segunda-feira, 17 de março de 2008

Praça de Lagos- Decreto de 2 de Janeiro de 1797

Por decreto de 2 de Janeiro de 1797, é revisto o plano do Decreto de 1 de Julho de 1795 e são de novo reorganizadas as 44 fortalezas principais do Reino do Algarve estabelecendo um novo Plano para cada uma delas.
A Praça de Lagos vê aumentados os seus efectivos, estabelecendo-se que a mesma ficaria com uma guarnição de 2 Capitães, 4 primeiros tenentes, 4 segundos tenentes, 5 sargentos, 8 furriéis, 27 cabos, 4 tambores e e 206 soldados.
Nela se estabelecia que eram subordinadas oito fortalezas: Meia Praia, Piedade, Porto de Mós, N. Senhora da Luz, Burgau, Almádena, Figueira e Zavial, cada uma delas com 1 cabo e 6 soldados. O Pinhão deixa de constar da lista de praças subordinadas.

Em 1796 e depois em 1797, Portugal aguardava uma invasão do seu território, sendo a razão pela qual, nesta época (1795/1797) aparecem alguns diplomas reveladores de uma preocupação na reorganização do exército e da sua eficácia, entre os quais se destacam: «Plano para o restabelecimento do trem de Lagos» de 15 de Junho de 1795; «Plano de organização para o corpo fixo das guarnições da província do Minho, sua economia, soldo e vencimento» de 4 de Abril de 1796; reorganização orgânica dos regimentos de Linha de 1 de Agosto de 1796; criação da Legião de Tropas Ligeiras de 7 de Agosto de 1796 e reorganização total das milícias na mesma data; e a elaboração do referido «Plano de organização das quatro companhias de artilharia de Pé de Castelo para guarnecer as Praças, fortalezas e baterias do Reino do Algarve» de 2 de Janeiro de 1797.
É também de 1796 o «Plano de Defesa do Reino» que recomendava a ocupação de posições à retaguarda das fronteiras, com exércitos de observação: em Abrantes, para cobrir Lisboa e, se necessário, acorrer ao Alentejo ou à posição das Talhadas; em Viseu e em Braga .

4 comentários:

Moisés Gaudêncio disse...

Caro amigo, parabéns pela feliz ideia de partilhar informação com todos os que se interessam por este periodo da nossa história. Neste período de «comemorações» do bicentenário parece que existe alguma movimentação... pelo menos editorial...mas será que resultará em algo mais substâncial? Ou seja em algo mais do que simples divulgação dos acontecimentos marcantes da época... penso em esforços de investigação sérios que resultem na abertura de novas perspectivas sobre o período.
Gostava de saber a sua opinião bem informada.

Cumprimentos,

Moisés Gaudêncio

Lagos Militar disse...

Obrigado pelo amável comentário, mas eu sou um amador nestas andanças. Apenas acumulo informação, faltando o carácter organizativo que em os historiadores profissionais.
Eu também espero que as comemorações dos 200 anos nos tragam mais do que se tem publicado. Das obras até agora publicadas, gostei do livro do Vasco Pulido Valente “«Ir pró maneta», e o "O Último Távora" de José Norton, apesar de considerar este ultimo como uma abordagem parcial do Marques de Alorna, tentando apenas realçar as suas qualidades.
Alguns livros têm desiludido, pois esperava mais, no entanto sei que os livros que “nós” queremos, não são muito queridos pelos Editores, pois o publico alvo é reduzido a menos que se veja o potencial das traduções para Inglês.
O 1º volume da minha colecção, segundo fui informado, sairá ainda este mês. Espero que o publico goste, apesar de saber que para a maioria será maçador, pelas transcrições integrais dos documentos e minúcias com a organização militar, à qual ainda me faltam muitas pontas soltas, as quais refiro na obra.

Obrigado pelo Post.

JC

José Norton disse...

O seu blog é muito interessante. Parabéns!

Lagos Militar disse...

Obrigado.
Só me resta retribuir, pois como referi, o seu livro foi uma lufada de ar fresco nesta época de comemorações, especialmente por dizer respeito a uma personagem tão complexa e pouco estudada. É uma das obras que aconselho a ler, motivo que me levou a incluir o link para o seu Blog.
J. Centeno