increase of the Corps…even though the Staff Corps of Cavalry should be formed in this Army…”5

 

 

Esta unidade desaparece no fim das Guerras Napoleónicas, que na Organização Militar portuguesa, quer na Inglesa, o que demonstra claramente o que se disse como unidade típica do exército Anglo-português, o que se verifica pela simples troca de correspondência entre Wellington e Beresford sobre as promoções dos oficiais deste corpo.

To Marshal Sir W. C. Beresford, K£.

'My Dear Beresford, 'Pedrogào, 4th August, 18U.

'I have received your letter of the 31st July. It is quite impossible to allow General Hervey to go to England at present.

'The officers of the corps of guides must of course not be promoted over the heads of the seniors. I only wish that when their seniors shall be made Lieutenants, they may be made Lieutenants aggregados.

'Believe me, &c. 'Marshal 'wellington.

Sir W. C. Beresfwd, K.B: 6


Composição do Corpo de Guias 7

G.O. Oporto, 23d May, 1809.


1. The Quarter Master General will forthwith furnish a corps of mounted guides, to be under the immediate superintendence of an Officer of the Quarter Master General's department. This corps will receive the pay and allowances of cavalry; and the Officers, non-commissioned officers and privates, will be mounted on horses or mules found by the public. The corps to be composed as follows:—


4 Officers receiving the pay and allowances of Lieutenants.

4 “ “ “ Cornets.

6 Serjeants.

6 Corporals.

2 Farriers.

20 Privates.


G. O. Alemquer, 17th Nov. 1810.


1. The Commander of the Forces directs that the Corps of Guides shall be augmented, and the establishment of mounted men to be in future:—

6 Lieutenants. 8 Serjeants. 2 Trumpeters.

6 Cornets. 8 Corporals. 50 Privates.

and Captain Scovell, Deputy Assistant Quarter Master General, will take measures to complete them as soon as possible.


G.O. Fuente Guinaldo, 6th Sept. 1811.

3. The Commander of the Forces directs that the Corps of Guides shall be augmented, and the establishment is to consist as follows:—

6 Lieutenants. 8 Serjeants. 2 Farriers.

6 Cornets. 8 Corporals. 80 Privates,

and Major Scovell, Assistant Quarter Master General, will take measures to complete them as soon as possible.


G.O. Freneda, 11 th Dec. 1812.

3. The Corps of Guides is in future to consist of the following establishment:—

1 Captain. 1 Quarter Master Serjeant. 16 Corporals.

6 Lieutenants. 1 Serjeant Major. 6 Farriers.

6 Cornets. 16 Serjeants. 150 Privates.

4. Mr.____ , Director of Posts at head quarters,- is to be Paymaster of the Corps of Guides and Military Communications of the army.

 

 

G.O. Freneda, 21st April, 1813.


6. Lieut. Colonel Sturgeon, Assistant Quarter Master General, will take charge of the Corps of Guides, of the Post Office, and other communications of the army, vice Lieut. Colonel Scovell.

7. The Corps of Guides will in future consist of two troops, each of the following strength:—

1 Captain. 1 Trumpeter.

3 Lieutenants. 3 Farriers.

3 Cornets. 75 Privates.

1 Troop Serjeant Major. 1 Regimental Serjeant Major.

8 Serjeants. 1 Veterinary Surgeon.

8 Corporals.

 

NOTAS DE RODAPÉ

1 As principais eram as de regular o movimento das tropas durante a execução de uma manobra, orientando os movimentos e os alinhamentos para assegurar a sua rectidão. Nas marchas, indicavam a direcção que deveriam tomar os exércitos. Os Guias mantinham, nas colunas em marcha, as distâncias normais entre duas facções ou unidades imediatamente próximas, podendo regular o andamento ou ritmo da marcha conforme as necessidades. Nas mudanças de direcção de uma unidade ou de um exército, era ele a base do respectivo movimento. Os elementos das fileiras regulavam-se pelas suas indicações, dadas em voz de comando: Guia Direita!, Guia Esquerda!, Guia Centro!, etc. Também se encarregavam de escoltar os Quartéis-generais e de outras missões julgadas necessárias para o bom andamento do respectivo serviço.

2 Foi comandante dos Guias o Coronel Cipriano Lopes de Andrade.

3 The dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington: during his ... John Gurwood - 1835: Volume 4 - Página 455.

