segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O arsenal do Exército . Parte 5 e última. Sérgio Veludo Coelho.

Continuação.
«O negociante Heinrich Anschutz ficaria obrigado a fornecer mensalmente 1250 espingardas completas, isentas de taxas de transportes e alfândegas ao serem carregadas no porto de Hamburgo com os respectivos custos de transportes a ficarem a cargo do negociante alemão. No documento era referido que os canos das espingardas, apesar de já virem provados de Suhl, conforme os regulamentos, seriam de novos analisados no Real Arsenal do Exército, através do processo de disparo de uma bala de chumbo do calibre da arma e uma carga de pólvora de guerra do peso da bala. Os canos gastos ou danificados seriam substituídos por outros à responsabilidade da Heinrich Anschutz Companie, que poderia nomear quem for necessário para assistir às provas em Lisboa. O pagamento seria feito mediante a entrega dos lotes de 1250 espingardas, o que incluía um adiantamento do pagamento das primeiras 1250 armas, no valor de 7750 Risedaller e que corresponderiam ao último pagamento do contracto, este que deveria chegar a um valor total de 186000 Risedaller de prata. Os pagamentos seriam feitos em Hamburgo, ao ritmo de entrega dos lotes das espingardas e nos casos em que a quantidade de armas ultrapassasse o lote, seria feito o acerto de contas por inteiro, tarefa a cargo de banqueiros alemães, comissionados pelo Governo português. O negociante Heinrich Anschutz, no final do documento, declarava que garantia, pelos seus bens, de que cumpriria todas as obrigações do contrato (AHM DIV 1-13-14-23 m0001/2/3). Carlos António Napion, Inspector do Arsenal Real do Exército, em ofício de 24 de Março de 1803, escrevia para D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Conde de Linhares e Presidente do Real Erário, sobre os resultados da negociação para a aquisição das 30 000 espingardas ao negociante Heinrich Anschutz, e em que se fazia menção a um relatório em anexo, e datado de 18 de Janeiro de 1803, este referindo-se a ordens de pagamento dadas a João Schuback, um dos banqueiros comissionados em Hamburgo, do que seriam os primeiros lotes de espingardas a serem enviados para Portugal a partir daquele porto. No documento em anexo ao ofício, Napion dava conta da troca de correspondência com o agente financeiro de Hamburgo, João Schuback, relativa aos pagamentos do armamento a ser enviado para Portugal e sobre quais as melhores moedas a serem utilizadas em alternativa ao Risedaller, constante no contrato celebrado com a Heinrich Anschutz Companie, pelo que aparenta ser uma questão de câmbios. Para além das questões monetárias, foram apontados problemas com o fabrico das armas, nomeadamente o exagerado tamanho das platinas onde assentavam as fecharias de pederneira das espingardas e as guarnições, mais espessas do que nos modelos ingleses, o que significava o não cumprimento do contrato de fabrico, que se comprometia a respeitar em termos de dimensões e calibre o que fora solicitado no ano de 1802 (AHM Div 1–13–02 –13 m0053/55).«

Sérgio Veludo Coelho.

Fim.

1 comentário:

efe disse...

«Olhão - Biblioteca acolhe congresso histórico sobre invasões francesas. A Biblioteca de Olhão vai acolher o congresso "Olhão, o Algarve e Portugal no tempo das Invasões Francesas", nos dias 14, 15 e 16 de Novembro.»