terça-feira, 16 de setembro de 2008

Forte de São Roque de Lagos ou Forte da Meia Praia.

Foto Francisco Castelo.

1º texto- Blog de Francisco Castelo, do qual retiramos a foto.

O único património histórico-arquitectónico existente na Meia Praia, e ainda não classificado, é o Forte de S. José, e não de S. Roque, como erradamente é dito. Tal equipamento militar foi mandado construir por D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontével, nos anos de 1674 e 1675 quando, pela segunda vez, foi Governador do reino do Algarve. A sua acção em Lagos foi de grande mérito, por ter construído a casa da Câmara e na povoação da Luz uma muralha que cercava a Igreja de N.S. da Luz e o espaço adjacente que serviu de cemitério. A acção estratégica do Forte constituía a defesa do leste da baía de Lagos. Esteve artilhado, primeiramente, com uma peça de bronze e duas de ferro prontas a servir e uma de ferro, incapaz. O terramoto e consequente maremoto de 1 de Novembro de 1755, ocorrido no dia de Todos os Santos, destruiu um quarto do Forte, espalhando pedaços pelo areal. Em 1796 foram realizadas obras, e em 1821 esteve artilhado com três peças de ferro, tendo sido desartilhado em 1840. Obsoleto para fins militares foi, em 11 de Julho de 1873, cedido à Câmara Municipal de Lagos e depois entregue por esta autarquia à Alfandega de Lagos, para ali instalar um posto fiscal, tendo posteriormente servido como posto da Guarda Fiscal (in Fortificações da Praça de Lagos – Carlos Calixto - edição CMLagos).O terramoto e o maremoto foram violentíssimos. Numa descrição coeva refere-se que o mar recuou e que se viram rochas na baía que nunca ninguém vira antes, nem se sonhara, e que depois uma onda que tudo fazia tremer entrou terra dentro levando tudo de vencida (tendo avariado gravemente o Forte que depois disso conheceu apenas parcas reparações para garantir a sua modesta utilização). A dita onda atravessou todo o sistema dunar e chegou até às fazendas. Outro aspecto curioso refere-se ao facto de em tempos ter existido, no Forte, um poço cuja água era muito procurada devido à sua excelente qualidade mas que mais tarde se tornou inquinada devido à construção de uma retrete nas suas proximidades.Outro património interessante é a conhecida Quinta das Beatas que se julga ter sido, como o nome sugere, um retiro de religiosas, com história ainda por fazer.Anos após o terrível maremoto o areal da Meia Praia recuperou e o sistema dunar ganhou grande beleza ao longo desse trajecto ao serviço da faina marisqueira do rio de Alvor, tal como está referenciado em mapa de artilharia de 1791.


2º Texto- Fonte : IPPAR

Em pleno areal da Meia Praia, numa zona central da Baía de Lagos, e em monte dominante sobre toda a orla costeira, o pequeno forte de São Roque - ou da Meia Praia, pelo local onde se encontra implantado - foi uma das fortificações complementares de defesa da costa algarvia, ao longo da Idade Moderna. A sua construção remonta, muito provavelmente, à segunda metade do século XVII, integrada no amplo processo de defesa da costa meridional do reino, que levou à edificação de numerosos fortes ao longo de toda a linha marítima do Algarve, de Castro Marim à ponta de Sagres. A sua vocação defensiva, a meio da baía, justificava-se pela relativa proximidade da ribeira de Odiáxere e, mais importante, pela proximidade em relação à cidade de Lagos, desempenhando, assim, uma função de clara complementariedade em relação ao forte dispositivo militar da urbe.Em termos estruturais, este forte apresenta uma solução tremendamente simples: planta quadrangular, de três arestas regulares e uma - a virada a ponte - irregular, precisamente aquela onde se abre o portal principal de acesso à fortaleza, rasgado axialmente no alçado, e resguardado por dois torreões de secção trapezoidal. No interior, resta apenas uma dependência, de dois pisos, que ultrapassa, hoje, a altura das muralhas, fazendo crer que a organização interna, na origem, não teria esta disposição vertical tão acentuada. O plano aqui adoptado foi já aproximado ao da fortificação quadrangular da Ponta da Bandeira, em plena praia de Lagos, apenas diferindo numa maior simplicidade e modéstia com que se edificou o edifício da Meia Praia (COSTA, 1997, Dgemn, on-line).Infelizmente, o Forte de São Roque passou por uma história tão atribulada que são muito poucas as certezas que hoje possuimos acerca deste imóvel nos seus primeiros tempos. A própria data de construção não é certa, e as múltiplas transformações por que passou ao longo da sua existência, determinaram a adulteração completa da disposição original interna. Logo em 1755, aquando do grande terramoto, o forte sofreu pesados danos, desmoronando-se algumas paredes. O processo de reconstrução que se seguiu foi, ao que tudo indica, demasiado demorado e a fortificação nunca mais atingiu a importância que se crê ter estado na sua origem. Dez anos após o tremor de terra, uma notícia indica não existir ainda quartel e armazém para a pólvora no seu interior. Parece mesmo que a reconstrução definitiva do forte apenas teve lugar quarenta anos depois de 1755, nas vésperas do país ser invadido pelas tropas francesas.Fosse como fosse, o certo é que logo na terceira década do século XIX o forte estava destruído e abandonado. Uma relação de trabalhos elaborada nos anos quarenta de Oitocentos indica que os trabalhos de reconstrução a realizar seriam de grande vulto, neles se integrando a desobstrução de grande parte das muralhas, indicador de que era já estrutural o abandono da fortaleza. Pelo final do século, o espaço passou para a Alfândega de Faro, que aqui instalou um ponto de fiscalização da sua Guarda. Ao longo do século XX, as várias tentativas para se rentabilizar (e preservar convenientemente) o espaço debateram-se com a inércia das instituições. Uma proposta de adaptação a unidade turística, sugerida pela DGEMN, não foi concretizada e, no presente, o pequeno forte mantém uma guarnição da Guarda Fiscal no interior, ao mesmo tempo que as velhas muralhas, de boa construção militar, se vão degradando, apresentando já perigosos sinais de desagregação, junto a alguns cunhais.

2 comentários:

efe disse...

Uma pequena correcção a apontar: o artigo sobre o forte da Meia Praia encontra-se no site do CEMAL (este, alojado no meu servidor), e é de autoria do José Carlos Vasques.

Já agora, o referido artigo integra o seu livro, publicado recentemente pelo Grup+o dos Amigos de Lagos, intitulado "Contributos Para as Memórias de Lagos". Quanto à questão da denominação correcta do Forte da Meia Praia, a referência ao Forte de S. José provém de "A CIDADE E O TERMO DE LAGOS NO PERÍODO DOS REIS FILIPES", do grande investigador Fernando Cecílio Calapez Corrêa.

Saúde.
Francisco Castelo

João Torres Centeno disse...

Obrigado , caro amigo.

João Centeno