4 Corpo Telegráfico

5 The dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington: during his ...: Volume 10 - Página 140 . Wellington to Lord Bathurst, Freneda, 21 February 1813, WO 1/257 p 351. Mais material sobre o corpo de Guias poderá ser encontrado em Public Records Office , Londres, WO 4/171, WO 6/138, and WO 40/10. 13.

6 The dispatches of Field Marshal the Duke of Wellington during… vol 3, pag 168.

7 The general orders of Field Marshal the Duke of Wellington ... in ... - Página 89


****NOTA
(texto original inserido no livro
O EXÉRCITO ALIADO ANGLO-PORTUGUÊS NA GUERRA PENINSULAR (1808-1814) * João Centeno * 2011)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Em Lisboa ninguem se cura...

William Carr Beresford

Quartel General de Valença 22 de Janeiro de 1810


É com pezar , e surpresa que o Ilustrissimo e Excelentissimo Senhor Marechal Beresford, Comandante em Chefe do Exercito, soube que em desprezo da Ordem do dia de 16 de Novembro proximo passado, muitos oficiais dando-se por doentes, se conservam ainda em Lisboa, e ordena positivamente , que todo o Oficial com molestia, que não tiver absolutamente incapaz para o fazer, ou que não tiver permissão directa do Senhor Marechal para estar em Lisboa, deixe instantaneamente esta Cidade, e vá cirar-se a quatro léguas de distancia dela pelo menos, visto parecer que dentro da referida Cidade nunca se completa a cura de molestia alguma.
(...)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Carta de Blunt a Beresford. Deserções.




Six O'clock Thursday morning
Sir,
It is with extreme regret I communicate the dangerous extent to which desertion is approaching in this Encampment...from the Regiment of Cascares - five from the Regiment Setubal last night - notwithstanding that I am assured they have had extended to them every indulgence which is consistent with instruction. The town is open to them one evening in the week..and one morning allotted to bathing - besides that Sunday is never intruded upon - But unfortunately there is no encouragement to apprehend deserters, in consequence I have never heard of one of these regiments being apprehended - and at present bounties given for substitutes. I feel it my duty to make this representation to you for the information of the Marshal that some prompt measures may be adopted - 50 men from two Corps in two nights - without the apprehension of an individual is dangerous ...of its facility - The Police may render some aid. I shall continue as formerly to make my representation to the Governor of The Province. I have the honour to be Sir your most obedient humble servant. R. Blunt. Brigadier.




À venda no Ebay temporariamente aqui.

sábado, 21 de março de 2009

Há 200 Anos. “Quartel-General do Calhariz, 21 de Março de 1809"

ORDEM DO DIA
“Quartel-General do Calhariz, 21 de Março de 1809
O Senhor Marechal Comandante em Chefe do Exército, considerando quanto é importante haver um Comandante de Artilharia, tanto para a boa organização desta, para o método, e facilidade da expedição das Ordens relativas; declara Comandante da Artilharia o Senhor Brigadeiro José António da Rosa, e determina que os quatro Regimentos de Artilharia, e Destacamentos dos mesmos, que por qualquer motivo estiverem separados, lhe enviem já e daqui em diante os Mapas e Partes competentes, e executem todas as ordens que ele lhes expedir, continuando os referidos Regimentos e Destacamentos a estarem sujeitos ao Comando do Exército, ou distrito em que se acharem, e comunicando tudo o que este lhe mandar cumprir ao mesmo Senhor Brigadeiro declaram-se Ajudantes de Ordens do Senhor Marechal Beresford o Senhor Major Warre, o Senhor Capitão Sewell, o Senhor Capitão Conde de Lumiares, Tenente que era do Regimento de Infantaria nº 10, e o Senhor Capitão D. José Luiz de Sousa, Tenente Graduado que era do Regimento de Cavalaria nº 1. As divisas dos Ajudantes de Ordens do Senhor Marechal Beresford, são com farda de Ajudantes de Ordens, duas dragonas bordadas de ouro, com fundo azul, e cachos de ouro. Ordena o Senhor Marechal Beresford, que o lugar de Porta-Bandeira seja considerado lugar de distinção, e que os Senhores Comandantes de Corpos só nomeiem para Porta-Bandeiras os Cadetes mais capazes. Recomenda o Senhor Marechal Beresford, que os Senhores Comandantes de Corpos, tanto de Linha como de Milícias, tenham a maior atenção, em que os Soldados conservem as Armas «em bom Estado - Ajudante Geral Manoel de Brito Mosinho»”.

domingo, 15 de março de 2009

Há 200 Anos."Ordem do Dia de 15 de Março de 1809"

Esta é a primeira Ordem do dia de Beresford.


ORDEM GERAL
“Havendo se dignado Sua Alteza Real o Príncipe Regente de Portugal de confiar ao Marechal Beresford o Comando-em-Chefe dos seus Exércitos, julga ele do seu dever, ao entrar no dito Comando, dirigir se e patentear a todos os seus companheiros de Armas os seus sentimentos nesta ocasião.
O Marechal Comandante-em-Chefe mediante o Emprego, que ocupava no Exército enviado por Sua Majestade Britânica, para auxiliar nos admiráveis e prodigiosos esforços, que os Portugueses fizeram para restaurar a sua Liberdade, e Independência, tão injustamente atacadas, teve ocasião de estudar, e conhecer a fundo a índole e carácter Militar desta Nação; e bem que esteja persuadido de haver-lhe dado a mais clara prova da vantajosa ideia, que dela forma, na aceitação que acaba de fazer do referido Comando, deseja todavia, e espera mostrar lhe do modo mais decisivo, que a nenhum outro Oficial poderia ser confiado o Comando-em-Chefe do Exército Português, que estivesse tão intimamente convencido das disposições, e talentos Militares inerentes aos Portugueses, aos quais qualquer ensino, e uniformidade na sua direcção, bastará para mostrarem que eles são hoje o que sempre foram, senão os melhores, ao menos iguais aos mais valorosos, e intrépidos da Europa; e por isso o Comandante-em-Chefe procurará com a maior aplicação e desvelo dar a estas qualidades aquela eficácia, e energia, que elas costumam adquirir, quando são auxiliadas por uma Disciplina bem regulada.
É universalmente reconhecido que os Portugueses são leais ao seu Soberano, obedientes às Autoridades legítimas, que o representam, e sofredores das privações e incómodos, que os Exércitos as mais das vezes experimentam; o Patriotismo, e Energia, e Entusiasmo, de que acabam de dar as mais evidentes provas; a glória que adquiriram no Roussillon; os derradeiros sucessos nas Fronteiras do Norte, e Nordeste atestam a sua resolução, valor, e intrepidez; qualidades, que os tornam dignos dos seus Antepassados, e tão famosos como eles. Por tanto, Portugueses, ninguém desenvolve melhores disposições para serdes a melhor Tropa; e convencido desta verdade, o Marechal Comandante-em-Chefe se vê com o maior prazer identificado com a Nação Portuguesa: Ele é um Oficial Português, e aos Portugueses confia a sua honra, e a sua reputação, bem seguro de que lhe hão-de ser vantajosamente restituídas. O Marechal Comandante-em-Chefe julga necessário protestar-vos, que ele considerará sempre como um dos seus mais importantes deveres o fazer realçar o merecimento, onde quer que ele aparecer; e que a única recomendação para ele atendível, será o zelo, a inteligência, a actividade, o valor, o patriotismo; qualidades, que encontrarão nele sempre um decidido, e activo Protector. O Marechal e Comandante-em-Chefe chama a atenção de todos os Oficiais Generais, e Subalternos sobre o Estado actual, e melhoramento do Exército; e convencido que o melhor método de introduzir nos Corpos Militares a Disciplina, e exacta observância dos deveres, é o exemplo dos Oficiais, espera que eles não faltarão aos seus Soldados com uma tão importante e necessária Lição. Espera com impaciência o Marechal Comandante a primeira ocasião de visitar, inspeccionar assim os diferentes Corpos, que se acham já em Campanha, como todos os demais do Exército; e aproveitará todas as ocasiões de promover a satisfação, decoro, e vantagem dos Oficiais, e Soldados, que se lhe confiaram Quartel-General.

Lisboa 15 de Março de 1809 = Assinada pelo Senhor Marechal”

quarta-feira, 11 de março de 2009

Decreto de nomeação.

Tendo consideração ás qualidades, merecimentos e experiência militar que concorrem na pessoa de Guilherme Carr Beresford, tenente general ao serviço, de sua majestade el-rei da Grã-bretanha: confiando de quem ele é, que em tudo o de que o encarregar se empregará muito ao meu contentamento, acrescentando no serviço do meu exército a distinta reputação que lhe têm adquirido as sucessivas provas que tem dado do seu merecimento nas guerras em que tem sido empregado, e querendo por todo o referido dar-lhe um autentico testemunho da estimação e confiança que dele faço: hei por bem nomeá-lo marechal dos meus exércitos, e encarregando-o do comando em chefe das tropas deste reino para o exercitar enquanto eu o houver por bem, e com toda a jurisdição que como tal lhe compete 11 conformidade das leis e regulamentos militares.

O conselho de guerra o tenha assim entendido e lhe faça expedir logo os despachos necessários. Palácio do governo, em 7 de Março de 1809 = (Com duas rubricas dos governadores do reino.)
Aviso para Guilherme Carr Beresford

Illmº e exmo Sr. -O príncipe regente nosso senhor manda remeter a V. ex. a a inclusa carta regia, pela qual o mesmo senhor é servido que v. ex., independentemente de patente que se lhe deve passar pelo conselho de guerra, passe logo a exercer as funções de marechal dos seus exércitos com o comando em chefe de todas as tropas deste reino, como se declara na mesma carta regia, que tem a data de 7 deste mes. Repito a v. ex. a os fieis protestos da minha muito distinta consideração.
Deus guarde a V. ex. a Palácio do governo, em 10 de Março de 1809. =D. Miguel Pereira Forjaz.
Carta regia
Guilherme Carr Beresford, tenente general ao serviço de sua majestade el-rei da Grã-bretanha. Eu o príncipe regente vos muito saudar. Tendo-vos conferido pelo meu decreto da data de hoje o posto de marechal dos meus exércitos com o comando em chefe de todas as Tropa deste reino, e com a jurisdição que como tal vos compele, na conformidade das leis e regulamentos militares; e convindo ao bem do meu real serviço que independentemente da patente que se vos deve passar pelo meu conselho de guerra, tomeis desde já o mesmo comando, pareceu-me conveniente comunicá-los esta minha real determinação para que possais logo exercer as funções do posto que vos tenho confiado, na certeza de que tenho mandado expedir as necessárias participações a todos os governadores das províncias deste reino, aos inspectores das diferentes armas e aos comandantes de divisão do meu exército. Assim o tereis entendido e cumprireis. Escrita no palácio do governo, em 7 de Março de 1809 = Marquês das Minas = Conde Monteiro Mor.”

segunda-feira, 9 de março de 2009

Escolha do general para organizar e assumir o comando do exército português

Excerto do ofício dirigido do Rio de Janeiro a D. Domingos António de Sousa Coutinho sobre a escolha de general para organizar e assumir o comando do exército português.


Conhecendo também sua alteza real a suma necessidade que é para o reino chamar um general que possa organizar o exército de Portugal nas três essenciais armas, e que forme um corpo numeroso, escolhido e bem disciplinado, de que possa depois destacar uma grande força para a defesa da Espanha, de flui tão essencialmente depende a de Portugal, que mal conservaria a sua independência se Espanha perdesse a sua; portanto, é sua alteza real servido que v. s. a, tendo somente em vista o interesse do real serviço e do reino, e de acordo com esse ministério, escolha algum general que seja dos melhores e dos mais capazes de criar um bom exército e com boa disciplina, que mereça toda a confiança, e que com ele ajuste o que se lhe deve dar e a patente com que há-de servir a sua alteza real, sendo só para desejar que pile possa fazer em Portugal os mesmos prodígios que em 1762 operou o conde de La Lippe, e que nunca mais, apesar dos muitos e grandes esforços que sua alteza real fez para o mesmo fim, poderão tornar a conseguir-se.
Lembra Sir Arthur Wellesley haver quem apontasse o general Beresford, pois que ele poderia ajudar também o governo com luzes administrativas e de fazenda; mas nada sua alteza real quer lembrar directamente v. s. a. quanto à pessoa, porque, confiando do zelo, fidelidade e inteligência de v. s. a., quer deixar-lhe toda a Liberdade nesta difícil em preza, e faze-lo responsável do importante acerto e de que fica encarregado.
V. S. poderá segurar ao general que julgar dever escolher, que sua alteza real não só o manda recomendar aos governadores do reino, como verá da carta regia de que lho remeto copia, mas que sua alteza real ordena aos mesmos que em tudo sustentem e façam executar as suas ideias com aquela energia que pede o difícil e critico momento actual, e que o seu plano deverá estender-se a organizar uma boa e firme infantaria, uma bem adestrada cavalaria e uma artilharia de posição e a cavalo, que nada deixe a desejar, alem do corpo de milícias que possa combinar-se com as tropas de linha e segurar a defesa do reino, entrando também no sistema de chefe geral que poderá organizar-se, conservando e erigindo de novo as praças que se julgarem necessárias, estabelecendo o soldo competente, e propondo as convenientes economias, para que este exército móvel e sempre pronto a entrar em campanha seja, contudo, o menos dispendioso possível.
Realizar estas luminosas vistas e planos de sua alteza real é de suma dificuldade; mas v. s. a. fará os maiores esforços para conseguir este fim com a dexteridade e energia que merecem que sua alteza real lhe de esta demonstração de confiança em ponto tão essencial.
Deus guarde a v. s. a. Palácio do Rio de Janeiro, em 9 de Janeiro de 1809. = Conde de Linhares
.”

domingo, 19 de outubro de 2008

Ordem do dia de 18 de Agosto de 1809.

«Quartel General de Salvaterra 18 de Agosto de 1809
O Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Marechal Beresford me encarrega de fazer constar, que ele não pode deixar de se admirar muito de haverem os Senhores Oficiais mandado com a bagagem os Livros das Ordens, quando os devem trazer sempre consigo , para não lhes virem a faltar nas ocasiões , em que lhes são mais precisos ; e recomenda muito, que daqui em diante os Senhores Oficiais não separem jamais de si os seus Livros de Ordens.
Ajudante General Mozinho»
Digam ao Senhor Marechal que o autor deste blog nunca se separa dos dele.

sábado, 18 de outubro de 2008

Colecção das Ordens do Dia... e Compilação das Ordens do dia...

Só há poucos dias pude constatar, que existem, essencialmente, duas obras sobre as Ordens do dia, as quais pensava eu, serem a mesma obra.
A primeira, é a conhecida como
Colecção das Ordens do Diavariando o texto seguinte.

A outra, mais rara , com o título de Compilação das Ordens do dia do Quartel General do exercito português , concernentes á organização, disciplina e economia ,militares na campanha
São 6 pequenos volumes de bolso [ 1 por cada ano 1809, 1810, 1811, 1812, 1813 e 1814] , em papel extremamente leve, contendo as ordens do dia , nas quais foram retiradas todos os textos que não tenham a ver com “…organização, disciplina e economia ,militares …”.
A obra contem no fim de cada volume um apêndice com a legislação militar aplicavel ( designadamente os artigos de guerra de 1764), um resumo da força militar em cada ano e um índice por temas.

Trata-se de uma obra extraordinária.
Irei colocar dois posts sobre ambas as obras, as as imagens e descrição física das mesmas.

Compilação das Ordens do dia

Compilação das Ordens do dia do Quartel General do exercito português , concernentes á organização, disciplina e economia ,militares na campanha de 1809
[etc até 1814 ]
Lisboa, na impressão regia, anno 1811, acha-se na Loja da Impressão Regia, debaixo da arcada do Terreiro do Paço e na de Carvalho , aos Martyres .
Descrição física. 9 x 14,5

Colecção das Ordens do Dia do Ilustrissimo e Excelentissimo Senhor Guilherme Carr Beresford ...

São algumas as variantes desta obra, a qual contem vários volumes.
Aqui ficam alguns volumes da Colecção..:

Colecção das Ordens do Dia do Ilustrissimo e Excelentissimo Senhor Guilherme Carr Beresford , commmandante em chefe dos exércitos de S.A.R. o Príncipe Regente Nosso Senhor
Anno 1809
Lisboa , por António Nunes dos Santos,
Vende-se na Rua- Nova do Almada nº44

Descrição física. 14 x 19,5


Colecção das Ordens do Dia do Ilustrissimo e Excelentissimo Senhor Guilherme Carr Beresford , commmandante em chefe dos exércitos de S.A.R. o Príncipe Regente Nosso Senhor
Anno 1814
Lisboa , por Manoel Pedro de Lacerda,
Impressor do Quartel General , com Licença
Vende-se na Travessa de S.m Nicolao ao Pote das Almas , nº67.

Descrição física. 14 x 19,5

Colecção das Ordens do Dia do Ilustrissimo e Excelentissimo Senhor Marechal General , Marquez de Campo Maior, commmandante em chefe do exército de Sua Majestade Fidellíssima El Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve
Anno de 1820
Lisboa , por Manoel Pedro de Lacerda,
Impressor do Quartel General , com Licença
Vende-se na Calçada do Combro , nº55

Descrição física. 14 x 19,5

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ordem do dia de 6 Abril 1809

Ordena o Senhor Marechal , que todo Cirurgião Mór, ou Cirurgião Ajudante , que passar Certidão de moléstia a qualquer indivíduo militar , que não for verdadeira, seja metido a Conselho de Guerra.
(...).